Débitos do Pretérito Espiritual

Reflito agora sobre os questionamentos que ouço daqueles que, por desconhecerem a realidade espiritual, sempre presente em nossas vidas, dizem não entender por que algumas pessoas mesmo sendo consideradas de boa índole, de respeitável comportamento e tudo mais que a sociedade em geral qualifica como cidadão ou cidadã de bem, alguns até conhecidos por praticarem o bem e a caridade, e mesmo assim enfrentam problemas sérios, dificuldades de toda sorte, inclusive limitações ou incapacidades congênitas, sem aparente motivação que justifique isso, nesta vida… Então, indagam onde estaria a justiça divina? …

E aí é, justamente, onde encontramos a racional explicação que nos fazem compreender a lógica da preexistência do espírito em relação à atual existência e sua sobrevivência após a morte do corpo físico, bem como as sucessivas reencarnações, necessárias para o aprimoramento espiritual, até que a sua condição evolutiva de grau mais elevado o isente dessa necessidade reencarnatória; de acordo com o que preconiza o Espiritismo, em seu tríplice aspecto: filosófico, religioso e científico, conforme explicitei no primeiro texto publicado em 2013 – CONVICÇÃO ESPÍRITA.

E, neste contexto, encontramos no “Livro dos Espíritos” os seguintes esclarecimentos, dados pelos Espíritos Superiores e coligidos por Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, à pergunta 171: “Em que se funda o dogma da reencarnação? Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem remissão.” … E segue-se uma extensa Nota Explicativa, bastante elucidativa, dada pelo codificador.

Assim, entendamos que se em determinada existência, uma pessoa, usando mal seu livre arbítrio e contrariando as leis da natureza, abusa de sua condição em prejuízo dessas leis, de algo ou de seu semelhante, em sua interação sociológica, e desse modo, descumpre suas obrigações como criatura divina, contidas em sua consciência, como amar a Deus e aos seus semelhantes, deixando de aprimorar-se espiritualmente – razão pela qual aqui se encontra. Portanto, cometendo erros e delitos, tudo fica registrado em sua consciência espiritual e em seu perispírito, indelevelmente, de acordo com os abusos cometidos contra sua própria estrutura fisiológica ou psíquica. Daí, em mais uma oportunidade para corrigenda, novamente reencarna em outra existência, com a carga deletéria, física e/ou emocional, que repercute em sua nova estrutura psicossomática, advindo os problemas de toda sorte, oriundos do pretérito, como as dores e sua patologia, as limitações e deficiências, inclusive as tendências comportamentais e a luta para as superações. Fazendo-se necessário tantas reencarnações quanto seja preciso, até o aprimoramento que se dará, de conformidade com o esforço e a boa vontade de cada um, em mais ou menos tempo e sofrimentos ou provações, inevitavelmente, por ser eterno o Espírito.

Eis, então, a justiça divina se cumprindo, pela infinita bondade e misericórdia do Pai Supremo, a despeito da incompreensão de tantos e da resistência ao próprio bem, que caracterizam a imperfeição humana. Mesmo assim, o Divino Mestre nos assegurou: “… Nenhuma ovelha do rebanho que o Pai me confiou se perderá. …”  O que deixa bem claro a razão dos problemas e dificuldades que enfrentamos; principalmente quando da atual condição de bons procedimentos de muitos, que, considerando apenas esta existência, não se justificaria os circunstantes padecimentos.  Como também podemos refletir tais circunstâncias, por analogia com a nossa vida prática de interação social, quando exigimos a punição como justa reparação ao delito cometido por alguém.

Consideremos tudo isso, e tenhamos a convicção de que consoante as divinas leis de causa e efeito, nada acontece por acaso. E que conservemos a devida paciência e tolerância para com tudo e todos, como credores que nos requisitam reparação, e, resignadamente, busquemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a nos mesmos, para que, somente assim, alcancemos a real e verdadeira felicidade: a paz de espírito.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A Força Divina do Amor

Afirma Emmanuel que o amor é a força divina do Universo, nos levando a refletir sobre o cuidado que devemos ter em não desviarmos essa força da sua conveniente e justa aplicação, que é voltada para a fraternidade e a caridade. Uma vez que o seu desvio é o que anuvia o discernimento, afastando-nos do entendimento da nossa realidade espiritual, que nos assegura como espíritos eternos e nos leva ao auto-aperfeiçoamento, nos aproximando do Pai Supremo, como tão bem nos ensinou e exemplificou o Divino Mestre Jesus.

