Respeitando as Diferenças

Reflito sobre a necessidade de exercitarmos a proposição contida no título com que inicio o presente texto, considerando a nossa condição espiritual e humana, como partícipes de uma sociedade heterogênea em todos os aspectos, conquanto homogênea em seus agrupamentos sociais, motivados por interesses próprios, idéias ou ideais.  Para que não esqueçamos a condição precípua do entendimento e do respeito recíproco, como característica essencial a fim de que haja, verdadeiramente, paz e harmonia entre os povos e todos os homens entre si, independente de conotações de qualquer natureza.

Assim cogito e julgo que se faz necessário, por observar tanta animosidade entre vários povos em todo o mundo, por motivações várias, de que temos notícias em destaque nos meios de comunicação de que dispomos. Principalmente por interesses materiais de toda sorte e até mesmo por divergências religiosas, causando conflitos diversos que provocam tanta violência e tantas mortes, como vemos sempre. O que caracteriza um paradoxo, uma contradição incompatível com o que se espera da civilização humana em pleno Século XXI.

E por que tudo isso? Acredito que por nos ter distanciado da luz do amor tão bem ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre, ao enveredarmos pela senda ilusória do egoísmo e das paixões humanas, cedendo às sombrias e influentes forças negativas, em que o orgulho se sobrepõe à humildade, a suntuosidade toma o lugar da simplicidade e a busca do domínio supera a equidade e o entendimento; gerando a discórdia e a incompreensão com a intolerância das divergências aos pontos de vista em seus vários aspectos, até mesmo em relação às religiões, quando resultaram nas diferentes interpretações desvirtuadas do Evangelho primitivo, resultando as guerras fratricidas que perduram até hoje.

Como podemos perceber, também, entre nós mesmos, no meio em que vivenciamos o dia-a-dia, tantos problemas e conflitos que poderiam ser evitados se todos tivessem a consciência da realidade espiritual, com a real aplicação da fraternidade universal em todas as nossas atitudes. E que podemos fazer  a nossa parte, como dever que nos cabe, inclusive no exercício do pleno direito que a democracia nos possibilita, evitando os confrontos inerentes à intolerância de quantos desejam impor suas idéias como se fora verdade indiscutível, geralmente pensando em si mesmo e não na coletividade, como deve ser. E nunca cogitar da imposição do poder absoluto e da intransigência, em respeito às diferenças que caracterizam o nosso estado evolutivo em geral.

Pensemos no que seria de todos nós se Jesus não houvesse minimizado a própria magnitude e claridade para coabitar neste vale de sofrimentos, enfrentando a ignorância e a incompreensão para soerguer todos nós, nos legando o testemunho do amor em sua plenitude. E continuando em sua incansável missão redentora, por intermédio dos missionários divinos sempre a nos iluminar e amparar, em todas as épocas, antes e depois Dele. Basta meditarmos com a conhecida “Oração de S. Francisco”, tão divulgada e até musicada* nos meios religiosos, para vislumbrarmos a incomensurável dimensão do amor em sua essência.

Portanto, precisamos abolir de nossos pensamentos e ações as barreiras da incompreensão, intolerância e animosidade, buscando sempre o melhor para nós e a coletividade, em todos os aspectos, porém, respeitando as diferenças comuns em nossa convivência, certos de que só assim estaremos exemplificando o verdadeiro cristianismo em nossas atitudes e interação com nossos semelhantes, em consonância com os ensinamentos divinos contidos na afirmação do Senhor Jesus – “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João, 13:35.)

Eis o nosso dever para consecução da real e verdadeira felicidade: a paz de espírito!

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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