Evidências da Nossa Realidade Moral-Espiritual

Inicio esta reflexão lembrando, como por extensão, de outra contida no texto “Manifestações da Nossa Realidade Evolutiva”, e que ainda relembra uma outra – “A Barbárie Remota ainda Perdura”; por considerar que englobam-se na mesma linha de raciocínio em que tratei do comportamento humano como Seres Espirituais que somos e evidenciamos em nossas exteriorizações, mesmo inconscientemente.

Refiro-me, agora, aos recentes acontecimentos sociais, de natureza policial, na região metropolitana do Recife, quando a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do Estado decretaram greve (15.05.2014), reduzindo drasticamente o policiamento nas ruas… Foi o bastante para que alguns grupos se aproveitassem desse estado para promoverem saques a lojas e assaltos em vários pontos da região. E a expressão que mais se aproximou da realidade foi usada pelos meios de comunicação – “um verdadeiro caos!”. As casas comerciais em geral fecharam as portas, encerrando os trabalhos mais cedo; o movimento de veículos diminuiu drasticamente, deixando as ruas quase desertas; a população preocupada, com medo não saia às ruas; inclusive as Redes de TV locais filmaram e mostraram nos jornais televisivos, sobretudo os saques e o vandalismo empregado pela turba ensandecida. Foi algo inusitado, fugaz como sempre acontece, mas deixando um rastro de destruição, prejuízos e medo. Pelo simples fato de se haver propagado que não havia policiamento nas ruas… Deixando-nos a indagar: Por que tudo isso?  Onde a ética?  Os princípios morais que devem nos reger?  A própria consciência? …

Sem me alongar em comentários sobre a pronta atuação da Força Nacional de Segurança Pública, do Exército Brasileiro e da própria Policia Militar de Pernambuco, em caráter emergencial; por não ser o objetivo deste Blog, como diz bem sua denominação; tampouco sobre os aspectos políticos e socioeconômicos, que precisam e devem ser analisados pelos setores competentes dos Poderes Públicos e Privados, para que fatos como estes não mais se repitam:

Reflito tão somente sobre como tais fatos atestam a inferioridade moral-espiritual em que nos situamos como uno espiritual em vivência coletiva nesta dimensão terrestre, embora tenha sido perpetrado por uma minoria. E como tal, ainda temos que conviver com tais dissabores, por estarmos no mesmo plano incorpóreo, muito embora as grandes diferenças individuais ou mesmo grupais.

E não podemos esquecer de como fenômenos negativos como este exercem uma influência tão grande em uma coletividade, a ponto de deixar a maioria atônita, perturbada, provocando medo e extemporâneas mudanças de hábitos. Ao mesmo tempo em que nos faz meditar sobre como seria a barbárie de tempos remotos, em que prevalecia a ‘lei da força, do mais forte’ e o quão certamente já fomos piores e tão desumanos… E, por termos evoluído um pouco mais, nessas ocasiões aflora um sentimento de tristeza, indignação e clamor por justiça… humana! …

Porque, a justiça Divina sempre se efetua, de todos os modos, em qualquer circunstância, a todo momento.  E nada é por acaso.  Ainda nessas ocasiões, há uma razão de ser e acontecer, de nossa inteira responsabilidade, enquanto configurados como um todo coletivo de que já falei; por contrariarmos as leis da natureza em seus aspectos Divinos; pelo que fomos e ainda somos; pelo que fizemos e ainda fazemos; mergulhados nas ilusões mundanas e afastando-nos da lei de amor e caridade tão bem ensinada e exemplificada pelo Divino Mestre Jesus; e que a nossa limitada visão só nos deixa entrever, quando deveríamos, além de ver, bem compreender e praticar, como verdadeiros cristãos.

Estejamos conscientes de que a transição planetária está acontecendo, ainda que não percebamos, e é preciso que estejamos atentos para as mudanças imprescindíveis a fim de que, como Espíritos eternos, possamos usufruir do Plano de Regeneração; evidenciando a nossa realidade renovada e não mais de tal modo…  E assim será!  Disso tenho convicção.

 

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A FELICIDADE – TÃO PERTO E TÃO LONGE …

Reflito agora sobre uma cena emocionante que observei, em breves segundos, há algum tempo passado: Quando, por detrás de um supermercado em um depósito de lixo, uma mulher tendo ao lado uma pequena criança, ocupava-se em sua luta pela própria sobrevivência e certamente da criança, em busca de restos de comida… e de repente encontra um pedaço de queijo (desses fatiados) que logo começa a  soprar e sacudir, como se pudesse limpá-lo da sujeira do local, que por si só diz tudo, e o colocou sobre um pão que já estava em cima de uma mureta próxima…  E, então, vi e senti a enorme felicidade que resplandecia em seu semblante, por aquele achado e a oportunidade, provavelmente rara, de tal refeição… Emocionei-me, deveras, dessas emoções de encher os olhos d’água, indescritível, sentindo-me em seu lugar… Creio não ter a capacidade de transmitir fielmente tal emoção…

Não obstante todos os aspectos implícitos que ocasionaram o cenário descrito, sugestível de comentários sob outros ângulos, como, por exemplo, as consequências das políticas econômico-sociais de longas datas; a responsabilidade de todos os setores da sociedade como um todo; atenho-me às reflexões que caracterizam a natureza deste Blog.  E fico a imaginar o quanto devemos agradecer a Deus pelo que temos e desfrutamos, e nos resignarmos de algum modo quando necessário, em certos momentos de escassez ou apenas da falta de algo mais, em que muitos reclamam tanto, blasfemam e até maldizem a própria sorte, sem se darem conta do que seja verdadeiramente escassez e fome, como o caso mencionado que, infelizmente, é mais comum do que imaginamos, ainda hoje.

