Coerência Cristã Ante a Realidade

Reflito nesta data – 27 de outubro de 2014, em que se definiu mais uma eleição em nosso país, julgando oportuno reproduzir o texto abaixo, já publicado anteriormente (23/09/2013); de antemão, sem nenhuma ideia ou conotação político-partidária de qualquer natureza:

EXERCÍCIO DE CIDADANIA – Somos parte de um grande Condomínio…

     Perdoem-me a lógica simplista, mas, por analogia com o ambiente predial em que habitamos e toda sua estrutura condominial, consideremos a nossa cidade e por extensão, o nosso Estado e o nosso País, como um grande condomínio de que fazemos parte, interagindo, com direitos e deveres, para uma pretensa convivência de paz e harmonia.

      Podemos até entender os impostos que pagamos de forma obrigatória, seja diretamente aos órgãos públicos de arrecadação – municipal, estadual e federal, ou indiretamente incluso em todas as nossas atividades comerciais;  assim como pagamos as taxas condominiais…

      Como cidadãos, podemos e devemos exigir todos os diretos possíveis que nos cabe, a começar pela liberdade de viver e ocupar nosso espaço (como se diz –‘de ir e vir’); a liberdade de expressão – filosófica, política, religiosa, e tantos outros direitos, como há de constar em todas as leis fundamentais de um país, em um Estado Democrático, claro.

      Todavia, igualmente temos deveres, obrigações.  A começar pelo respeito ao direito do próximo, em reciprocidade, e tudo mais que diz respeito à coletividade e seu ambiente próprio e comum a todos, sejam associações de lazer, de trabalho, sindicatos, etc.; isto é: como uma coletividade ocupando o mesmo espaço predial, assim mesmo, tal qual no nosso condomínio, simplesmente…

       E, se exigimos do Síndico, participando de reuniões de condomínio ou não, o cumprimento de todas as providências para o perfeito funcionamento de tudo que diga respeito ao seu fiel mandato, para que tudo esteja bem, de forma satisfatória e honesta; por que não exigirmos, de alguma forma, pelos meios possíveis, a mesma atitude devida dos administradores públicos, como também dos políticos eleitos por nós, em todos os níveis, como nossos verdadeiros mandatários? …

      Meios para isso existem, com certeza; o Estado Democrático ai está, para tanto, nos garantindo legalmente. É preciso, pois, que nos conscientizemos dessa realidade, da necessidade de nos engajarmos em tudo que diga respeito ao pleno exercício de cidadania e façamos a nossa parte.  Como, assim pensando e divulgando, creio estar contribuindo para isso…

            E, porque não, considerarmos até como uma atitude cristã, coerente com os procedimentos que caracterizam a natureza religiosa ou filosófica dos ensinamentos legados pelo Mestre Jesus.  Afinal, o exercício de cidadania presume o esforço na consecução da boa convivência, pela obediência às leis, aos bons costumes, ás regras sociais, o que significa, sem dúvida, a prática da justiça, da tolerância, da caridade, em benefício da coletividade e de si mesmo.  Eis, portanto, a prática do Amor em sua essência verdadeira e infinita…

      Assim creio e conclamo a que pensemos seriamente nisso, para um mundo melhor.

Assim reflito por ainda ouvir e ler sobre opiniões estapafúrdias de algumas pessoas que revelam inconcebível inconformismo, revolta e até mesmo idéias em contraposição beligerante, ante a realidade insofismável.  Quando devemos nos conscientizar de que a Nação está acima de quaisquer interesses que não sejam para o bem de todos, como cidadãos e verdadeiros cristãos, aproveitando o ensejo para o exercício da compreensão, da tolerância e da resignação; é o que se espera de todos nós, concidadãos do “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” – (Chico Xavier/Humberto de Campos, Ed. FEB).  Com fé e esperança no porvir.

Afinal, consoante as divinas leis de causa e efeito, ação e reação, nada acontece por acaso…

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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Experiência de Vida e a Conscientização Espiritual

Pensando nos questionamentos ouvidos sobre as motivações pelas quais se chega ao convencimento da existência de Deus, naturalmente por admissão religiosa, reflito, como uma autoanálise, sobre o meu passado de erros e acertos, dúvidas e muitas reflexões, ao longo desta existência, até tal convicção filosófico-religiosa…

Como muitos, educado sob orientação religiosa do catolicismo; desde o catecismo, as missas aos domingos, as confissões e comunhões periódicas, como deveres inerentes à religião professada por educação familiar; ressalto o reconhecimento da importância da orientação educacional e religiosa, fundamentais, que me deram uma formação básica, com as primeiras lições de resignação, humildade e correção de atitudes; sem muitas dificuldades, enquanto criança…

Adentrando a adolescência, contudo, sempre dado às reflexões e ao estudo na busca do saber, logo vieram as dúvidas, os questionamentos filosóficos e a consequente tríade crucial para um pensamento incipiente:  De onde? (… viemos/origem?) – Por quê? (… aqui estamos vivendo?) – Para onde? (… vamos, após a morte?) ou:  origem – motivo – destino… E aí, as turbulências psicológicas, exteriorizadas ou não, em meio às necessidades próprias e sociais do viver: a busca da definição profissional, da estabilidade econômica, dos prazeres da vida ante a imatura condição da jovial idade, tão comum a todos, com os erros e acertos, na busca da autoafirmação, em meio à conturbada sociedade do ter e o ideal do ser

