Modo de Sentir e de Viver

Em texto reflexivo anterior referi-me à expressão popular ‘modo de sentir e jeito de viver’, em que assim fiz alusão considerando a exteriorização de nossas idéias e ideais de vida, ou princípios filosóficos que adotamos e vivenciamos na prática, padronizando nosso comportamento e nos caracterizando dentro do contexto psicossocial em que interagimos de algum modo. E estendo esta reflexão buscando a compreensão da razão porque assim pensamos e nos comportamos. Lembrando o que pensei e escrevi certa feita, como aforismo: “Nós realmente somos o que pensamos, idealizamos, e nem sempre o que dizemos, aparentamos.”… O que podemos observar facilmente vivenciando a nossa realidade interativa social.

E percebemos que ao longo dos séculos houve mudanças substanciais, claro, sobretudo nos aspectos científicos e tecnológicos, com inegáveis benefícios para toda humanidade, em que, por exemplo, os recursos disponíveis têm facilitado sobremaneira a vida de todos. Inclusive, como sabemos, aumentando a expectativa de vida em geral. O que significa grandes avanços e o progresso esperado com a evolução natural e inevitável. Contudo, no aspecto moral-espiritual, ainda muito falta para alcançarmos o mesmo progresso, e assim a paz e harmonia tão desejadas; que só se dará com a real aplicação da verdadeira fraternidade entre todos os seres, evidenciando a lei de amor, tão bem ensinada e exemplificada pelo Divino Mestre Jesus.

E tudo porque ainda permanecemos arraigados a processos mentais e culturais egoísticos, mais próximos da animalidade que da racionalidade. Daí, o uso da inteligência, de todas as formas, em benefício próprio, egoisticamente, quando deveria ser o contrário, sobretudo por quem se encontra de posse temporal do poder sobre a coletividade, por exemplo, como oportunidade de pensar e agir em benefício de todos e o fazem de forma diametralmente oposta. Por isso, tanta desigualdade no mundo, tanta miséria, tanto sofrimento… Conquanto as sociedades mais educadas, de um modo geral, tenham abolido a escravidão dos semelhantes e a crueldade generalizada como era comum outrora, modificando, sistematicamente, a lei da força pela força da lei.

Por isso, a rigor, pouco mudamos quanto ao nosso ‘modo de sentir e jeito de viver’, ao longo do tempo. Assim, do ponto de vista individual em geral, se analisarmos profundamente nossos mais íntimos anseios; veremos que se pudéssemos, ainda estaríamos escolhendo o(a) pretendente para o nossa filha ou filho, como há séculos passados em determinadas classes sociais; ou mesmo escolhendo a melhor profissão para eles com a nossa pretensa sabedoria por mera experiência, assim como os variados ‘encaminhamentos’ para a vida de que, não raro, nos achamos mestres. E que poderíamos até considerar como ‘força de hábitos’ em seu atavismo predominante. O que não exclui, de modo algum, o nosso dever de educar e orientar, convenientemente, em seu devido tempo e com o imprescindível diálogo, como pais responsáveis que devemos ser e missão de que não podemos abdicar.

Da mesma forma como podemos observar que a cultura do poder, predominantemente dominadora, de interesses pessoais e de classes, ainda perdura, influenciando toda sociedade, suas leis e seus costumes; em que percebemos, em todo o mundo, os flagrantes desrespeitos aos direitos igualitários, fraternos; como deveria ser por dever de justiça. E poderia continuar a enumerar muitos outros flagrantes desrespeitos aos semelhantes e às leis da natureza, evidenciando ainda o predomínio do egoísmo e do desamor em nossa sociedade, apesar das lições, dos exemplos e das recomendações, que há dois mil anos foram dadas e vêm sendo amplamente difundidas.

Destarte, meditemos como bem nos disse Emmanuel “… Antes do Cristo, milhares de homens e mulheres morreram na cruz, entretanto, o madeiro do Mestre converteu-se em luz inextinguível pela qualidade de sentimento com que o crucificado se entregou ao sacrifício, influenciando a maneira de sentir das nações e dos séculos.

     Jesus veio até nós a fim de ensinar-nos, acima de tudo, que o Amor é o caminho para a Vida Abundante.” (do livro “Fonte Viva/Chico Xavier, c. 67).

