A Carne é Fraca

Refletindo sobre esta locução que todos já ouvimos de alguma maneira, exclamada como um modo de dizer, certamente devemos entender como recurso da força de expressão, usualmente para justificar os erros humanos, sobretudo em relação aos impulsos instintivos de que todos nós somos dotados. O que não condiz com a realidade, porquanto sabemos diferenciar, sem dúvida, ‘o que é do corpo e o que procede do Espírito’ – da mente.

Na realidade, tudo o que demonstra nosso corpo, representado pelo vocábulo ‘carne’, ao contrário da exclamação, é bem forte. E a verdade é que tudo o que fazemos obedece aos ditames mentais-espírituais, ainda que sob os impulsos impensados ocasionais, consoante os intrínsecos meandros que envolvem nossa mente-espírito; e não, obviamente, por força ou fraqueza do organismo físico inerente ao nosso Ser, como sugere a expressão em tela. E a ideia que mais se aproxima da veracidade da expressão é a de que o Ser encarnado é fraco em se tratando da resistência às tentações de toda sorte que se nos apresenta em nossas vivências.

Daí porque devemos nos precaver, ponderadamente, quando das atitudes de toda natureza, sempre buscando seguir a recomendação do Divino Mestre Jesus – “vigiai e orai …” (Mateus, 26:41), antes de agir de modo impensado, ou mesmo reagindo ante as diversas situações com que temos de lidar em toda nossa vida. Sobretudo nos tempos atuais em que as publicidades em voga concorrem sobremaneira para a prática de costumes em que se sobressaem os apelos mercantilistas de toda sorte, enfatizando ‘o ter acima do ser’, além da notória indução ao sensualismo acentuado em todos os níveis.

E, em virtude da nossa condição de imperfeição espiritual atual, mais ou menos acentuada, assim se caracterizam também as ações e reações aos estímulos externos, ou mesmo de conformidade com a própria tendência, quando a vulnerabilidade moral de tantas criaturas ocasionam as impulsivas atitudes de que mais tarde hão de causar arrependimentos ou até mesmo remorsos. Basta procedermos a uma autoanálise mais apurada, para percebermos que todos nós, em algum instante de nossas vidas, já cometemos algum deslize, de alguma forma, o que nos torna nivelados ao mesmo plano espiritual em que mourejamos.

Lembrando sempre que aqui renascemos justamente para corrigir as nossas inferioridades oriundas do nosso pretérito espiritual desequilibrado, evidenciados nas dificuldades por que passamos, as adversidades que enfrentamos e de que não podemos fugir, para os imprescindíveis reajustes, se quisermos superar nossas próprias limitações e prosseguir na luta para o nosso soerguimento, conscientes de que só assim lograremos êxito e alcançaremos, enfim, a paz e harmonia que almejamos, espiritualmente regenerados.

Por tudo isso, urge compreender a lógica da experiência humana reencarnatória, e, ao contrário da ideia em epígrafe, utilizarmos toda nossa força e energia para superação dos obstáculos, ‘vigiando e orando’ para não sucumbirmos às tentações e sugestões inferiores, como vicissitudes humanas que devemos afrontar, para o nosso próprio bem e de todos os nossos semelhantes, levando a efeito a transição para um Mundo melhor.

Disse-nos o maravilhoso Espírito Emmanuel – “a terra é a nossa escola e a nossa oficina”- então, aprendamos e exercitemos o amor em sua essência: ‘amando a Deus de todo nosso coração, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento e de todas as nossas forças; e ao próximo como a nós mesmos’.  Eis tudo!

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Manifestações da Nossa Realidade Evolutiva

Tudo no Universo, como efeito inteligente, evidencia uma “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” – Deus. Assim como todo ente, em si, demonstra a sua própria natureza e serventia, com os sinais que lhes revelam: Os vegetais com seus frutos que alimentam e as flores que adornam; os minerais como fonte substancial para o progresso humano; a água, o ar e tudo mais, que representam mananciais divinos com suas utilidades imprescindíveis à existência humana, sem o que não existiríamos. Da mesma forma que todos nós exteriorizamos, de algum modo, as características que nos distinguem individual e coletivamente.

Reflito sob o assunto em epígrafe com relação às manifestações gerais da humanidade que denotam, pelas características de que se revestem, o nosso real estado evolutivo, quando analisadas sob o aspecto espiritual, ou seja: toda esta situação social com que lidamos, em seus vários aspectos, como a violência que prolifera, as diferenças sociais que ainda perduram e causam tanta miséria, a ambição que corrompe a muitos, e tantas outras; evidenciam a nossa condição de imperfeição moral-espiritual como um todo de que fazemos parte; da mesma forma como, felizmente, existem pessoas e grupos que em contraposição a tudo isso, agem corretamente, e até em benefício da coletividade, altruisticamente.

O que demonstra a heterogeneidade característica do nosso atual estágio evolutivo em geral, de tão diferentes níveis, que abrange notáveis personalidades de exemplares atitudes voltadas ao bem; como também seres da mais baixa condição moral, ainda renitentes no mal, como figuram nos noticiários policiais tão em voga. E, como nos esclarece os ensinamentos espíritas, tudo isso ocorre por ora vivenciarmos o “estágio espiritual de expiação e provas”, de que fazemos parte e onde o mal ainda predomina de algum modo, não obstante o progresso já alcançado e as mudanças efetuadas e em contínuo andamento.

E por isso, devemos nos conscientizar da nossa primordial tarefa de aprimoramento moral-espiritual, tanto no aspecto individual como na decorrente importância para com o aspecto geral, coletivo; buscando exercitar a prática das virtudes tão bem exemplificadas pelo Excelso Mestre Jesus; a fim de que realizando a nossa parte, ainda que ínfima, contribuamos para melhoria do mundo, assim como para nossa própria evolução, razão fundamental de aqui estarmos em mais uma oportuna reencarnação, que não devemos desperdiçar.