E, infelizmente, assim confesso, buscando, então, mais o apoio intelectual materialista, pela leitura da mesma natureza e por questionar racionalmente as definições, explicações e orientações da vida, dadas pelas religiões tradicionais; acabei por ficar com a idéia ateísta em voga, por um longo tempo, embora sempre em meio às dúvidas por algo mais convincente… Até que, por indicação do irmão e amigo João Evangelista (hoje desencarnado, noutra dimensão), com quem sempre tive uma grande amizade e um proveitoso diálogo, li o livro “Nosso Lar” do extraordinário Chico Xavier/Emmanuel (era o início da década de 1980), que me despertou a atenção e a consciência para a realidade espiritual, continuando por ler, estudando e meditando, como deve ser, toda a Codificação Espírita e muitos outros livros espíritas, até hoje, quando posso afirmar convictamente: graças a Deus!

Nesse entrementes, dando curso à vida, sob os desígnios divinos, claro, embora não percebamos ou não tenhamos consciência plena disso: a vivência e interações sociais, com os naturais envolvimentos, o que me faz lembrar a maravilhosa canção “Roda Viva” do extraordinário Chico Buarque…  Vindo, então da junção e constituição familiar, meus dois filhos – João Ricardo e Juliana, esteios morais da minha existência e razão mor de minha sobrevivência, ainda hoje, em que sempre mui grato, em preces, repito – graças a Deus!  Os quais continuam, por suas vezes, em suas uniões e vivências, sob os mesmos desígnios, para minha felicidade, prosseguindo a maravilhosa experiência de viver e amar…

Assim como muito devo e devemos agradecer sempre, por dever de justiça e gratidão consciente, a todos que de alguma forma, direta ou indiretamente, contribuíram e contribuem em nosso viver, nas interações em que muitas vezes nos ajudam e até soerguem, nesta experiência de vida. Valendo ressaltar a mesma gratidão, reconhecendo a importância mesmo daqueles que nos trouxeram dissabores nas adversidades de nossa vida, como apenas agentes de tais desígnios para lapidação de nossos espíritos, como parte da divina lei de causa e efeito, nas expiações e provações de que necessitamos para nossa evolução moral-espiritual, em que expurgamos os nossos erros pretéritos ou mesmo contemporâneos e que resulta em nosso próprio benefício espiritual.

Eis, creio convictamente, a realidade da vida espiritual na experiência existencial, e a conscientização de saber-se Espírito.

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Respeitando as Diferenças

Reflito sobre a necessidade de exercitarmos a proposição contida no título com que inicio o presente texto, considerando a nossa condição espiritual e humana, como partícipes de uma sociedade heterogênea em todos os aspectos, conquanto homogênea em seus agrupamentos sociais, motivados por interesses próprios, idéias ou ideais.  Para que não esqueçamos a condição precípua do entendimento e do respeito recíproco, como característica essencial a fim de que haja, verdadeiramente, paz e harmonia entre os povos e todos os homens entre si, independente de conotações de qualquer natureza.

Assim cogito e julgo que se faz necessário, por observar tanta animosidade entre vários povos em todo o mundo, por motivações várias, de que temos notícias em destaque nos meios de comunicação de que dispomos. Principalmente por interesses materiais de toda sorte e até mesmo por divergências religiosas, causando conflitos diversos que provocam tanta violência e tantas mortes, como vemos sempre. O que caracteriza um paradoxo, uma contradição incompatível com o que se espera da civilização humana em pleno Século XXI.

E por que tudo isso? Acredito que por nos ter distanciado da luz do amor tão bem ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre, ao enveredarmos pela senda ilusória do egoísmo e das paixões humanas, cedendo às sombrias e influentes forças negativas, em que o orgulho se sobrepõe à humildade, a suntuosidade toma o lugar da simplicidade e a busca do domínio supera a equidade e o entendimento; gerando a discórdia e a incompreensão com a intolerância das divergências aos pontos de vista em seus vários aspectos, até mesmo em relação às religiões, quando resultaram nas diferentes interpretações desvirtuadas do Evangelho primitivo, resultando as guerras fratricidas que perduram até hoje.

Como podemos perceber, também, entre nós mesmos, no meio em que vivenciamos o dia-a-dia, tantos problemas e conflitos que poderiam ser evitados se todos tivessem a consciência da realidade espiritual, com a real aplicação da fraternidade universal em todas as nossas atitudes. E que podemos fazer  a nossa parte, como dever que nos cabe, inclusive no exercício do pleno direito que a democracia nos possibilita, evitando os confrontos inerentes à intolerância de quantos desejam impor suas idéias como se fora verdade indiscutível, geralmente pensando em si mesmo e não na coletividade, como deve ser. E nunca cogitar da imposição do poder absoluto e da intransigência, em respeito às diferenças que caracterizam o nosso estado evolutivo em geral.