E nos esclarece que o desvio dessa magnífica força para o exclusivo aspecto material, é o que nos leva aos desvarios de toda sorte;  como a avareza – quando do apego excessivo aos valores financeiros do dinheiro e dos bens perecíveis;  o egoísmo – representado pelo desejo de posse, sempre cada vez mais intenso e exclusivista;  o que certamente induz à tormenta pela exacerbada disputa em desrespeito ao próximo – que traduz a inveja; assim como tantos outros males como o orgulho e a vaidade, que representam as chagas da Humanidade. Por isso mesmo, pensei  e escrevi certa feita (2004), como aforismo:  “Na raiz de todos os nossos males encontramos a obscuridade do egoísmo; enquanto em todas as realizações dignificantes encontramos a luz do amor”.

Da mesma forma como observamos os encontros e desencontros entre os pares ou casais que se buscam e dizem se amar, como centelhas do amor divino, quando alicerçados no discernimento, na compreensão, na sinceridade e no sentimento de afeição mútua e afinidades, que, assim, aliados à paixão humana natural, tendem a tornar-se uma união duradoura e feliz.  Enquanto podemos perceber que, por outro lado, muito acontecem as arrebatadoras paixões sem o necessário discernimento, sem a verdadeira afeição mútua e afinidades, impelidas assim, quase sempre, por meros desejos muito mais ligados à sensualidade do que à afeição, ainda que inconscientes, quando não por interesses escusos;  terminando então em posteriores desilusões e desencontros, de tristes conseqüências, que geram tanta infelicidade.

Considerando ainda a nossa condição de espíritos eternos, com nossos delitos do passado, de alguma forma registrados e latentes em nosso perispírito, ou como queiram denominar de inconsciente profundo; erros que quando mais marcantes, não ocultos, manifestam-se em nossas tendências comportamentais. E tais delitos geram, sob a ótica espírita, ‘débitos’ espirituais que exigem a devida correção ou reparação, impelindo o ser ‘devedor’ à corrigendas tal como nos exortou o grandioso filósofo francês, estudioso e divulgador do Espiritismo – Léon Denis: “Recorda-te que a vida é curta; esforça-te, pois, por conquistar, aquilo que vieste aqui realizar: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa teu espírito partir desta Terra mais puro do que quando nela entrou! Pensa que a Terra é um campo de batalha, onde a matéria e os sentidos assediam continuamente a alma; corrige teus defeitos, modifica teu caráter, reforça a tua vontade; eleva-te pelo pensamento, acima das vulgaridades da Terra e contempla o espetáculo luminoso do céu.” (do seu livro “Depois da Morte”).

Por isso, é essencial que em toda nossa existência tenhamos o imprescindível discernimento e a constante reflexão em torno do nosso pensar e agir, porquanto não basta o desenvolvimento científico, tecnológico e social, nem apenas o conhecimento e a cultura intelectual, como imperativos da vida e das convenções humanas; é preciso o aprimoramento espiritual, sobretudo, consoante os sábios ensinamentos dos Espíritos Iluminados, como missionários divinos, sempre a nos inspirar, esclarecer e indicar o caminho e os procedimentos fundados nos valores espirituais, que edificará a nossa consciência elevando-nos à sublime condição de espíritos eternos, como uma família universal, a caminho da plenitude do amor, e assim, sob os ideais do Cristianismo, irradiemos de nossas almas a verdadeira fraternidade para que a paz e a harmonia se estabeleça em todos e em tudo.

