A Doutrina Espírita e seu Papel para a Humanidade

Conquanto a adequada atribuição do termo doutrina – como um conjunto de princípios em que se fundamenta o Espiritismo, tal sua natureza em seu idealismo filosófico, científico e religioso, que lhe são intrínsecos ao mesmo tempo; afeiçoo-me mais às denominações de Ciência e Filosofia Espírita. Porquanto, buscando, objetiva e racionalmente, encontramos na denominação adjetiva deste último termo, as seguintes coerentes explicações:

“Amor à sabedoria e ao conhecimento, através da procura permanente da verdade.”

       “Conjunto dos princípios teóricos e gerais que permeiam e regulamentam as ciências particulares (física, astronomia, química, psicologia etc.), ao contrário do saber fragmentado a que essas mesmas ciências estão reduzidas, com seus campos específicos de pesquisa.”

       “No âmbito metafísico, reflexões e estudos teóricos que buscam a verdade sobre a natureza de Deus e do Universo por meio de procedimentos que se utilizam da lógica e da dedução, ao contrário da religião, que baseia na fé essa busca”. (Dicionário Português Brasileiro – Michaelis.uol)

       E em que pese a natureza pessoal da preferencial denominação, creio que se coaduna bem com os ideais preconizados pelos sábios Espíritos Superiores; quando a revelaram a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação da primeira obra – “O Livro dos Espíritos”, por meio do intercâmbio mediúnico psicográfico coordenado e compilado pelo Douto Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com a imprescindível colaboração conjunta de todos os seres, verdadeiros missionários divinos, envolvidos nesta grandiosa missão: transmitindo ou ditando (Espíritos sábios) e psicografando (médiuns).

       Contudo, mais importante do que as preocupações teóricas e literárias é o proficiente papel do Espiritismo para a Humanidade, por seu caráter revelador e esclarecedor, corroborando os ensinamentos do divino Mestre Jesus, que o havia exemplificado, há dois mil anos, fazendo uso de parábolas, que muitos não puderam compreender. E eis o advento da Doutrina Espírita, cumprindo o que o próprio Mestre asseverou, em consonância com o Evangelho de João, c.14: v.16, 17 e 26. Que tenho a convicção de tratar-se do Consolador (prometido)Espírito de verdade, como a terceira revelação divina (a primeira – Moisés e a segunda – Jesus). Sobretudo visando o perfeito e amplo entendimento de nossa realidade espiritual, para o nosso aprimoramento e conseguinte evolução moral-espiritual de que tanto necessitamos, ante o novo estágio espiritual evolutivo do nosso orbe terrestre, que se avizinha.

       E eis o que nos elucidou Allan Kardec, na Introdução do “Livro dos Espíritos”: “A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica outra, relativa às manifestações inteligentes. A verdadeira Doutrina espírita está nos ensinos que os Espíritos deram, e os conhecimentos que este ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo perseverante, feito no silêncio e no recolhimento. Porque, só dentro desta condição se pode observar um número infinito de fatos e particularidades que passam despercebidos ao observador superficial, e firmar opinião. …. Os princípios nelas exarados não são de criação nossa. O mérito que apresenta cabe todo aos Espíritos que a ditaram. Esperamos que dará outro resultado, o de guiar os homens que desejem esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim. …. Porém, entre o homem e Deus, alfa e ômega de todas as coisas, que imensa lacuna! …. O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens, nos diferentes graus que levam à perfeição.”

       Nesse contexto, repito o que meditei e escrevi em maio de 2016: “O Espiritismo, bem compreendido, em seus primordiais e racionais princípios – científicos e filosóficos, constitui-se a essência de todas as religiões fundamentadas no Evangelho de Jesus.”

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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