Ante as Sombrias Forças Negativas

Ora reflito sobre a necessidade de sempre estarmos alertas ante as investidas de energias negativas, como forças sombrias materializadas nos pensamentos e nas idéias, que vez por outra estão a nos circundar, pela nossa própria condição de imperfeição moral/espiritual em que nos encontramos e, por isso, as atraímos pela sintonia magnética quando nos momentos em que desviamos nossos pensamentos do bem para a senda dos males, representados pelos estados invigilantes de autocomiseração ou abatimentos de alguma natureza, oriundos do nefasto orgulho próprio; instantes de que se aproveitam tais forças, justamente por vivenciarmos, ainda, um “plano de expiações e provas” a que estamos submetidos em nosso mundo presente, pela nossa própria inferioridade moral, como nos esclarecem os Espíritos Superiores em toda coletânea Espírita de que dispomos de alguma forma.

E confesso, assim, por experiência própria, como tal, consciente de que certamente deriva do lado sombrio de nossa individualidade pretérita desajustada, que requer o imprescindível reajuste na presente experiência existencial, e em que logo recorro aos ensinamentos do Divino Mestre Jesus quando nos exortou: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.” (Mateus, 26:41.). E, mudando o nosso pensamento, pelo recurso da prece, logo nos sintonizamos com as benéficas forças positivas do bem, como alento inspirador para a criatividade proveitosa, alicerçada na resignação, na humildade e na fé, resumidas no amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Preciso é, portanto, que estejamos sempre atentos, porquanto ninguém está livre do assédio sombrio e nefasto das forças do mal, das tentações de toda sorte, sobretudo por pensamentos com que nos sintonizamos. Assim como, igualmente, dispomos, permanentemente, dos recursos luminosos e benéficos do bem a nos indicar os caminhos que devemos pautar, com serenidade, paciência, fé e humildade, a fim de que, vigiando-nos e orando quando preciso, edifiquemos a nossa consciência e alcancemos o equilíbrio próprio, para uma convivência verdadeiramente em paz e harmonia.

E, sabendo que não conseguiremos viver sem as tentações concernentes à nossa condição evolutiva, é deveras importante que não percamos tempo quando dos momentos de vacilação e debilidade em que nos envolvemos com mentalizações negativas; buscando instantaneamente reagir a esse estado mental/espiritual com o esforço possível, mormente o recurso da prece e até mesmo a terapia ocupacional de algum modo, a fim de que nos livremos disso o quanto antes e nunca decairmos nas armadilhas da melancolia, e daí até um aprofundamento patológico mais grave; o que vemos acontecer com algumas pessoas alheias a essa realidade.

Fortaleçamo-nos, então, em todos os momentos, para o enfrentamento das vicissitudes comuns à experiência humana, procurando nos esclarecer, pelo estudo sério e objetivo, da nossa realidade espiritual, bem como buscando sempre elevar o nosso pensamento às esferas positivas do amor em sua essência, não nos deixando adentrar no campo da intolerância, da incompreensão ou dos melindres característicos do orgulho, da vaidade e do amor-próprio, que tantos males provocam, especialmente pela atração magnética em sintonia mental com a influente espiritualidade inferior sempre aproveitando os momentos de invigilância mental/espiritual como já citado anteriormente.

Assim, oportunamente, lembro as esclarecedoras lições do maravilhoso espírito Emmanuel, em que nos diz: “…… Caminhar do berço ao túmulo, sob as marteladas da tentação, é natural. Entretanto lembremo-nos do ensinamento do Mestre, vigiando e orando, par não sucumbirmos às tentações, de vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da queda.” (Fonte Viva, c. 110 – Chico Xavier.)

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A Vaidade Manifesta, Consciente e Inconsciente

Reflito sobre o tema com que inicio o presente texto, ao lembrar uma cena que observei, há algum tempo,  em pleno centro da cidade, em meio ao transitar de pedestres:  quando vi uma mulher, tipicamente ‘moradora de rua’, sentada sob uma marquise de um prédio, vestindo blusa e bermuda de cor escura pela sujeira evidente, inclusive os cabelos desgrenhados e igualmente sujos; contudo, com um vidro de esmalte, pintando as unhas dos pés, absorta em sua tarefa que exercia com esmero e, por isso, pude observar sem ser notado, sem a possível reação de desagrado sendo observada… E fiquei a pensar como a vaidade humana, no caso, própria da feminilidade, atua no consciente e inconsciente de tal forma, que uma criatura em visíveis condições de extrema miserabilidade e completa falta de higiene individual, ainda assim, se preocupando em pintar as unhas, naturalmente se achando, para isso, vaidosa, bonita…

Independente da conotação psíquica que poderia ser analisada em relação ao fato e à personagem atuante, à luz da psicologia humana, que caberia uma extensa argumentação, como se pode imaginar; atenho-me ao aspecto superficial do comportamento humano e a condição espiritual, com demonstrações manifestas, consciente ou inconscientemente, do grau evolutivo em que estagiamos. Como o caso citado em que os impulsos da vaidade se sobrepõem à realidade circunstancial que exigiria atitudes mais coerentes com a real situação.

