Compreensão da Existência de Deus

Lembro-me bem que desde a adolescência sempre estive preocupado com a gênese humana e a ideia de Deus. Cético, tinha em mente as dúvidas permanentes sobre a tríade existencial-espiritual: De onde? (viemos); por Por que? (aqui estamos) e Para onde? (vamos, após a morte – se subsistimos).

Limitado e focado em meus estudos, à época (adolescência e juventude), apenas sob os aspectos meramente cientificistas, filosóficos e literários, não encontrava uma resposta convincente e completa que satisfizesse as dúvidas e harmonizasse a mente, em minhas preocupações existenciais, por mais que lesse e estudasse, sob tal orientação intelectual.

E as dúvidas permaneciam latentes, em meio à vivência material, sem me dar conta, como hoje, da existência espiritual, em sua real abrangência e interação; por optar, então, por não refletir muito sobre tais questionamentos existencialistas, que levam ao espiritualismo; buscando tão somente a vivência e suas preocupações e ocupações imediatistas.

E a compreensão desta realidade só veio acontecer após os trinta e cinco anos de vida, quando comecei a ler e estudar a literatura espírita: inicialmente com os ensinamentos de André Luiz, em suas obras psicografadas por Chico Xavier; e depois, concomitantemente, com os esclarecimentos dos maravilhosos Espíritos Sábios, contidos na Codificação Espírita, em suas cinco obras básicas, compiladas e publicadas por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.

Por tudo isso, o que sou, como ainda estou, e a paz íntima conseguida, agradeço a Deus – inteligência cósmica, suprema, e causa primeira de tudo; e aos Espíritos Sábios – missionários divinos que nos proporcionaram tais conhecimentos, restaurando o Cristianismo primitivo, como Terceira Revelação e o consolador prometido pelo Divino Mestre Jesus. E isso, creio com convicção, só conseguimos entender e bem compreender, quando do despertar de nossa mente para a necessária transcendência da vivência meramente material para a reflexão da realidade existencial; claro, com a incessante busca da verdade, pela pesquisa aplicada, a leitura e o estudo objetivo e diligente das boas obras.

E a cada obra lida e estudada sempre encontramos esclarecimentos que aumentam os nossos conhecimentos acerca de nossa realidade existencial, facilitando a nossa compreensão dessa realidade; da nossa vida, de tudo o que nos envolve e com que, de algum modo, interagimos; seja no plano físico ou espiritual. O que nos dá mais tranquilidade e equilíbrio mental, emocional; contribuindo, deveras, para uma existência e interatividade social de melhor qualidade: em harmonia e paz interior. E, a partir desse estado emocional, sintonizamos os bons fluidos astrais, e os exteriorizamos, automaticamente, contribuindo para a paz e a harmonia coletiva.

Foi a forma consciente e racional, que busquei e encontrei, com a convicção espírita, para consecução do equilíbrio mental de que necessitamos para a paz interior – a paz de espírito; que nos leva ao estado de felicidade, ainda que relativa, de que nos tornarmos merecedores. Respeitando, claro, todas as formas de pensamentos e crenças, tal como pensei e escrevi em 2011: Todos os caminhos são válidos, quando a razão nos leva a Deus.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Nossa Maior Tarefa

        Com os notáveis e divinos ensinamentos dos Espíritos Superiores, emissários celestiais da Boa Nova, se bem compreendidos aprendemos que a nossa existência, em nosso atual estágio evolutivo espiritual, é um grandioso processo de burilamento da alma, para o nosso aperfeiçoamento possível ao encontro final do guia e modelo Jesus, a que pode almejar a Humanidade, tal como consta na questão de número 625 do Livro dos Espíritos. Para tanto, é preciso sair da inércia improdutiva da mera contemplação a que muitos se prestam pensando agradar e demonstrar, de tal forma, como gesto de devotamento a Deus, não raro sob o automatismo inconsciente. E buscarmos, por todos os meios de que possamos dispor, por em prática as virtudes de acordo com o aprendizado divino, como a melhor maneira de afeiçoarmo-nos ao Pai Celestial.

        Isto é, adotando os exemplos do Divino Mestre Jesus, em nosso próprio círculo de convivência e interação com o próximo: compreendendo, perdoando, tolerando e procurando ajudar a todos os nossos irmãos, indistintamente, como a verdadeira expressão do amor em sua essência. O que é muito simples e fácil, em todos os momentos de nossa vida. Basta nos dispormos a isso, vivenciando a verdadeira caridade, com a doação de nós mesmos e do que somos, com nosso esforço e força de vontade. A exemplo do que nos ensinou Emmanuel: “… Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.” (do livro “Fonte Viva, c. 68/Chico Xavier).

        Portanto, não basta nos atermos apenas com as teorias e os conhecimentos adquiridos tão somente em exclusivo proveito próprio, para deleite intelectual e consequente demonstração de orgulho e vaidade, próprios do egoísmo. Somos todos, de alguma forma, emissários divinos, e temos o dever de compartilhar o potencial de nosso aprendizado com todos, a começar com a aplicação de nossas renovadas e corretas atitudes e gestos, visando o bem comum, até como exemplo, em toda a nossa existência. O que, ocorrendo em todos os níveis, do individual ao coletivo, em todas as áreas de atividades humanas, produzirá um bem incomensurável. E então, não mais o individualismo egoístico e avassalador que gera tantos problemas em todos os campos.

        Da mesma forma como todos nós temos a obrigação de lutar pelo nosso aprimoramento profissional e ascensão social, o que evidentemente sempre procuramos fazer, desde os primórdios da existência humana, em que se caracteriza o próprio desenvolvimento e o progresso da Humanidade, em todos os aspectos. Basta estudarmos a nossa História para comprovarmos isso e entendermos como algo natural e parte de nossa evolução; do contrário ainda estaríamos sob as hostes da era medieval, com seus maus e brutais costumes e as terríveis injustiças, caracterizadas pela Lei do mais forte. De modo que tudo obedece à divina lei de evolução, com as causas e os efeitos a que estamos incursos, inexoravelmente. E dispondo do livre arbítrio, como dádiva do Pai Celestial em sua infinita justiça e misericórdia para conosco, cabe-nos envidar todo esforço possível na trilha do bem. E não nos deixarmos induzir pelas ilusões mundanas que tanto males produzem, fazendo-nos estacionar na senda da evolução espiritual.

        E por sermos todos Espíritos imperfeitos, conquanto as grandes diferenças individuais e coletivas que podemos observar, em nosso atual estágio espiritual – de Expiação e Provas; temos que conviver em meio a ignorância e a maldade, ocasionando-nos muitos obstáculos que temos de superar, inclusive as nossas próprias limitações, pondo em prática, na medida do possível, a exortação contida na “Oração da Paz”, comumente atribuída a São Francisco e conhecida como sendo dele, a começar pela primeira frase: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.” Tal como asseverou o Divino Mestre: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João, 13:35.)

        Destarte, creio que a nossa maior tarefa ao longo de nossas existências, basicamente, é vivenciarmos o cristianismo primitivo, como exemplificou Jesus, consubstanciado na prática da caridade em interação com nossos semelhantes.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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