A Vaidade Manifesta, Consciente e Inconsciente

Reflito sobre o tema com que inicio o presente texto, ao lembrar uma cena que observei, há algum tempo,  em pleno centro da cidade, em meio ao transitar de pedestres:  quando vi uma mulher, tipicamente ‘moradora de rua’, sentada sob uma marquise de um prédio, vestindo blusa e bermuda de cor escura pela sujeira evidente, inclusive os cabelos desgrenhados e igualmente sujos; contudo, com um vidro de esmalte, pintando as unhas dos pés, absorta em sua tarefa que exercia com esmero e, por isso, pude observar sem ser notado, sem a possível reação de desagrado sendo observada… E fiquei a pensar como a vaidade humana, no caso, própria da feminilidade, atua no consciente e inconsciente de tal forma, que uma criatura em visíveis condições de extrema miserabilidade e completa falta de higiene individual, ainda assim, se preocupando em pintar as unhas, naturalmente se achando, para isso, vaidosa, bonita…

Independente da conotação psíquica que poderia ser analisada em relação ao fato e à personagem atuante, à luz da psicologia humana, que caberia uma extensa argumentação, como se pode imaginar; atenho-me ao aspecto superficial do comportamento humano e a condição espiritual, com demonstrações manifestas, consciente ou inconscientemente, do grau evolutivo em que estagiamos. Como o caso citado em que os impulsos da vaidade se sobrepõem à realidade circunstancial que exigiria atitudes mais coerentes com a real situação.

O que demonstra o quão é relevante a real condição mental/espiritual em nossa vida, que nos faz adotar comportamentos inesperados, esquisitos, ainda que circunstancialmente; por motivações oriundas do nosso psiquismo e suas manifestações, como da vaidade arraigada em nosso íntimo, aliada à insensatez, capaz de atitudes em contrassenso à própria realidade vivencial, como o caso citado.

Por outro lado, sob o aspecto psicológico da autoestima, podemos entender este gesto vaidoso como algo positivo, capaz de levar à superação das adversidades de uma condição de vida subumana e até a tentativa de inserir-se no contexto social de beleza, como o caso demonstra, impedindo assim a cogitação de idéias negativas por uma transtornada vida, que poderia levar a estados de desânimo e abatimento, como quase sempre ocorre, decaindo para o contraproducente estado depressivo. Como o que vemos acontecer com tantas pessoas, muitas vezes sem que as condições sociais das mesmas sugiram qualquer motivação para tanto.

Daí porque há que se considerar a relatividade em tudo que observamos e vivenciamos, em que uma atitude, da mesma forma como pode aparentar um desatino, pode representar algo positivo, como no caso, significando a aceitação de si mesma, como tal, valorizando-se como pode; o que representa a autoestima, como algo proveitoso e relevante, ainda que inconscientemente.

Diferentemente, claro, da vaidade consciente, oriunda do orgulho de alguém que, por exemplo, se prevalece de sua condição social, econômica ou intelectual, para ostentações que tantos males provocam, contrárias aos sentimentos de humildade, generosidade e bondade, que contribuem para o bem em geral, gerando harmonia e paz, de que tanto precisamos.

O que nos leva à reflexão sobre  a grande importância de nossas atitudes positivas, em quaisquer circunstâncias, que sempre nos beneficia em todos os aspectos, capaz de elevar o nosso estado consciencial a instâncias motivadoras de superação das adversidades que sempre nos cerca em nossa existência e, contribuindo para uma satisfação íntima, uma convivência harmoniosa e pacífica.

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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