Repetindo o que pensei e escrevi noutro ensejo, reafirmo:  O Amor, em sua verdadeira essência, é o que dá sentido à vida. E há de prevalecer em todas as situações, o que efetivamente contribui para consolidação das amizades, em quaisquer circunstâncias, na Terra como na Dimensão Espiritual.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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Estejamos Atentos

Refletindo com os maravilhosos ensinamentos do Divino Mestre, tão bem explicitados e relembrados pelo Espiritismo, por esquecidos e até desvirtuados; cumprindo-se o que disse o próprio Jesus, conforme o Evangelho de João –  cap. XIV: vers. 15 a 17 e 26; penso em nossa condição de criaturas divinas, assim formando uma família universal, cósmica, e não somente a carnal.  O que nos leva a meditar sobre a nossa grande responsabilidade para com o Pai Celestial, com todos os nossos irmãos, a natureza, enfim, com tudo ao nosso redor em que interagimos e vivenciamos para o nosso aprimoramento moral – espiritual… E logo me vem à mente o sentimento de gratidão por tudo de bom que nos tem acontecido, apesar de nossos erros e imperfeições do passado e também do presente; pela infinita misericórdia divina e a ajuda dos Espíritos iluminados sempre a nos instruir, amparar e inspirar, em nosso benefício.

    Inclusive podemos perceber isso, nestes momentos de paz, serenidade e inspiração, em que podemos compartilhar reflexões espiritualistas com todos os irmãos de jornada terrena, de nosso convívio intersocial, em que interagimos e meditamos, para o nosso próprio aprimoramento individual e coletivo.  E muito temos que estudar e aprender em todos os aspectos, sobretudo no âmbito espiritual, descortinando o cristianismo primitivo, redescobrindo novos horizontes e concluir que somos Espíritos eternos, com o amparo divino do Pai Supremo, em todas as circunstâncias em que nos situamos e em todas as posições da vida, sob o influxo dos bons Espíritos, sobretudo dos nossos Espíritos protetores a que denominamos tradicionalmente de Anjos de Guarda.

    E assim, ainda que não percebamos, ou mesmo nem acreditemos, somos deveras influenciados, em todos os aspectos, de acordo com a nossa sintonia mental-espiritual, dependendo de cada um de nós se para o bem ou para o mal, naturalmente; sem que isso possa nos eximir de nossa responsabilidade para com nossos pensamentos e atitudes. Porquanto toda influência espiritual, desde a simples idealização, inspiração, até as influenciações obsessivas de toda forma; dependem da sintonização na mesma vibração mental, em reciprocidade, para que se materializem os efeitos simples ou sintomáticos.  

    Julgo oportuno lembrar, nesse contexto, os esclarecimentos dados pelos Espíritos superiores, sabiamente, à seguinte pergunta (459) de Allan Kardec: Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? Em resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.” (do “Livro dos Espíritos”, c. IX – Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal – p. 456 a 557).  O que demonstra uma realidade que muitos desconhecem e, por isso, não têm o devido cuidado para com os pensamentos, as palavras e as atitudes, estagnando na senda da evolução a que somos destinados, descumprindo o que recomendou o Mestre Jesus: “… Vigiai e orai …” (Mateus, 26 : 40-41 e Lucas, 22 : 46 ).

    Portanto, preciso é que estejamos sempre atentos, pensando, idealizando e agindo sob o influxo do bem, alicerçados na fé racional, com bom senso e religiosidade, exercitando o amor a Deus sobre tudo e ao próximo como tão bem nos foi ensinado e exemplificado, a fim de que não estacionemos no rumo da eternidade de paz e harmonia a que estamos destinados; perdidos nas teias das ilusões transitórias humanas de toda sorte, em que podemos nos envolver em meio ao turbilhão de sugestões inferiores sob as tentações da concupiscência, do orgulho e da vaidade, entre outras, oriundas de nossa individualidade do passado, de difícil erradicação, mas, que temos de corrigir com esforço e força de vontade.  

    Assim, sejamos conscientes de nossa realidade, como nos alertou Emmanuel: “… Não te proponhas desse modo, atravessar o mundo sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combate, dedicadamente, qual o lavrador que sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes. …” (do livro “Fonte Viva”, c. 110 – Chico Xavier).

Devaldo Teixeira de Araújo.

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