Morte, a Grande Passagem – O Retorno

Meditando sobre os questionamentos feitos por uma pessoa amiga, em relação ao fenômeno indesejável, mas inevitável, da morte, e as emoções por que passam, nessas ocasiões, os familiares e amigos próximos, além do próprio ser moribundo na condição de Espírito eterno; acredito que o requisito essencial para vivenciar tal circunstância com equilíbrio, sensatez e realismo, seja a convicção de saber-se Espírito, de que já falei em texto anterior – A importância de saber-se Espírito.  O que nos dá, sem dúvida alguma, a compreensão plena de tal desfecho da vida material, conscientes de que se trata apenas da natural extinção do corpo físico, como roupagem de que se serviu o Espírito em mais uma experiência neste orbe, para o aperfeiçoamento moral-espiritual a que todos estamos destinados. E que o Espírito continua vivo, ativo, de conformidade com o grau de evolução e entendimento espiritual em que se encontra.

Destarte, na condição de espectadores, então, desse fenômeno, como parentes ou amigos próximos de alguém que protagoniza tal desfecho vivencial humano, com o natural envolvimento emocional, cabe-nos, racionalmente, a resignação ante o inevitável e a certeza de que houve apenas o rompimento da convivência humana, com o afastamento da presença corporal e do calor humano comum nos relacionamentos afetivos por parentesco ou grande amizade, e tão somente isso. O Espírito continua vivo e atuante, tanto na dimensão espiritual própria de acordo com o seu estado evolutivo, como também podendo até interagir conosco conforme o entendimento, as condições e as circunstâncias para que isso aconteça. Portanto, basta o conhecimento dessa realidade espiritual para considerarmos indevidas as demonstrações de desespero, excessivo choro e lamentações que algumas vezes ouvimos com a morte, ou mais propriamente o desencarne, de entes queridos.

Tais comportamentos aflitivos revelam que assim acontece por desconhecimento da realidade espiritual que todos nós deveríamos compreender e evitar todo e qualquer excesso. Porquanto, é evidente que o sentimento de tristeza momentânea ante um acontecimento doloroso dessa natureza seja comum e claramente compreensível, desde que sem excessos; afinal, ocorre uma separação presencial e, de acordo com o grau de afeição e vivência, há uma sensação de perda, embora física, que, associada ao grau de sensibilidade das pessoas emocionalmente envolvidas, justifica então o sentimento de pesar que norteia a todos.

A verdade é que, de qualquer modo, com a morte – ou desencarne, o espírito é que se liberta do envoltório corpóreo, nas condições em que se encontrava, tornando-se livre das limitações do organismo físico para sua atuação espiritual. O que, considerando unicamente por esse aspecto, representaria um motivo de contentamento e não de tristeza, não fora a conotação humana e o comportamento social pesaroso esperado e vivido normalmente nessas ocasiões.

Portanto, sabendo de tudo isso, além da realidade espiritual de que nada acontece por acaso, faz-se necessário nos resignarmos em qualquer circunstância, como estudado no texto – Tudo Tem Sua Utilidade e Nada Acontece por Acaso , e que a morte, sempre condicionada ao estão evolutivo em que nos encontramos, simplesmente é a grande passagem desta para outra dimensão – o retorno à verdadeira vida: espiritual, eterna.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A alegria de viver

Em minhas observações habituais quando caminhando em meio às pessoas com quem dividimos o espaço público da cidade, no ir-e-vir comum das atividades de rotina, pus-me a refletir, como sempre procuro ocupar o meu pensar, sobre a percepção que tenho do aparente estado de espírito das pessoas, refletido no significativo semblante que exprimem, naturalmente…

E, entre os inumeráveis rostos comuns, alguns revelam claramente estados emocionais que não deixam dúvidas, pelos semblantes estampados. Uns com feições de alegria e simpatia contagiantes, mesmo sem falar com ninguém, aparentando estar, como se diz popularmente, ‘de bem com a vida’, o que igualmente nos deixa sensivelmente alegres, espargindo um clima positivo e agradável ao derredor. Enquanto outros aparentam traços de carantonha que revelam o contrário; e, se observado com a sensibilidade natural como reflexões da vida, havemos de sentir a desagradável negatividade que transparecem e contagiam aqueles que assim se deixam sintonizar.

