Homossexualismo e Homoafetividade

Suscitado por um questionamento de uma pessoa amiga, reflito agora sobre este tema bastante controverso e atualmente muito discutido em nossa sociedade, em que muitos desejam saber os variados pontos de vista a respeito.  Acredito que na busca de informações ou esclarecimentos que sirvam de embasamento para consolidar o  entendimento do assunto para suas próprias opiniões, a fim de que sejam bem fundamentadas, talvez…  O que demonstra a complexidade do assunto e a insegurança nossa em lidar com tudo isso, para sermos justos, coerentes e, como se diz sob outra visão muito em voga: a de ‘politicamente corretos’.

Neste, como em todos os casos em que temos de formular pensamentos, idéias, emitir opiniões, e até mesmo tomar atitudes coerentes, é preciso muita reflexão e bom senso, o que nos remete, como cristãos, aos valiosos e esclarecedores ensinamentos do Divino Mestre, quando nos alertou: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós.  (Mateus, VII: 1-2).

Portanto, difícil definir o que seja realmente, no contexto da homossexualidade, se mera opção de livre arbítrio pessoal, desvio de comportamento, desequilíbrio, erro ou até pecado na visão religiosa tradicional conservadora. Sobretudo se levarmos em conta o que se propaga por meio da mídia e sua grande influência social, em que se percebe a exacerbada tendência de considerar tal aspecto como uma atitude pessoal, a que consideram orientação, preferência ou opção – sexual; como de direito legal, muito mais que se justa ou correta; sem antes de tudo, uma ampla reflexão, com o devido estudo sob todos os ângulos que o questionamento exige, por sua própria complexidade, onde impere sempre a razão e o bom senso.

Para tanto, faz-se necessário um estudo objetivo e sério, desprovido de idéias preconcebidas e de modo algum o preconceito, buscando-se o imparcial equilíbrio possível, sem, contudo deixar de considerar o que pensam e esclarecem os Espíritos superiores em sua eterna sapiência; os grandes pensadores e estudiosos do psiquismo humano; como também a própria realidade observada na Natureza divina, por si incontestável, em suas inequívocas lições de vida, imprescindíveis em nossa interação e entendimento.  Por isso, alongo-me nesta argumentação.

E Manoel Philomeno de Miranda, aprofundando o entendimento na dimensão espiritual, nos esclarece: “O sexo não foi elaborado para o prazer vulgar, senão para as emoções superiores na construção das vidas, ou para as sensações compensativas quando amparado pelas dúlcidas vibrações do amor, mantendo a afetividade e a alegria de viver.” … “Reflexionar e agir de maneira correta em relação às funções sexuais é dever de todo ser que pensa e que compreende a finalidade da existência humana. …” (do livro “Sexo e Obsessão”- Divaldo P. Franco)

Há que se distinguir o que diz respeito aos costumes, à cultura e às leis humanas; e o que pensar sob a ótica espiritual, sobretudo à luz do Espiritismo. Quando sabemos que as leis e os costumes dos povos mudam de acordo com o tempo e os avanços sociais em geral, adaptando-se convenientemente à sociedade e seu progresso. Enquanto as leis divinas, da natureza, são imutáveis. E nós, individual e coletivamente, se quisermos ser felizes, vivenciando a paz e a harmonia, é que devemos respeitá-las e adaptarmos nossos hábitos e atitudes a elas, primeiramente, como nos demonstrou e ensinou Jesus: amando a Deus sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes como a nós mesmos. Basicamente, é o que deve nortear nossos pensamentos, idéias e atitudes, como verdadeiros cristãos.

Sem adentrar no mérito da questão sobre o ordenamento judicial, que trata do assunto apenas sob o ponto de vista jurídico, com suas leis e convenções, incluindo os contratos sociais entre duas pessoas que decidam viver juntas e não somente entre casais, obedecendo a todas as formalidades legais, o que se considera um avanço social, inclusive no que concerne a bens adquiridos em comum, pensão, herança, etc., como direitos e deveres comuns a todos, de acordo com as leis pertinentes. Sob tal perspectiva acredito que seja um direito de todos os cidadãos e cidadãs, que assim devem se respeitados. O que representa um critério legal que envolve a cidadania em toda sua abrangência, e que implica em uma aliança ou associação comum e formal, independente de qualquer conotação e opinião pessoal que se queira dar a respeito.

E conforme informação publicada no site – “Significados.com. br”, – “… a relação entre homossexuais ganhou um novo vocábulo, criado pela desembargadora e jurista Maria Berenice Dias, que defende que o afeto é o fator mais relevante na atração que uma pessoa sente pelo mesmo sexo. Segundo a Desembargadora, a homoafetividade vai além da relação sexual, é um vínculo criado pela afetividade, pelo carinho e pelo desejo de estar com o outro em uma convivência harmônica.” (sic).