O que demonstra o quão é relevante a real condição mental/espiritual em nossa vida, que nos faz adotar comportamentos inesperados, esquisitos, ainda que circunstancialmente; por motivações oriundas do nosso psiquismo e suas manifestações, como da vaidade arraigada em nosso íntimo, aliada à insensatez, capaz de atitudes em contrassenso à própria realidade vivencial, como o caso citado.

Por outro lado, sob o aspecto psicológico da autoestima, podemos entender este gesto vaidoso como algo positivo, capaz de levar à superação das adversidades de uma condição de vida subumana e até a tentativa de inserir-se no contexto social de beleza, como o caso demonstra, impedindo assim a cogitação de idéias negativas por uma transtornada vida, que poderia levar a estados de desânimo e abatimento, como quase sempre ocorre, decaindo para o contraproducente estado depressivo. Como o que vemos acontecer com tantas pessoas, muitas vezes sem que as condições sociais das mesmas sugiram qualquer motivação para tanto.

Daí porque há que se considerar a relatividade em tudo que observamos e vivenciamos, em que uma atitude, da mesma forma como pode aparentar um desatino, pode representar algo positivo, como no caso, significando a aceitação de si mesma, como tal, valorizando-se como pode; o que representa a autoestima, como algo proveitoso e relevante, ainda que inconscientemente.

Diferentemente, claro, da vaidade consciente, oriunda do orgulho de alguém que, por exemplo, se prevalece de sua condição social, econômica ou intelectual, para ostentações que tantos males provocam, contrárias aos sentimentos de humildade, generosidade e bondade, que contribuem para o bem em geral, gerando harmonia e paz, de que tanto precisamos.

O que nos leva à reflexão sobre  a grande importância de nossas atitudes positivas, em quaisquer circunstâncias, que sempre nos beneficia em todos os aspectos, capaz de elevar o nosso estado consciencial a instâncias motivadoras de superação das adversidades que sempre nos cerca em nossa existência e, contribuindo para uma satisfação íntima, uma convivência harmoniosa e pacífica.

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Morrer com Serenidade

Meditando sobre a nossa curta existência física e toda problemática nela envolvida, culminando com a sua inevitável  extinção, ou morte; penso em nossa responsabilidade e dever de nos educarmos para quando chegar tal momento, estejamos preparados para enfrentá-lo com serenidade e destemor.  Acostumados à vida material e nossa condição humana como partícipe de uma família, um núcleo social, com a natural interação sociológica em que nos preocupamos com os aspectos pessoais e a constante busca pela ascensão profissional e social; nos esquecemos do principal aspecto: o espiritual.  E é justamente daí que se derivam os nossos maiores problemas…

Preocupados com os problemas imediatistas que nos envolve por toda vida, ainda que neles se inclua a imprescindível formação intelectual, didática, e profissional, como fundamental meio para o próprio aperfeiçoamento e a busca da verdade, muitas vezes nos perdemos nos labirintos da intelectualidade e do conhecimento meramente científico, nos esquecendo da essencial condição de Espíritos eternos que somos e razão porque aqui nos encontramos; acomodados nos prazeres mundanos com que nos envolvemos, nas ilusões efêmeras do ter, do egoísmo e do orgulho. O que então, cedo ou tarde, gera a insatisfação, a instabilidade e algumas vezes até culminando no desequilíbrio pleno capaz de levar a atitudes insanas, como argumentei no texto – Entendimento da Realidade Espiritual.

Como também, felizmente, essa insatisfação e instabilidade, na maior parte das vezes, nos impelem, de modo positivo, à busca da verdade que concilie e harmonize a mente, para o equilíbrio mental-espiritual, pela nossa essencial condição de indivíduos espirituais, como assim, creio, podemos nos considerar. Sem esquecer a razão maior, como nos esclarecem os Espíritos Superiores, em resposta à pergunta cinco, do “Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec – P: “Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus? – R: A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípionão há efeito sem causa.” E o convincente esclarecimento em nota de Allan Kardec, dado logo após o item 4 do mesmo livro, quando escreveu: “Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.”

