A Importância do Sentimento de Religiosidade

        Reflito sobre o assunto em epígrafe, por ter sido esquecido em nossa cultura educacional hodierna, impregnada da lógica e da presunção cientificista, como também da impositiva cultura do Estado antirreligioso e do materialismo mundano excessivamente permissivo. Talvez até, em reação ao tolhimento da liberdade do livre-pensar do passado, sobretudo em relação às imposições religiosas totalitárias do infeliz período da Inquisição, parte obscura de nossa História. E isso, naturalmente, carreou o pensamento e os ideais humanos inteligíveis para o oposto, em seus excessos emotivos.

        Por isso, repito o que pensei e escrevi em texto anterior: “… Estudando as religiões tradicionais mais professadas no mundo ocidental – Catolicismo e Protestantismo de modo geral, sem outro intuito senão o de entendimento e harmonia, e com todo respeito pelo que representam e sua valiosa utilidade, percebe-se que embora tenham contribuído para a melhoria e disciplina do homem, no decorrer dos séculos, determinando comportamentos éticos e buscando refrear os instintos, as paixões; permitiram que os homens delas se distanciassem ao confrontar de forma ortodoxa outras formas de pensamentos, criando a dicotomia antagônica – religião versus ciência. Por seus dogmatismos que insistem, pelo temor e submissão, na pregação da fé irrestrita, “cega”, instituindo simbologias, sacramentos e rituais e por afirmativas desprovidas de comprovação e razão, ao considerar mistérios divinos o que ignoram, e apregoarem uma única existência terrestre para  o  homem (espírito eterno) – que, após a morte, selaria definitivamente seu destino – céu , inferno e, posteriormente instituído, purgatório; condicionando a “salvação da alma” ao poder das igrejas, por seus representantes. …” (CONVICÇÃO ESPÍRITA – publicado em 01.08.2013).

        E, infelizmente, o que se pode observar é o aumento de pessoas, famílias, grupos sociais, alheios aos princípios de religiosidade, os quais só são lembrados e citados em preenchimentos de dados cadastrais ou estatísticos, quando perguntado sobre a religião professada… Por outro lado, felizmente, todos nós temos imanente em nosso íntimo pensar, em nosso âmago, que representa a nossa alma ou espírito, o desejo pela busca da verdade que concilie e harmonize nossa mente, e que nos faz refletir sobre o que somos, a razão de aqui estarmos, de nossas reais origens e de nosso destino pós-morte física.

        Foi esse sentimento perquiridor, na busca da verdade, que levou o mestre lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail, à época (meados do Século XIX), professor, tradutor e escritor, em Paris, como tal já bastante conhecido e respeitado, a interessar-se objetivamente, de modo racional e metodológico, pelos fenômenos espirituais, com efeitos físicos, observados, aprofundando as pesquisas e resultando na Ciência que estuda e analisa os espíritos e o mundo ou a dimensão espiritual, em permanente interação conosco – como espíritos encarnados que somos, e nosso mundo físico – Planeta Terra. A que os Espíritos Sábios inspiraram a denominação de Espiritismo ou a Doutrina Espírita, quando, em 18 de abril de 1857, o professor Denizard Rivail, considerado o codificador do Espiritismo, por orientação espiritual sob o pseudônimo de Allan Kardec, publica a primeira obra – “O Livro dos Espíritos”. A que se seguiram – “O Livro dos Médiuns” (1861); “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864); “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868).

        Muito resumidamente, eis como se deu a 3ª Revelação, considerando-se ainda como o consolador prometido por Jesus, por restaurar o Evangelho primitivo, revelando e esclarecendo a humanidade sobre o mundo dos Espíritos e a imortalidade da alma, com a comprovação da vida depois da morte do corpo.  Dando novo sentido de racionalidade à Fé em Deus e ao verdadeiro sentimento de religiosidade que deve nortear todos os cristãos, para um mundo melhor, em paz e harmonia.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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A Real Dignidade Humana

        Muito se comenta sobre as atitudes humanas, sobretudo em certos aspectos, em que são tidas e até proclamadas como exemplos de dignidade ou hombridade… quando, muitas vezes, isso se dá por mera reação à certas observações desagradáveis, ofensas ou afrontamentos que nos sãos dirigidos, e que são imediatamente respondidos no mesmo teor ou até com maior intensidade, como desforra, no comum e popular estilo de ‘bateu – levou’, ou ‘não levar desaforo pra casa’. O que apenas revela, em verdade, o orgulho e a vaidade existente em todos que assim reagem, e não a real dignidade do homem de bem, em seu aspecto moral-espiritual, tal como nos exemplificou e ensinou o Divino Mestre, tão bem proclamado e divulgado nos postulados espíritas, que, ao contrário, revela-se no perdão das ofensas; esta sim, a verdadeira atitude de grandeza humana.

        E ideias errôneas como essa ocorrem em face de nossa condição de inferioridade espiritual, em que valorizamos e praticamos mais os erros e vícios do que o aprimoramento das virtudes, tão importantes e necessárias para uma coexistência em paz e harmonia. Por isso, certamente, mourejamos nesta vivência de adversidades e sofrimentos que caracterizam nosso estágio espiritual de expiação e provas.

        Sabendo que nada ocorre por acaso e que tudo decorre das leis divinas de causa e efeito, ação e reação; podemos entender que as origens de todos os males com que lidamos, procedem do nosso grau evolutivo espiritual, que determina nossos pensamentos e atitudes, individual e coletivamente. E a nossa realidade social diz bem do que, em geral, somos. Por isso, temos que conviver em meio a esse turbilhão de problemas em nossa interação social ao longo de nossa existência, enquanto não alcançarmos, por nossos próprios esforços, as condições que nos identifiquem como verdadeiros irmãos, tal como preconizou o divino mestre Jesus.

        Sendo oportuno citar, neste contexto, o que nos asseverou o eminente mestre Allan Kardec, que, como missionário divino, coligiu e difundiu o Espiritismo: “A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui–lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.”  –  (do livro “A Gênese”, capítulo 18, item 5.)

Devaldo Teixeira de Araújo.

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