Por isso, o cuidado que devemos ter com nossas atitudes, quer sejam por pensamentos, palavras, gestos ou ações, sobretudo em nossa convivência natural e comum quando, de alguma maneira, estamos influindo no campo mental e emocional de todos com quem interagimos em nossa vida, criando e irradiando energias contagiantes com as atrações magnéticas da mesma sintonia espiritual, positivas ou negativas, consoante a nossa determinação usual.

O que sem dúvida reveste de grande importância e responsabilidade o nosso proceder, por tudo citado acima e, com maior ênfase, em se tratando do aspecto espiritual, que representa nossa verdadeira essência e nos distingue das demais criaturas divinas, justamente pela capacidade de refletir e agir livre e racionalmente… Daí porque devemos envidar todo esforço possível para superação de nossas imperfeições, ainda que latentes, a exemplo das maiores chagas da humanidade – o orgulho e o egoísmo; e as atitudes nocivas como a intolerância, a ambição, a vaidade, e outras mais, de que temos consciência dos malefícios que provocam; para que possamos desfrutar, enfim, de um mundo de paz e fraternidade.

Considerando ainda que a nossa condição de Espíritos Eternos e as consequências da mesma natureza, em função das leis de causa-e-efeito e ação-e-reação a que estamos naturalmente afetos; fazem-nos meditar sobre a necessidade da busca do aperfeiçoamento com as mudanças – pessoais e, por conseguinte, coletivas, que não devemos mais adiar e que a transição espiritual exige como imperativo moral-espiritual para que o bem prevaleça sobre o mal; e assim não mais tanto sofrimento expiatório como hoje vemos, consolidando-se então o Plano de Regeneração que a Terra alcançará. O que, se devidamente estudado, ponderado e bem entendido, disso, com bom senso, podemos ter certeza.

Deste modo, creio que procurar sempre estar equilibrado, integrado à família universal, em harmonia e interação com todos e em concordância com as divinas leis da natureza; são deveres nossos como cristãos.

E estendamos o bem e a alegria em torno de nós, demonstrando isso com contentamento e serenidade, gratos a Deus pela oportunidade de aqui estarmos, deixando transparecer em nosso semblante irradiante, a alegria de viver.

 

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Em Respeito às Leis da Natureza

Reflito sobre a nossa obrigação moral de agir em respeito às leis da natureza, que está sempre nos revelando a sapiência divina em todo seu esplendor, desde os mínimos detalhes como o desabrochar de uma flor, à exuberância de uma floresta, uma montanha coberta de neve, o mar imenso, enfim em tudo que possamos observar na imensidão do Universo infinito; desde que estejamos atentos, com a ‘visão da alma’ que excede a dimensão humana e não apenas sob o olhar e as preocupações imediatistas presas ao restrito círculo terrestre do ter e não do ser, do Homem e não do Espírito.

E, como devemos saber, das nossas ações em desacordo com as divinas leis da natureza originam-se todos os distúrbios que podemos observar. E não somente aqueles que percebemos claramente e que muito se divulgam nos meios de comunicações, como os desequilíbrios ecológicos que vêm provocando tantos desastres em todo o mundo. Tenhamos certeza de que todos os problemas que enfrentamos, sejam coletivos ou pessoais, advém igualmente por agirmos com egoísmo, a maior chaga da nossa sociedade; em contrapartida às leis de Amor, que resume as atitudes como a caridade, o perdão, a tolerância, com a compreensão dos ensinamentos divinos de que todos somos irmãos.

Meditemos com o entendimento de que todos nós fazemos parte da grande família humana, como criaturas divinas que somos e como tal, devemos cuidar de sua integridade, em benefício de todos, sem prejuízo de ninguém. De modo que possamos conviver em equilíbrio, como irmãos. E para isso, preciso é que nos esforcemos sempre com a prática das virtudes necessárias para uma convivência responsável e fraterna, conscientes de que ninguém vive apenas para si; como tão bem nos ensinou e exemplificou o Divino Mestre Jesus; o que costumo repetir por ser Ele o nosso modelo e guia que devemos seguir, para um mundo melhor, em paz e harmonia.