Pensemos no que seria de todos nós se Jesus não houvesse minimizado a própria magnitude e claridade para coabitar neste vale de sofrimentos, enfrentando a ignorância e a incompreensão para soerguer todos nós, nos legando o testemunho do amor em sua plenitude. E continuando em sua incansável missão redentora, por intermédio dos missionários divinos sempre a nos iluminar e amparar, em todas as épocas, antes e depois Dele. Basta meditarmos com a conhecida “Oração de S. Francisco”, tão divulgada e até musicada* nos meios religiosos, para vislumbrarmos a incomensurável dimensão do amor em sua essência.

Portanto, precisamos abolir de nossos pensamentos e ações as barreiras da incompreensão, intolerância e animosidade, buscando sempre o melhor para nós e a coletividade, em todos os aspectos, porém, respeitando as diferenças comuns em nossa convivência, certos de que só assim estaremos exemplificando o verdadeiro cristianismo em nossas atitudes e interação com nossos semelhantes, em consonância com os ensinamentos divinos contidos na afirmação do Senhor Jesus – “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João, 13:35.)

Eis o nosso dever para consecução da real e verdadeira felicidade: a paz de espírito!

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Nosso Dever como Cristãos

Meditando com as lições do extraordinário ser espiritual – Emmanuel, reflito sobre o nosso papel nesta experiência humana, para vivenciarmos o autêntico cristianismo, em interação social com nossos semelhantes, e nossas obrigações para com todos e tudo; quão nos ensinou, exemplificando, o Divino Mestre, há dos mil anos…

E logo penso em nosso dever de agir, assim, pelo que se espera de todos nós como verdadeiros cristãos.  E, para tanto, não bastam os comezinhos afazeres quais os deveres domésticos, a correção no proceder social e a própria luta pela sobrevivência de que nos ocupamos, até instintivamente: isso são tarefas comuns, inadiáveis, tanto quanto agem os descrentes, e até mesmo os próprios irracionais em suas peculiaridades, naturalmente. O que nos leva à conclusão de que é preciso algo mais, que exceda as ações do homem comum, vulgar, nas esferas – pessoal e coletiva…

Por isso, quando procedemos a uma autoanálise, nesse contexto, logo nos ocorre as indagações: que fazemos ou damos de nós mesmos em prol de nossos semelhantes, tão carentes em todos os aspectos?  Temos a devida tolerância para com todos que, inadvertidamente, nos desafiam a isso, até por ignorância?  Exercitamos a paciência a que somos incitados, a todo momento, em nossa sociedade tão conturbada e desafiadora?  Estamos sempre prontos a ajudar o próximo, com desprendimento, enquanto muitos, por egoísmo, são indiferentes aos problemas ao seu derredor?…  E muito ainda teríamos que indagar, para professarmos o cristianismo em sua essência.

Como podemos perceber, facilmente, uma grande parcela da humanidade, alheia à realidade espiritual e, por isso, egoísta e orgulhosa, vive preocupada com os avanços tecnológicos, buscando o conhecimento intelectual, científico, para o conforto material a todo custo, como finalidade maior da vida. Esquecendo a razão maior de nossa existência, como nos alertam os Missionários Divinos, em todas as épocas; desde o aforismo introspectivo contido no “Conhece-te a ti mesmo” e o espírito de humildade em “Só sei que nada sei”, preconizados pelo sábio filósofo Sócrates (469 – 399 a.C.), entre muitos outros sábios, remotos e contemporâneos, em que sempre resplandece a luz dos ensinamentos do Cristo por intermédio inspirativo e mediúnico de que temos bastante conhecimento e de que dispomos sempre.

E para não ficarmos alheios à realidade e não nos aprisionemos nas ilusões efêmeras das conquistas exclusivamente materiais, urge não permanecermos acomodados no continuísmo da vida ilusória e buscar sempre a verdade, estudando e refletindo, para que possamos alcançar o equilíbrio necessário para um mundo de paz e harmonia. E, naturalmente, sairmos da inércia e pormos em prática todos os maravilhosos ensinamentos divinos, exercitando o perdão, a caridade, a tolerância, a compreensão, enfim, o amor em sua essência, a fim de que Deus se manifeste em nós, como seguidores do Cristo.

Portanto, não devemos mais adiar as ações para o bem. E que tenhamos coragem para as atitudes coerentes com o amor a Deus e ao próximo, conscientes de que para as transformações sociais que tanto desejamos e reclamamos, é imprescindível que comecemos em nós mesmos, do individual para o coletivo, desde as ações mais simples no âmbito doméstico, como dito acima, até as interações sociais, em que as adversidades põem à prova a nossa força de vontade; e só assim, creio, podemos alcançar o equilíbrio próprio e geral para um mundo melhor, que tanto almejamos.

Ergamos as nossas mãos, não somente para a adoração e os peditórios comuns, mas para o trabalho edificante e renovador do bem ao nosso alcance, em favor de todos os nossos irmãos; materializando o amor, e o nosso dever como cristãos.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]