Devaldo Teixeira de Araújo.

https://blogdoteixeira.com/ #   devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Reforma Íntima

Lendo e relendo obras espíritas, como sempre faço e creio que devemos fazer para nos instruir ocupando o nosso tempo de modo útil e educativo; e desse modo, estudando com as lições do extraordinário Emmanuel, por intermédio da psicografia do inesquecível Chico Xavier, reflito sobre a necessidade de buscarmos a nossa renovação íntima, moral-espiritual, a todo instante, sobretudo com relação ao nosso pensar e proceder, para o nosso imprescindível aprimoramento que não devemos postergar sob pena de incorrermos em erros mais ou menos graves que podem resultar em problemas de variadas naturezas e de iguais intensidades. O que é fácil de presumir ou imaginar, de acordo com o que fazemos ou fizermos.

E podemos facilmente perceber isso quanto ao aspecto da interação social, quando vemos pessoas que se dizem interessadas em mudar de atitudes, como, por exemplo, iniciar uma dieta, um estudo específico, ou mesmo deixar os vícios em que se envolveram como fumar e ingerir bebidas industrializadas, principalmente alcoólicas, e comumente ficam a prometer e adiar, invariavelmente… Como se não tivessem capacidade de fazê-lo, o que reflete uma inverdade, uma vez que todos nós somos capazes e temos plenas condições de pensar e agir como e quando assim quisermos e decidirmos. O que nos falta é a boa vontade, a força interior de querer e fazer, de que todos nós somos dotados, naturalmente. Basta o esforço em aplicá-la com convicta decisão e ação.

Por isso, é importante lembrar e ressaltar, nesse contexto, o tempo perdido ante a realidade que vivenciamos, quer tenhamos consciência disso ou não, implacavelmente. Quando, meditando bem, com os estudos supramencionados, sabemos das transformações espirituais coletivas que se processam em nosso Plano Terrestre, de que já tratei em texto anterior (EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE – TRANSIÇÃO PLANETÁRIA ), e que nos impulsiona justamente para as imprescindíveis transformações de que precisamos para alcançar os patamares condizentes com o novo plano que já se processa e que urge nos conscientizarmos disso, para o nosso próprio bem.

E os Espíritos Iluminados, com sua notória e eterna sapiência, nos informam que a partir do início do Século XXI, adentrando o Terceiro Milênio, já se processam as preparações para o novo Plano Espiritual e que por isso, desde o ano 2001 já estão reencarnando em nosso Planeta, Espíritos com a missão de ajudar o progresso da Humanidade em todas as áreas, sobretudo no aspecto espiritual. Como também, sob essas mesmas condições, os espíritos obstinados no mal, que não empregaram ou não estão utilizando sua última reencarnação aqui para se renovarem no bem, reincidentes e contumazes na maldade; ao desencarnarem, aqui não mais poderão permanecer, sendo, então, atraídos para outros planos condizentes com o estado de imperfeição espiritual de cada um, o que já está acontecendo; efetuando-se, de certo modo, uma triagem seletiva, para a renovação coletiva adequada ao “Plano de Regeneração” porvindouro.

Eis um alerta que não devemos ignorar, em virtude da gravidade que representa sob a ótica espiritual, que é a nossa realidade afinal, e envidar todos os esforços possíveis para o nosso aperfeiçoamento moral-espiritual, cumprindo nossos deveres à face das Leis Eternas, divinas e imutáveis, a fim de nos tornarmos invulneráveis sob a égide da fé edificada na razão e no bom senso. E não ficarmos retidos nas ilusões da vida material, seus gozos e efeitos, como se fora única e definitiva, e não efêmera e ilusória como realmente é, em vista da nossa condição de espíritos eternos. O que consiste a nossa vida atual apenas como uma importante jornada terrestre em meio à imensidão cósmica.

Reflitamos bem e estejamos atentos aos ensinamentos divinos, tal como nos disse Emmanuel: “… A Terra tem a sua missão e a sua grandeza; libertemo-nos do mal que opera em nós próprios e receber-lhe-emos o amparo sublime, convertendo-nos junto dela em agentes vivos do Abençoado Reino de Deus.” (do livro “Fonte Viva, c. 162 / Chico Xavier).

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]