Espiritismo e Espiritualismo

Ante os equívocos demonstrados por algumas pessoas com relação a interpretações sobre algumas práticas, idéias, palavras ou observações ditas como espíritas; reflito sobre as reais diferenças entre os vocábulos com que intitulo o presente trabalho, procurando demonstrar o que seja a autêntica acepção desses termos, em seu verdadeiro sentido, caracterizando sua etimologia, e as interpretações dadas por muitos.  A exemplo do que encontramos no dicionário de português online – Michaelis, sobre o significado de ‘espiritismo’, em que, ao final cita, como explicação opcional: “… Baixo espiritismo: práticas do espiritismo com fins de feitiçaria.” (sic). O que, a rigor, não se coaduna com a realidade da Doutrina Espírita ou Espiritismo, conforme tento fazer-me entender a seguir, o que caracteriza a citada explicação como imprópria.

É preciso ficar bem claro que os fenômenos espirituais e, portanto, mediúnicos, sobre-humanos, refletidos nas práticas rituais de muitos cultos religiosos, sobretudo de origem afro-brasileira, sempre existiram desde os primórdios, muito antes da Codificação Espírita, em todas as épocas da humanidade que, desconhecendo toda fenomenologia da Natureza, atribuía os fenômenos ignorados à ação dos deuses e semideuses assim denominados e representados por figurações, e posteriormente considerado como milagres, o que perdura até hoje para o entendimento de muitos, apesar de todo avanço científico em todas as áreas, bem como dos ensinamentos dados a respeito, com o advento da 3ª Revelação – o Espiritismo.

Daí, os termos espiritualismo, espiritual e outros afins, dizem respeito a espírito ou como queiram denominar, comuns a todas as religiões e doutrinas opostas ao materialismo, como generalidade.  Enquanto Espiritismo, Espírita ou Espiritista, desenvolveram-se somente a partir de 1857, com os ensinamentos dos Espíritos superiores, sob a égide do Espírito Verdade, como a 3ª Revelação espiritual ou o consolador prometido de que trata o Evangelho de João – (14: 16, 17 e 26); assinalados então pelo autêntico Espiritismo codificado por Allan Kardec, com a edição das obras: O Livro dos Espíritos – 1857;  O Livro dos Médiuns – 1861;  O Evangelho Segundo o Espiritismo – 1864;  O Céu e o Inferno – 1865 e A Gênese – 1868; assim como a “Revista Espírita”- edições de 1858 a 1869; e muitas outras obras baseadas na codificação espírita, de diversos autores; além dos ensinamentos de diversas maneiras, que tão bem nos esclarecem a respeito da realidade espírita, até os dias atuais.

E sabemos que a mediunidade, de todas as formas, é inerente ao ser humano, como espírito encarnado, tal sua natureza interligada ao mundo espiritual, que a ele retorna após a morte (do corpo) ou desencarnação (tal como devemos entender), independente de religião e até mesmo de crença ou não desta realidade. Todos nós temos estes princípios, principalmente a sensibilidade espiritual, que geralmente não desenvolvemos nem estudamos bem para compreender; enquanto alguns a demonstram espontaneamente, em maior grau e de vários modos, denominados por isso de Médiuns. E podemos perceber essa sensibilidade nos breves, mas reveladores instantes em que sentimos um arrepio como reação involuntária a um pensamento ou observação transcendente; ou mesmo quando temos a impressão de ‘ver’ um vulto que parece deslocar-se em algum lugar próximo, geralmente provocando o citado arrepio, e tantas outras motivações ou fenômenos que, não raro, damos outras conotações.

Assim, faz-se necessário salientar que o Espiritismo, que não admite rituais estranhos para seu exercício, em sua essência tal como nos esclarecem os Espíritos superiores, codificado e divulgado pelo mestre lionês Allan Kardec, em seus aspectos – filosófico, científico e religioso; fundamenta-se no Evangelho de Jesus, restaurando o cristianismo de interpretações e práticas alheias, objetivando a pedagogia do Espírito, para a renovação e o aperfeiçoamento moral e espiritual da humanidade; conquanto o absoluto e devido respeito à diversidade humana expressa em todas as formas de pensamentos e crenças. Tal como afirmou, com muita clareza, o Espírito de Verdade, no prefácio do Evangelho Segundo o Espiritismo: “… Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos. …”

Devaldo Teixeira de Araújo

https://blogdoteixeira.com/devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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