Expiações e Resgate – Uma Visão Espiritual

Reflito sobre uma dúvida que me foi apresentada por uma pessoa amiga, a respeito de um fato violento ocorrido com uma criança, na Síria, que teve a cabeça atingida pelo disparo de uma arma; de que ela tomou conhecimento, e que a deixou deveras comovida e refletindo sobre por que tudo isso acontece com uma criança inocente, e o que pensar sob a ótica espiritual… Acredito que já tenha tratado de assunto correlativo, que poderiam muito bem aclarar tal dúvida pensativa, em outros textos anteriormente publicados, quais sejam – “O sofrimento educa”- (07.07.2014) e também “Débitos do Pretérito Espiritual”- (31.08.2015); todavia, acerca desse fato de que a mesma tem dúvida, assim argumentei, tentando fazer-me entender:

O violento e lastimável acontecimento que dizimou a vida física de uma simples e inocente criança, tal como relatado, conquanto mereça a natural comoção ante tal estado de insanidade de quem o produziu, além, claro, de toda a atenção e ação coerciva e pacificadora por parte dos poderes constituídos pertinentes, locais, e até mesmo internacionais, que devem atuar eficaz e prontamente; sob o aspecto espiritual, consoante os sábios ensinamentos dos Espíritos elevados nos fazem entender de forma inteligível, percebe-se que tal inconcebível infortúnio origina-se do passado espiritual desditoso de todos os envolvidos, em que a vítima de hoje, outrora fora algoz em outra existência: eis a lógica dos processos das essenciais reencarnações, em que, pela infinita justiça divina, temos a oportunidade de corrigir ou resgatar erros passados em nova vida ou reencarnação. Como também aplica-se o mesmo princípio, com as devidas proporções, aos familiares e afins, que muito sofrem em tais circunstâncias. Tudo de conformidade com as divinas Leis de Causa e Efeito a que estamos subordinados. E disso temos idôneas comprovações, por meio de depoimentos de espíritos desencarnados nessas situações, quando conscientes dessa realidade, por intermédio dos trabalhos psicográficos e psicofônicos de médiuns idôneos, em que relatam tudo com resignação e sentimentos de compreensão e perdão. E sempre rogam os mesmos bons sentimentos por parte dos seus familiares, que geralmente nesses momentos se sentem comovidos e revoltados.  De modo que, indubitavelmente, nada acontece por acaso, sob os desígnios divinos.

E creio que tais argumentos respondem aos questionamentos sobre a justiça divina, que se manifesta, assim, em sua infinita bondade e misericórdia. Proporcionando a cada um, segundo as suas obras ou o seu merecimento, sem que nenhum de nós possa estar isento dessas leis, e que somos, por tudo isso, responsáveis pelo nosso próprio destino: se ditoso – quando pelo esforço e força de vontade nos conduzimos, pensando e agindo de modo virtuoso, em consonância com os divinos princípios do amor a Deus sobre todas as coisas e aos semelhantes como a nós mesmos; ou desditoso – quando nos conduzimos, pensando e agindo ao contrário, em que nos envolvemos com os desvirtuamentos materiais e mundanos, que levam à ambição, ao orgulho e à vaidade, próprios do egoísmo de que muito temos visto e sentido.

Considerando também, que as adversidades ou mesmo os sofrimentos, quando naturalmente, em interatividade com a Natureza em suas leis, assim como com os irmãos de jornada, fazem parte do nosso necessário aprendizado nesta romagem terrena que vivenciamos, pelo próprio estado evolutivo em que nos situamos em seu grau de imperfeição, individual e coletivamente. O que redunda em nosso próprio benéfico, quando bem suportado, convenientemente assimilado e aplicado; para a nossa evolução moral – espiritual rumo ao aperfeiçoamento desejado, ainda que relativo, a que estamos submetidos pelos desígnios divinos.

Valendo inserir, nesse contexto, o que disse o Espírito Lacordaire (Havre, 1863): “… Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: ‘Fui o mais forte’. … Bem aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão  à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra. …” (extraído do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”- Allan Kardec; c. V, item 18).

Devaldo Teixeira de Araújo

https://blogdoteixeira.com/  #  devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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