No contexto desta reflexão, como intitulado, lembro o relato do extraordinário médium espírita – Chico Xavier, numa entrevista para o Programa Pinga Fogo, no ano de 1971, narrando um episódio ocorrido quando de uma vagem de avião, sob grande turbulência e risco de iminente acidente,  em que Chico Xavier junto com os outros passageiros entraram em estado de pânico, clamando por Deus, etc. … Quando lhe apareceu o Espírito Emmanuel, seu mentor espiritual, que logo condenou aquela atitude de desespero e pediu calma, ao que Chico Xavier replicou: “… eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre.” Então, Emmanuel disse: “Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus! …”(sic).**

      E com este exemplo, que corrobora a reflexão em epígrafe, conclamo a que nos eduquemos devidamente, estudando e nos esforçando para o entendimento da vida espiritual, como realidade que devemos compreender e praticar, a fim de evitar procedimentos errôneos, indevidos, sobretudo nos momentos difíceis da vida, enfrentando-os com destemor e serenidade, com bom senso e conscientes de que sendo eterno o nosso Espírito, não há por que nos desesperarmos ou temermos a iminência dos instantes finais desta existência corpórea, ou morte; encarando-a como simplesmente o desencarnar, serenamente, com fé, apenas uma mudança de dimensão…

** = Episódio que pode ser conferido no livro “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, que originou o filme “Chico Xavier – O Filme”;  e no vídeo original do programa da época, acessando o site recomendado ao lado.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A importante influência da Fé

Reflito sobre um fenômeno relatado por uma pessoa amiga, que é ouvinte assídua e fervorosa de um sacerdote católico, a quem ela tem grande admiração. Quando a amiga narrou um fato ouvido em seu programa de rádio, recentemente, no qual o citado sacerdote descreveu o estado psicossomático/espiritual como a mesma se encontrava e tal qual ela realmente estava (!), indicando as prováveis causas e os procedimentos que deveria adotar para atenuar e evitar o problema que a incomodava. Sempre com conselhos de cunho espirituais e práticos para o equilíbrio próprio, coerentes com qualquer entendimento ou crença. O que, segundo testemunho da amiga ouvinte, é comum ouvir em seus programas diários de rádio, em que o mesmo cita problemas de diversas naturezas por que passam alguns ouvintes, sem citar nomes, informando as causas e soluções.

Acredito na veracidade e sinceridade de todos os envolvidos e atribuo tais fenômenos ao poder da Fé e seus infinitos recursos espirituais mediúnicos, como os mananciais do magnetismo natural, capazes de produzir efeitos benéficos e até curas, como exemplificou o Divino Mestre Jesus, quando das curas realizadas, entre outras, a cura da mulher hemorroíssa, após o que asseverou: “… Minha filha, tua fé te salvou! …” (Marcos, 5: 25 a 34);  e quão nos esclarece os Espíritos Superiores, nas obras da Codificação Espírita. Tratando-se, portanto, de relatos de fenômenos fluídicos magnéticos que encontramos nos Evangelhos de – Matheus, 14:35;  Marcos, 3:10 e 6:56; Lucas, 6:19;  como também estudos e esclarecimentos de Allan Kardec – codificador do Espiritismo,  em “O Livro dos Médiuns”; “Obras Póstumas” e  “A Gênese”- cap. XIV;  André Luiz/Chico Xavier, em “Mecanismos da Mediunidade”- cap. X;  entre outras obras da literatura espírita.

Assim, creio que independente da religião professada ou entendimento filosófico, há de se compreender que a fenomenologia espiritual, mediúnica, sempre existiu em todas as épocas, como até hoje, e que podemos comprovar estudando as obras supramencionadas, além da observação e percepção prática em nossa experiência vivencial.  Basta uma análise séria e objetiva, uma observação livre das idéias preconcebidas, ortodoxas e materialistas, e do ceticismo contumaz, alicerçado no bom senso e reflexão, para percebemos a lógica da vida espiritual e toda energia fluídica, magnética, que a envolve, em interação com o homem (enquanto Espírito Encarnado) e o Universo. E o pensamento religioso, filosófico e científico, há de convergir para esta realidade, o que só depende do tempo, com o despertar da mente transcendente, disso tenho convicção.

Oportunamente, vale lembrar as sábias palavras de Emmanuel, quando assim nos esclareceu: “ … A fé, na essência, é aquele embrião de mostarda do ensinamento de Jesus que, em pleno crescimento, através da elevação pelo trabalho incessante, se converte no Reino Divino, onde a alma do crente passa a viver …” (“Fonte Viva”, c. 39 – Chico Xavier/Emmanuel).

Sendo a vida um processo renovador, em todos os sentidos, sobretudo a alma imperecível, incontestavelmente; cabe-nos buscar a compreensão de tudo isso, acompanhando o progresso da humanidade e a evolução espiritual em curso, conscientes de que as civilizações se sucedem há milênios em que se estabeleceram as mudanças, continuamente, como evidentemente podemos perceber na sociedade e na própria natureza e a História nos comprova. E todos nós, pela senilidade natural, inevitavelmente somos compelidos à perda do corpo físico, em cada existência, para renovação e evolução espiritual necessária, eterna; como asseverou Emmanuel: “Ninguém progride sem renovar-se”.

E para que alcancemos os objetivos eternos, urge empreendermos a transcendência mental para a convicção dessa realidade espiritual, com Fé – racional, inabalável!

 

Devaldo Teixeira de Araújo. 

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]