Considerando o assunto em tela sob a ótica religiosa ou espiritualista que abrange todas as religiões tradicionais conhecidas, como também em relação aos princípios morais e filosóficos adotados por muitos; as opiniões são variadas e até divergentes, como sabemos pelos meios de comunicação, notoriamente ávidos por divulgações que geram sensacionalismos, e com isso maior audiência, sobretudo envolvendo assuntos polêmicos em voga. Sempre ocasionando pronunciamentos controversos a respeito, gerando, inclusive, debates e alguns processos judiciais quando assim considerados sob a conotação da homofobia, de que tanto se tem tratado.

E desse modo, ainda que o homossexualismo seja julgado um atributo dito e tido como pecaminoso sob a ótica da ortodoxia tradicional conservadora preconizada por alguns, como o termo indica; sem que tenhamos o direito de condenar ou ‘atirar pedras’: diz respeito à própria consciência de cada ser envolvido, que assim considerando-se, responderá por isso, inevitavelmente;

Sem dúvida, o sexo e todas as suas atribuições ingênitas ao ser humano, que incluem o prazer legitimado pelo amor e a reprodução; também se encontra presente em todas as espécies vivas da Natureza – vegetal e animal propriamente ditas, estas últimas, claro, apenas para a perpetuação de sua espécie, sem a característica hominal da consciência e do livre-arbítrio, que envolve a conseqüente responsabilidade para com seus atos. O que demonstra a sapiência divina oriunda de uma inteligência suprema, que a tudo provê das naturais aptidões e atribuições próprias e bem definidas em sua origem essencial, para os fins a que se destinam, naturalmente.

Então, com a compreensão de que somos espíritos eternos e aprofundando o estudo com o objetivo de entender o que acontece, deveras, quando do comportamento humano no contexto desta reflexão, encontramos os seguintes esclarecimentos dos Espíritos Superiores, em respostas às perguntas (sublinhadas): – Têm sexos os Espíritos? – “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.”  – Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa? – “Decerto; são os mesmos os Espírito que animam os homens e as mulheres.” – Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher? – “Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.” (Questões – 200, 201 e 202, respectivamente, do Livro dos Espíritos – Allan Kardec.)

Por tudo isso, complementando objetivamente os estudos e pesquisas sobre sexo e homossexualidade, em todas as áreas concernentes ao assunto, encontramos o melhor entendimento sob o ponto de vista Espírita, em sua Codificação e muitas outras obras, a que, em sua mínima parte consultada, me refiro na bibliografia citada no final. E podemos concluir que tudo se origina nos recessos do ser e suas tendências, conforme o que esclarece a questão 201 supracitada. Assim, o Espírito que estagiou por muitas vidas (reencarnações) anteriores em determinado sexo, que lhe deu certa estrutura emocional, tipificando sua tendência comportamental, ficando tudo registrado em seu perispírito. E depois, ao reencarnar com estrutura morfológica do sexo oposto, por necessidade educacional com a inversão da polaridade sexual, de forma natural, sem desajustes; ou compulsoriamente, como lida expiatória ou provações, corrigindo erros do pretérito no campo oposto, em que abusou de tal condição, tornando-se devedor ante a Lei de Igualdade. Tudo isso em vista da imprescindível educação em todos os aspectos, do sexo como da posição social, em seus deveres distintos a que se obriga em cada experiência vivencial, até o ápice da equidade. O que comumente gera desconforto na nova fonte psíquica diferente em relação à anterior, enfrentando novos desafios. Ocorrendo, então, as características homossexuais; precisando não de reprovação e muito menos condenação, mas, sim, de compreensão, atenção, amparo e respeito, tanto quanto se tem para a maioria de nós heterossexuais, sujeitos a erros e desvios, igualmente, ou até muito mais, como sabemos dos abusos, promiscuidades e violências de toda sorte, de que tanto observamos e temos notícias no cotidiano informativo.

Valendo salientar a conscienciosa desaprovação a certos massificados movimentos reivindicativos ditos LGBT, por liberdades igualitárias, muito em voga e que se tornam, ao contrário das teorias propostas, verdadeiras passeatas demonstrando regozijo com as próprias condições de que tanto reclamam; desfilando estereótipos não condizentes com a seriedade que requer toda reivindicação que se proponha justa e séria; transformando-se num verdadeiro carnaval burlesco, a que se dá o nome até de ‘Parada Gay’, com a banalização da excessiva libidinagem e promiscuidade, como autêntico vale-tudo erótico, desapropriado e estéril, obscurecendo a seriedade que possa haver de alguns; como vemos acontecer em geral e amplamente se noticiar, dando-se mais ênfase ao aspecto ridículo dos eventos, do que qualquer outra coisa, levando-se ao escárnio simplesmente.