Ao mesmo tempo em que fico a meditar sobre o que realmente representa os momentos de felicidade, ou o que é ser feliz, verdadeiramente… E posso afirmar que, como descrevi inicialmente, naqueles breves instantes aquela pobre mulher retratou um semblante feliz, com tão pouco… Ainda que sem questionar sobre sua realidade e a de diferentes outras pessoas, mas, tão somente sobre a emoção daquele momento.

E, certamente podemos perceber que não é preciso ser favorecido pela boa sorte ou a fortuna para ser feliz, como denominam os dicionaristas nos significados encontrados para tal vocábulo. Vou mais além: bastam simples momentos de emoções positivas, independente até das circunstâncias que os cercam; das limitações ou carências que circundam a vida de tantos; para estar feliz. E assim me expresso por acreditar que, a rigor, nas condições espirituais em que nos encontramos, de transitórias imperfeições, dificilmente podemos ser feliz – o que indica permanência; mas, apenas estar feliz – o que indica a nossa atual condição humana de efemeridade, instabilidade…

Por isso, como penso e já falei em outros textos, ainda mourejamos neste Planeta, regidos pelas leis de causa e efeito que efetivam as provações e expiações porque passamos e devemos superar, vislumbradas nos quadros representativos de sofrimentos e instabilidades com os quais vivenciamos cotidianamente. O que não deve sugerir nunca mera aceitação inerte, ao contrário, a força de vontade para superação e as transformações necessárias, sabiamente resignados e gratos à Deus, pela infinita bondade e misericórdia representadas no amparo constante dos Espíritos Iluminados, comumente chamados de Anjos de Guarda, iluminando e amparando nossos passos, ainda que não possamos perceber nem compreender, mas, que estão sempre interagindo em nosso favor, como Missionários Divinos.

Portanto, que tenhamos a boa vontade para compreensão da nossa realidade, sendo feliz como estamos, em qualquer condição, conscientes de que tal estado de espírito, para configurar-se tão perto ou tão longe, só depende de nós próprios, dos nossos pensamentos e sentimentos em relação à vida e ao Universo infinito.

 

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

QUEM SOMOS? E QUE SOMOS?

      À primeira pergunta, respondemos logicamente com as características humanas que naturalmente nos identifica; indicando a nossa condição pessoal – social, profissional, intelectual, etc.; que nos tornam conhecidos e sociáveis, de acordo com a nossa interação sociológica.  Quanto ao segundo questionamento, creio que transcende à realidade apenas física, material, e, por isso, a necessidade de refletir bem, principalmente sobre os aspectos filosóficos e espirituais; o que nos impele sempre à incessante busca da verdade iniludível, que deve ser sempre com a necessária boa vontade e isenção de ideias preconcebidas e sectárias, de preconceitos e pensamentos ortodoxos conservadores; alicerçada na razão e no bom senso, que nos torna, pelo conhecimento, equilibrados e, conscientes dessa realidade, em harmonia mental-espiritual.

E, estendendo esta reflexão, não podemos deixar de reconhecer e enaltecer a magnitude do caráter sapiente e revelador do “Livro dos Espíritos”, em que seu autor – Allan Kardec inicia com a primeira pergunta – “Que é Deus?” (e não Quem), isentando a pergunta e consequente resposta, do antropomorfismo sempre implícito nas ideias humanas em relação à natureza de Deus – “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” – qual nos esclareceram”, nesta obra, os Espíritos iluminados – Missionários Divinos, como “3ª Revelação” – o “Consolador prometido” (João, c.XIV: v.16, 17, 18 e 26); completando esses ensinamentos em todas as obras básicas da Doutrina Espírita.

Por isso, nesse contexto, para entendermos o que realmente somos, basta nos atermos ao raciocínio supramencionado e assim nos conscientizarmos de que, antes de tudo, somos Espíritos eternos, sob as leis de causa e efeito, ação e reação, como tal em consonância com as leis da natureza, interagindo com tudo e todos, inevitavelmente, em contínua evolução. Esta a razão primordial e inteligível de aqui estarmos reencarnados, com a carga de desequilíbrios e desajustes do nosso pretérito para a imprescindível tarefa de reequilíbrio e reajuste, que se faz necessário. E, decerto, representa a explicação mais verossímil para o que nos acontece e tudo mais que ocorre de modo geral – individual e coletivamente.

