Nossa Maior Tarefa

        Com os notáveis e divinos ensinamentos dos Espíritos Superiores, emissários celestiais da Boa Nova, se bem compreendidos aprendemos que a nossa existência, em nosso atual estágio evolutivo espiritual, é um grandioso processo de burilamento da alma, para o nosso aperfeiçoamento possível ao encontro final do guia e modelo Jesus, a que pode almejar a Humanidade, tal como consta na questão de número 625 do Livro dos Espíritos. Para tanto, é preciso sair da inércia improdutiva da mera contemplação a que muitos se prestam pensando agradar e demonstrar, de tal forma, como gesto de devotamento a Deus, não raro sob o automatismo inconsciente. E buscarmos, por todos os meios de que possamos dispor, por em prática as virtudes de acordo com o aprendizado divino, como a melhor maneira de afeiçoarmo-nos ao Pai Celestial.

        Isto é, adotando os exemplos do Divino Mestre Jesus, em nosso próprio círculo de convivência e interação com o próximo: compreendendo, perdoando, tolerando e procurando ajudar a todos os nossos irmãos, indistintamente, como a verdadeira expressão do amor em sua essência. O que é muito simples e fácil, em todos os momentos de nossa vida. Basta nos dispormos a isso, vivenciando a verdadeira caridade, com a doação de nós mesmos e do que somos, com nosso esforço e força de vontade. A exemplo do que nos ensinou Emmanuel: “… Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.” (do livro “Fonte Viva, c. 68/Chico Xavier).

        Portanto, não basta nos atermos apenas com as teorias e os conhecimentos adquiridos tão somente em exclusivo proveito próprio, para deleite intelectual e consequente demonstração de orgulho e vaidade, próprios do egoísmo. Somos todos, de alguma forma, emissários divinos, e temos o dever de compartilhar o potencial de nosso aprendizado com todos, a começar com a aplicação de nossas renovadas e corretas atitudes e gestos, visando o bem comum, até como exemplo, em toda a nossa existência. O que, ocorrendo em todos os níveis, do individual ao coletivo, em todas as áreas de atividades humanas, produzirá um bem incomensurável. E então, não mais o individualismo egoístico e avassalador que gera tantos problemas em todos os campos.

        Da mesma forma como todos nós temos a obrigação de lutar pelo nosso aprimoramento profissional e ascensão social, o que evidentemente sempre procuramos fazer, desde os primórdios da existência humana, em que se caracteriza o próprio desenvolvimento e o progresso da Humanidade, em todos os aspectos. Basta estudarmos a nossa História para comprovarmos isso e entendermos como algo natural e parte de nossa evolução; do contrário ainda estaríamos sob as hostes da era medieval, com seus maus e brutais costumes e as terríveis injustiças, caracterizadas pela Lei do mais forte. De modo que tudo obedece à divina lei de evolução, com as causas e os efeitos a que estamos incursos, inexoravelmente. E dispondo do livre arbítrio, como dádiva do Pai Celestial em sua infinita justiça e misericórdia para conosco, cabe-nos envidar todo esforço possível na trilha do bem. E não nos deixarmos induzir pelas ilusões mundanas que tanto males produzem, fazendo-nos estacionar na senda da evolução espiritual.

        E por sermos todos Espíritos imperfeitos, conquanto as grandes diferenças individuais e coletivas que podemos observar, em nosso atual estágio espiritual – de Expiação e Provas; temos que conviver em meio a ignorância e a maldade, ocasionando-nos muitos obstáculos que temos de superar, inclusive as nossas próprias limitações, pondo em prática, na medida do possível, a exortação contida na “Oração da Paz”, comumente atribuída a São Francisco e conhecida como sendo dele, a começar pela primeira frase: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.” Tal como asseverou o Divino Mestre: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João, 13:35.)

        Destarte, creio que a nossa maior tarefa ao longo de nossas existências, basicamente, é vivenciarmos o cristianismo primitivo, como exemplificou Jesus, consubstanciado na prática da caridade em interação com nossos semelhantes.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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