O que, em verdade, revela mais uma vez, o grau de imperfeição moral-espiritual em que ainda se encontra a humanidade, em todos os setores da vida, sob todos os pontos de vista, deixando-se de lado o aspecto sério e circunspecto como deveria ser em tudo, para desviar-se sempre para a frivolidade, como nesses casos, contribuindo para todo esse estado de incompreensão, animosidade e até violência, tão atual, e dificultando o estudo e o entendimento racional da questão, para que, com seriedade e bom senso pudesse culminar com a compreensão da realidade, a tolerância e o devido respeito para com todos e, assim, uma convivência harmônica e fraterna.

Desse modo, reflitamos com a sabedoria de Emmanuel, assim esclarecendo-nos sobre o sexo em geral:

“… E para não nos delongarmos em considerações desnecessárias, concluiremos que, em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintesNão proibição, mas educação.   Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo.   Não indisciplina, mas controle.   Não impulso livre, mas responsabilidade.  Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência.  Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.”

E ainda: “ … Não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. …  Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo:  Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”        (do livro “Vida e Sexo”- Chico Xavier).

Considerando todo contexto argumentado nesta reflexão, oportuno meditar com o que nos diz um Espírito iluminado, sobre a indulgência:  “… Ó homens! quando será que julgareis os vossos próprios corações, o vossos próprios atos, os vossos próprios pensamentos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?

Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atosLembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.” (do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X, item 16).

E para ser mais conclusivo nesta reflexão, buscando a melhor compreensão para os complexos e profundos entraves oriundos da realidade expressa no último parágrafo da página anterior: deduzo neste contexto, racionalmente, que se trata da lógica da reencarnação com inversão da polaridade sexual, quando há a incompatibilidade na aplicação do comportamento adequado, ora oposto ao que exercitara em encarnações precedentes, e em que, emergindo dos recônditos da Alma, ocorre então a atração pelo mesmo gênero sexual e todos os problemas conseguintes, quando transcende a problemática homossexual e seus desdobramentos. E em que a estrutura psicológica não corresponde à realidade física. Muitas vezes gerando graves conflitos internos de instabilidades e inseguranças, mais ou menos profundas, que podem culminar em sérios problemas psíquicos como a depressão, quando não bem entendida e orientada.

Destarte, meditando bem, acredito que a melhor forma de lidar com essa realidade seja buscando a auto-aceitação de tais provações ou expiações, superando-as com a devida sublimação das forças energéticas sexuais – a libido, condicionando-as para os diversos campos da criatividade mental e atividade intelectual ao invés de se fixar no campo exclusivo dos imperativos sexuais e nunca degenerar para promiscuidades tal como pode ocorrer.

O que não impede, de outro modo, uma convivência sincera e fraterna, pela sintonia espiritual e amiga, que caracteriza as autênticas amizades alicerçadas na verdadeira fraternidade de comunhão de ideais e pensamentos comuns e não o conúbio meramente carnal, lascivo, que, em sua essência, não se coaduna com dois seres do mesmo sexo, naturalmente.  Muito menos as demonstrações banais e gratuitas de descaracterização proposital de costumes, gestos e hábitos, individuais ou coletivos, próprios da característica fisiológica em que se encontre, por desejo mórbido de ser outrem, como muitos tentam se mostrar, equivocadamente.

Preciso é, pois, uma análise séria desses questionamentos, com o imprescindível estudo, sempre alicerçado no bom senso e na razão, buscando, por todos os meios possíveis, a verdade que concilie as mentes e os espíritos, para uma convivência harmônica e realista, baseada no respeito à Natureza e às nossas diferenças, com compreensão, tolerância e, sobretudo, a necessária responsabilidade para com tudo e todos, reciprocamente, para que, enfim, conscientes de que somos espíritos eternos, se sobreponha a paz e a harmonia.                                  

Eis o que penso, refletindo bem, com o estudo sério, a pesquisa objetiva e a observação analítica pela experiência de vida nas interações sociais; sobre o assunto em epígrafe, com todo respeito a todas as formas de pensamentos, almejando poder contribuir para um mundo melhor, repetindo a finalidade essencial deste Blog: “Divulgando idéias espiritualistas, como filosofia de vida para o comportamento humano e ampla compreensão de nossa realidade.  Com a convicção de que a convivência harmoniosa e fraterna na sociedade humana só se dará pela evolução moral-espiritual, quando, individualmente, nos conscientizarmos de que somos espíritos eternos, destinados à felicidade, com a prática do amor em sua verdadeira essência, como tão bem preconizou o Divino mestre Jesus!

E, como tal, na busca da almejada paz, como seres sociais, compartilhando!

