Morrer com Serenidade

Meditando sobre a nossa curta existência física e toda problemática nela envolvida, culminando com a sua inevitável  extinção, ou morte; penso em nossa responsabilidade e dever de nos educarmos para quando chegar tal momento, estejamos preparados para enfrentá-lo com serenidade e destemor.  Acostumados à vida material e nossa condição humana como partícipe de uma família, um núcleo social, com a natural interação sociológica em que nos preocupamos com os aspectos pessoais e a constante busca pela ascensão profissional e social; nos esquecemos do principal aspecto: o espiritual.  E é justamente daí que se derivam os nossos maiores problemas…

Preocupados com os problemas imediatistas que nos envolve por toda vida, ainda que neles se inclua a imprescindível formação intelectual, didática, e profissional, como fundamental meio para o próprio aperfeiçoamento e a busca da verdade, muitas vezes nos perdemos nos labirintos da intelectualidade e do conhecimento meramente científico, nos esquecendo da essencial condição de Espíritos eternos que somos e razão porque aqui nos encontramos; acomodados nos prazeres mundanos com que nos envolvemos, nas ilusões efêmeras do ter, do egoísmo e do orgulho. O que então, cedo ou tarde, gera a insatisfação, a instabilidade e algumas vezes até culminando no desequilíbrio pleno capaz de levar a atitudes insanas, como argumentei no texto – Entendimento da Realidade Espiritual.

Como também, felizmente, essa insatisfação e instabilidade, na maior parte das vezes, nos impelem, de modo positivo, à busca da verdade que concilie e harmonize a mente, para o equilíbrio mental-espiritual, pela nossa essencial condição de indivíduos espirituais, como assim, creio, podemos nos considerar. Sem esquecer a razão maior, como nos esclarecem os Espíritos Superiores, em resposta à pergunta cinco, do “Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec – P: “Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus? – R: A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípionão há efeito sem causa.” E o convincente esclarecimento em nota de Allan Kardec, dado logo após o item 4 do mesmo livro, quando escreveu: “Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.”

No contexto desta reflexão, como intitulado, lembro o relato do extraordinário médium espírita – Chico Xavier, numa entrevista para o Programa Pinga Fogo, no ano de 1971, narrando um episódio ocorrido quando de uma vagem de avião, sob grande turbulência e risco de iminente acidente,  em que Chico Xavier junto com os outros passageiros entraram em estado de pânico, clamando por Deus, etc. … Quando lhe apareceu o Espírito Emmanuel, seu mentor espiritual, que logo condenou aquela atitude de desespero e pediu calma, ao que Chico Xavier replicou: “… eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre.” Então, Emmanuel disse: “Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus! …”(sic).**

      E com este exemplo, que corrobora a reflexão em epígrafe, conclamo a que nos eduquemos devidamente, estudando e nos esforçando para o entendimento da vida espiritual, como realidade que devemos compreender e praticar, a fim de evitar procedimentos errôneos, indevidos, sobretudo nos momentos difíceis da vida, enfrentando-os com destemor e serenidade, com bom senso e conscientes de que sendo eterno o nosso Espírito, não há por que nos desesperarmos ou temermos a iminência dos instantes finais desta existência corpórea, ou morte; encarando-a como simplesmente o desencarnar, serenamente, com fé, apenas uma mudança de dimensão…

** = Episódio que pode ser conferido no livro “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, que originou o filme “Chico Xavier – O Filme”;  e no vídeo original do programa da época, acessando o site recomendado ao lado.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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