Por isso, agindo contrariamente, como por exemplo, quando ficamos alheios aos sofrimentos por que passam nossos irmãos menos favorecidos e egoisticamente possamos cogitar que não devemos nos preocupar com o mal que não nos atinja diretamente; ou os desmandos sociais praticados por alguém que incumbido de atuar para o bem comum, age erroneamente pensando apenas em seu próprio benefício, o que resulta sempre em prejuízo do próximo de alguma maneira; tudo em contraposição aos ideais de fraternidade, do – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Marcos, 12 : 30,31); e dessa forma, contribuindo para a desarmonia, os sofrimentos de muitos, causando dissabores e distúrbios, ainda que não tenhamos consciência disso.

E, sem dúvida, tais procedimentos equivocados são as causas dos efeitos nocivos que tanto presenciamos ainda hoje, como resultado da inexorável lei espiritual de causa e efeito. O que revela ainda estarmos distantes do equilíbrio desejado, e, de um modo geral, não condizente com o Estágio Espiritual por vindouro – de Regeneração – que a Terra alcançará, sem dúvida. O que urge de todos nós um maior esforço no sentido de buscarmos as transformações necessárias para sermos merecedores de aqui permanecermos pela sintonia espiritual deste orbe, quando da plena consolidação do novo Estágio Espiritual, já em fase de transição, em que prevalecerá o Amor, com o Bem se sobrepondo ao mal. Então, imaginemos o quão será bem mais feliz este Planeta e os Espíritos – reencarnados e desencarnados, aqui vinculados.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

O sofrimento educa

      Ora reflito em relação aos questionamentos que ouço sobre a razão do sofrimento que acomete a tantos, inclusive atingindo aqueles que costumam conviver fazendo o bem em geral e aparentemente cumpridores de seus deveres como cidadãos. Como também com relação aos animais, que não tendo livre arbítrio, vivem em estrito cumprimento às leis biológicas, naturais, e, portanto, sem motivações de culpas pregressas que pudessem originar qualquer efeito expiatório, como nós.

Como é de conhecimento geral e de fácil compreensão para todos, sobretudo para aqueles que já têm o entendimento da realidade espiritual; as maiores motivações dos nossos sofrimentos originam-se em nosso passado de procedimentos errôneos em contraposição às divinas leis da natureza, resultando em sofrimentos pelas dificuldades e adversidades de toda sorte que enfrentamos no presente, como resultado da inexorável lei divina de causa e efeito, a que estamos submetidos.

O que se coaduna com a extraordinária lição de Emmanuel, quando disse – “…… há épocas em que as feridas do corpo são chamadas a curar as chagas da alma, e situações em que a paralisia ensina a preciosidade do movimento. ……” (extraída do livro “Fonte Viva”, c. 89 – psicografia de Chico Xavier).

A verdade é que, meditando bem, com a ajuda dos ensinamentos contidos na coletânea básica do Espiritismo e em outros esclarecedores livros de que dispomos na extensa biblioteca espírita, como a obra supracitada, encontramos respostas para todas as nossas dúvidas, como característica, sem dúvida, da terceira revelação divina, o consolador prometido.

Assim, aprendemos que as dificuldades e adversidades com que nos deparamos, como já citei, não só acontecem como expiação de nossas culpas, necessariamente, conquanto sejam estas as causas mais comuns.  Ocorrendo também como forma de aprendizado espiritual; exercício vivencial de aplicação da força de vontade e do esforço para superação de todos os obstáculos que se nos apresentam nas experiências reencarnatórias.  Significando igualmente provações, como forma de apurar o nosso Espírito na senda do aperfeiçoamento a que estamos destinados como criaturas divinas que somos.

Do mesmo modo como os animais convivem com esses processos dolorosos, como podemos perceber em muitos deles, necessários para o desenvolvimento do princípio vital existente em todos os seres criados por Deus, embora sem a individualidade e o raciocínio próprios dos homens, já detentores de tais características que determinam a responsabilidade do livre-arbítrio e evidenciam a diferença entre os reinos da natureza.  De antemão, considerando a complexidade do tema neste aspecto e a necessidade de uma argumentação mais ampla que aqui não cabe estender.

Por isso, para que possamos buscar o entendimento da verdade, evitar sentimentos de revolta, medo e outras emoções negativas ante o desconhecido, o que pode levar a estados prejudiciais de instabilidade, desespero e até transtornos psíquicos mais graves; creio ser imprescindível a compreensão da realidade espiritual, tal como nos esclarece os postulados espíritas, o que podemos conseguir com bom senso, estudo sério e perquiridor, e só assim, certamente podemos vivenciar em paz e harmonia.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]