Bibliografia (que recomendo):

“O Livro dos Espíritos”; “O Livro dos Médiuns” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec;

Forças Sexuais da Alma”- Jorge Andréa

“Sexo e Destino” – André Luiz/Francisco Cândido Xavier.

“Sexo e Obsessão” – Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo P. Franco;

“Sexo Sublime Tesouro” – Eurípedis Kühl;

“Vida e Sexo” – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier;

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A mendicância equivocada

Lembro de uma cena observada recentemente, quando da saída de um estabelecimento bancário, em que uma mulher com duas crianças pequenas que estavam próximos à porta daquela instituição, suplicavam uma esmola a todos os transeuntes que passavam, com os repetidos peditórios de praxe.  E pude observar por alguns instantes, sem que ela percebesse, o comportamento artificial e o modo como tratava as crianças para seus objetivos. Uma cena que identifiquei ser habitual por parte daquela mulher, aparentemente forte e saudável, com as crianças que dizia serem seus filhos. Fiquei então a refletir sobre a prática danosa e até viciosa da mendicância, da forma como estava sendo feita, já que percebi ser contumaz tal atitude, sempre da mesma forma, há bastante tempo.

Ainda que reconheçamos as necessidades porque muitos certamente passam e o cuidado que devemos ter em não nos precipitarmos em julgamentos impróprios, com a devida cautela; há que se considerar que tal prática, como o caso a que me refiro, muitas vezes denotam um hábito pernicioso que reflete a equivocada opção pelo menor esforço como meio de sobrevivência, ao invés do trabalho dignificante, que este exige sacrifícios e força de vontade. Além disso, considerando o péssimo exemplo para com as crianças que se acostumam, por imposição, neste caso e muitos outros, com a banalização de um ato vergonhoso e contrário ao exercício de cidadania que deve reger todas as pessoas, principalmente com relação às crianças e sua formação moral-educacional.

E, nesse mesmo contexto, logo também lembrei, até por associação de idéia, de outro fato ocorrido há algum tempo atrás, no centro da cidade; em que presenciei uma mulher, já de cabelos grisalhos, pedindo esmola aos transeuntes, quando então apareceu um homem que a chamou exclamando pelo nome (de que não lembro) e em tom acintoso perguntou como estavam seus parentes, sua casa e o gado que criava (!) ao que ela, incontinenti, saiu apressadamente, evidentemente procurando fugir das perguntas e daquela situação… Logo a seguir o homem que fizera as perguntas, confirmou que conhecia aquela mulher e que a mesma realmente morava com parentes, na periferia da região metropolitana e possuía uma casa com terreno onde criava uma vaca e outros animais. O que deixa bem claro mais um caso de inconveniente prática da mendicância indevida.

Por isso, acredito que a melhor forma de ajudar pessoas carentes em geral, seja por meio de grupos ou associações idôneas e organizadas, em que se busca convenientemente dar assistência à pessoas ou comunidades, com campanhas periódicas ou permanentes, tal como acontece em muitos grupos religiosos de todas as formas de crenças, ou entidades públicas e privadas. E afirmo como exemplo a “Fraternidade Espírita Francisco Peixoto Lins” (Peixotinho), situada no bairro de Boa Viagem, Recife-PE; de que sou freqüentador e partícipe. E em que há, além da atividade-fim a que se destina, várias formas de ajuda às comunidades carentes, permanentemente, por intermédio de pessoas e grupos voluntários daquela casa, como a assistência médica gratuita, apoio ao ensino escolar como ‘reforço’; distribuição de medicamentos, alimentos, roupas e outros materiais, além de atividades educacionais interativas de artes, entre outras, para crianças e jovens. Tudo de forma bem organizada e idônea, com o devido controle e seriedade e em que se preconiza o exercício de cidadania e a educação moral – espiritual.

É preciso enfatizar que, como em tudo que pensamos, idealizamos e fazemos, há que se ter o bom senso e a devida reflexão, para não incorrermos no julgamento frio e insensível de forma generalizada, em tudo o mais. Concluindo este raciocínio, vale repetir o que disse em texto anteriormente publicado (Doação – Esmola) e ora destaco sublinhando: “… Mas, ainda assim, convém salientar o grande número de pedintes que se viciam nessa aviltante prática, induzidos pela facilidade contrária ao compromisso de um trabalho regular, responsável, alguns até fingindo-se de necessitados; o que torna aqueles que contribuem com esmolas, quase sempre, um incentivador desse flagelo humano, social (ainda que inconscientemente). E nesse contexto é oportuno lembrar a criativa e cidadã preocupação do cancioneiro popular Luiz Gonzaga, versejando em uma de suas maravilhosas canções – “Vozes da Seca”- “… Mas doutor uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão …”

Devaldo Teixeira de Araújo.

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