Este é o real significado, a grande resposta a todas as dúvidas a respeito de todos os fenômenos que ocorrem em nossas vidas e ficamos a indagar – por que?… As congênitas – aptidões, tendências, predisposições a tantos males, alguns graves; que representam, na verdade, exteriorizações dos nossos arquivos perispirituais, preexistentes, como esboços que estabelecem a nossa formação orgânica e toda sua fisiologia, do embrião ao ser completo; dando origem, formando e resultando no corpo e na personalidade que caracteriza cada um de nós. Por isso, toda essa heterogeneidade, mesmo entre parentes da mesma consanguinidade; o que demonstra a individualidade moral-espiritual de cada um de nós, que, como espírito, preexiste e subsite a existência física, em cada reencarnação que propicia as mudanças, até mesmo as transformações, consoante a força de vontade e os esforços para isso empregados.       

Sem aprofundar o assunto sobre os casos de deficiências físicas e mentais, entre outras patologias, que tem as mesmas origens e explicações acima mencionadas, mas, que requer um maior espaço para tornar compreensível toda a grande problemática aí envolvida, inclusive os complexos quadros obsessivos; o que se torna inadequado neste simples texto.

Em suma, somos ‘hoje’ o resultado do que fizemos ‘ontem’; e seremos ‘amanhã’ a soma do que fizemos antes e estamos fazendo agora, como espíritos eternos em existência real e absoluta.

Destarte, com plena convicção, em resposta à pergunta em epígrafe: eis o que somos!

 

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Ah! Se Eu Soubesse

A exclamação com que inicio a presente reflexão, figura como título de um livro em que a autora – Rose dos Anjos, por meio de sua mediunidade, psicografou o relato das experiências de Espíritos recém-desencarnados (pós-morte física), sobre as vicissitudes da realidade encontrada na dimensão espiritual, após o desencarne. Não li o citado livro, mas, como a própria expressão revela, entendo claramente que retrata o verdadeiro sentimento daqueles que, não raro, alheios à realidade da vida espiritual que transcende à morte física, exprimem sentimentos de surpresa e consequentes remorsos, arrependimentos e tristeza, de conformidade com os procedimentos em vida.

Preciso é, portanto, que busquemos entender a nossa realidade espiritual, pelo estudo, a devida aplicação e esforço na busca da verdade, sempre alicerçada no bom senso e na reflexão voltada para a compreensão da dimensão espiritual, por todos os meios de que abundantemente dispomos, para, quando chegar o nosso inevitável momento, ainda que desejavelmente distante, não tenhamos o dissabor de enfrentar tal surpresa e reações, próprias de quem desconhece tudo isso, apesar dos ensinamentos Divinos que nos foi exemplificado e vem sendo revelado, há dois mil anos.

Não podemos mais protelar tal entendimento. Os ensinamentos estão aí, ao nosso dispor, de fácil acesso, em todos os níveis, para compreensão de todos nós. A fenomenologia espiritual se revela a todo  momento, evidenciando tal realidade que não mais podemos ignorar. Os mensageiros da Boa Nova se multiplicam e se desdobram com boa vontade e abnegados esforços, em todos os rincões do nosso Planeta, esclarecendo, mitigando nossos sofrimentos e iluminando nossos rumos; bastando estarmos atentos, dispostos ao entendimento e às mudanças imprescindíveis.

Portanto, não percamos tempo em ocupações inúteis, atitudes descabidas, pensamentos impróprios que dão origem a tantos dissabores, sobretudo pelas sugestões das sombras implícitas em entretenimentos abjetos que grassam em muitos tipos de comunicação de massa, divulgados pela mídia em geral e que atinge o público em cheio com os modismos de todas as formas e tão em voga, onde predomina a vulgaridade em detrimento dos bons costumes, das boas ideias, das artes nobres. Enfim, busquemos sempre nossa elevação moral-espiritual, em tudo; e nunca nos percamos nas trilhas que levam ao contrário.

É fundamental, então, a nossa força de vontade para que, com o necessário esforço, se efetuem as mudanças que se fazem necessárias e que possamos assim transformar esse quadro social que ora vislumbramos, em decorrência das negatividades supramencionadas que levam ao descaso e aos desvarios tão prejudiciais, pela cumplicidade implícita em tudo isso, de que somos de certa forma responsáveis, enquanto seres sociais em perfeita interatividade com tudo e todos. Daí porque não podemos abdicar de nossa responsabilidade para tanto, que nos cabe, a fim de que tenhamos a nossa consciência tranquila com o dever cumprido.

Enfim, julgo oportuno lembrar nesse contexto as sábias palavras do maravilhoso Emmanuel, por meio da psicografia do inesquecível Chico Xavier, quando disse “… Aprende a participar da luta coletiva. Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.  Não te galvanizes na esfera do próprio “eu”.  Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão-somente para si.  Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências. …” (Fonte Viva, c. 143).

Destarte, urge vivenciarmos, desse modo, o verdadeiro cristianismo, e não tenhamos que repetir: Ah! Se eu soubesse…

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]