A Barbárie Remota ainda Perdura

Refletindo sobre um trágico acidente ocorrido há algum tempo, em que se pôde assistir ao vivo, por um famoso canal de TV, uma fratura exposta na perna, protagonizada por um lutador brasileiro numa luta denominada MMA / UFC, quando a própria vítima é que desferiu um violento chute em seu adversário e ‘se deu mal’; de que soube por noticiários bastante divulgados na ocasião. Meditei sobre tal evento da forma como intitulei e assim penso…

Que me perdoem os admiradores e adeptos de tais eventos, com o devido respeito a toda forma de pensamento e entretenimento, mas, não me parecem coerentes com a evolução moral-espiritual que se almeja, racionalmente, em pleno Século XXI. Pela própria caracterização de tais eventos, como podemos perceber nas suas origens e explicações encontradas, como sejam: “MMA ( Mixed Martial Arts = Artes Marciais Mistas) nasceu das lutas clandestinas promovidas por academias entre estilos marciais diferentes. Das técnicas de combate mais eficientes entre as diversas artes marciais, um novo estilo, batizado de MMA. (O componente stand up da luta livre, que inclui estrangulamentos para submeter o adversário, socos e chutes, comocotoveladas e joelhadas, foi desenvolvido para completar a arte). As lutas em si eram chamadas de Vale-Tudo. Alguns eventos se destacaram, entre eles o UFC (Ultimate Fight Championship).

Por esta mostra explicativa, imagina-se a essência da natureza de tal prática. A forma brutal como seres humanos assim se digladiam, para delírio de uma plateia ávida por violência e desse modo, creio, deva se imaginar no lugar dos lutadores, numa simbiose mental que por certo simboliza um aspecto sintomático de natureza psicopatológica, que não cabe aqui interpretar, por seus requisitos inerentes a área da ciência da psicológica. Mas, que só assim cogitando posso entender tal prazer mórbido ser considerado como divertimento e não consigo, por mais que me esforce (e isso não quero!), imaginar poder assistir tal coisa; muito menos por bel prazer.

Sinceramente, repetindo o pedido de perdão aos adeptos, parece-me realmente um retrocesso aos tempos de barbárie em que os escravos treinados para isso como Gladiadores, na Roma Antiga, se digladiavam até a morte em cruéis espetáculos no famoso Coliseu – símbolo do Império Romano. Lutas que foram oficialmente banidas no reinado de Constantino I, no ano 325, com o advento do Cristianismo; embora tenham continuado por mais de um século após a proibição, como a História nos revela.

Cogito e assim exponho meu pensamento por considerar que a nossa evolução, sob todos os aspectos, presume mudanças de comportamentos naturalmente sempre para melhor, de hábitos sadios, condizentes com o progresso moral, intelectual e, sobretudo, espiritual de todos nós. O que não me parece coerente persistir com qualquer atividade, considerada esportiva, tão violenta. Se assim não acontecesse, para usar um exemplo mais extremo, como força de expressão – ainda estaríamos com os costumes da Idade da Pedra. Assim como, para corroborar meu raciocínio nesse sentido, a sociedade já se conscientizou e aboliu outras formas desumanas de diversão com sacrifícios de animais, por considerar cruéis. E o que dizer em se tratando de seres humanos?…

E o que mais me impressiona deveras, é a grande audiência, infelizmente, que tais eventos alcançam e que ainda se remunera bem para isso. O que leva a indagações correlatas, quais: A que fins úteis se chega com isso? De que modo contribui para melhoria da coletividade? Que exemplos benéficos traz, especialmente para a nossa juventude? O que esperar do futuro de um povo, dessa forma? Isso não destoa com a busca de paz e harmonia que tanto precisamos, com as úteis publicidades tão em voga? E muito mais haveríamos de indagar racionalmente…

Por tudo isso, julgo procedente estes questionamentos e a reflexão de que urge pensarmos seriamente nisso, com as imprescindíveis mudanças de comportamentos, abolindo tudo que possa induzir ou estimular a violência, se almejamos coerentemente um mundo de paz e harmonia, vivenciando o verdadeiro cristianismo.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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Um comentário sobre “A Barbárie Remota ainda Perdura

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