Portanto, é preciso que tenhamos coragem e força de vontade para realização das obrigações que nos estão afetas, de que somos eternamente responsáveis e a que responderemos inevitavelmente, perante Deus, refletido em nossa própria consciência. E cedo ou tarde despertaremos para essa realidade, no processo de crescimento de nossa alma, com a superação das dificuldades inerentes à nossa condição de espíritos imperfeitos na busca da própria expansão aos cimos da perfeição possível, ainda que relativa. Bastando para isso, a sintonia superior com a prática do bem em sua expressão mais sublime – a caridade para com os nossos semelhantes na figura dos necessitados de todo instante.

Cuidemos então de evitar as manifestações malconduzidas, a fim de nos aperfeiçoarmos com a prática de condutas corretas e assim contribuirmos pelo próprio exemplo, em benefício de todos, para um mundo melhor, coerente com os avanços esperados no Século XXI, em que se dará a transição necessária para consolidação do próximo ‘Estágio Espiritual de Regeneração’, onde o mal não mais predominará, tornando-se mais homogêneo e fraterno, em paz e harmonia.

Fácil imaginar o quanto a humanidade será, verdadeiramente, bem mais feliz…

 

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO EM NOSSAS VIDAS

Pensei e escrevi certa feita, como conceito: ”Nós realmente somos o que pensamos, idealizamos, e nem sempre o que dizemos, aparentamos.” Estendendo esta reflexão à nossa realidade vivencial cotidiana, podemos perceber isso, naturalmente, em nossa experiência própria… Como vemos os personagens políticos e suas convenientes aparências e atitudes; até nossos conviventes comuns, com quem interagimos socialmente, quando assim agem em função de seus objetivos, principalmente em se tratando de interesses pessoais, de acordo com as propositadas necessidades.

E devemos estar conscientes disso, compreendendo como um processo usual, às vezes até de modo inconsciente, sem premeditação, como o modo aconchegante infantil quando em seus ingênuos peditórios, para usar um exemplo real típico e naturalmente sincero. Diferentemente, claro, do modo usado por pessoas adultas, quando dos interesses de todos os matizes e que, para isso, se revestem da aparência convincente com seus propósitos, como já citei acima.

Desejo ressaltar a importante reflexão sobre os nossos pensamentos e suas influências sobre nós próprios e sobre todos com quem convivemos e interagimos. A sintonia mental gerada instantaneamente com as energias espirituais da mesma natureza, multiplicando o potencial de nossas ideias, palavras, gestos e atitudes com que materializamos tais pensamentos, para o bem ou para o mal, tendo como resultado a nossa realidade viva, que aí está, como estamos e vivemos…

E, com certeza, sob as influenciações magnéticas quase sempre imperceptíveis, sobretudo em nossas conversações, guardamos em nós as manifestações dos pensamentos alheios, da mesma forma que os outros também absorvem as nossas mentalizações verbalizadas… E, assim, envolvemos e nos deixamos envolver, agimos e interagimos, nos emaranhados do nosso psiquismo-espiritual, com a certeza de que ninguém vive só, nem para si somente.

Do mesmo modo, assim, como nossos pensamentos e atitudes podem influenciar sobremaneira uma coletividade, produzindo gestos e costumes em todos, como vemos nos exemplos dos modismos tão em voga, da própria linguagem vulgar que caracterizam os sotaques e tudo mais que, massificados de algum modo, distinguem a cultura e hábitos de povos e regiões.

Sem adentrarmos nas considerações sobre os seres dotados de excepcionais dons carismáticos que se tornam líderes, representantes políticos, etc., em todos os tempos e que tantas influências exercem, ajudando ou prejudicando pessoas ou coletividades, como podemos observar e a história nos revela do passado, quando dos induzimentos aos sectarismos de toda natureza, aos distúrbios e às guerras.

E uma das evidências da realidade desta reflexão, sentimos em nós próprios, quando dos transitórios estados mentais que por vezes nos invadem, de ânimo ou desânimo, alegria ou tristeza, que pode aprofundar-se em quadros depressivos, consoante o nosso psiquismo propenso a isso e que tanto observamos e que representam, na verdade, exteriorizações oriundas de nossos pensamentos e atitudes, se procedermos a uma autoanálise mais apurada.

Por isso, a necessidade do imprescindível cuidado com o que pensamos e idealizamos e as consequentes emanações mentais com que nos exteriorizamos; certos de que, inevitavelmente, somos interdependentes e assim, cuidemos de oferecer o melhor de nós para que possamos, naturalmente, auferir o melhor dos nossos semelhantes, em perfeita sintonia, na busca por um mundo melhor, sem tantos conflitos, em paz e harmonia.

Devaldo Teixeira de Araújo. 

devaldo@hotlink.com.br

 [Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A Barbárie Remota ainda Perdura

Refletindo sobre um trágico acidente ocorrido há algum tempo, em que se pôde assistir ao vivo, por um famoso canal de TV, uma fratura exposta na perna, protagonizada por um lutador brasileiro numa luta denominada MMA / UFC, quando a própria vítima é que desferiu um violento chute em seu adversário e ‘se deu mal’; de que soube por noticiários bastante divulgados na ocasião. Meditei sobre tal evento da forma como intitulei e assim penso…

Que me perdoem os admiradores e adeptos de tais eventos, com o devido respeito a toda forma de pensamento e entretenimento, mas, não me parecem coerentes com a evolução moral-espiritual que se almeja, racionalmente, em pleno Século XXI. Pela própria caracterização de tais eventos, como podemos perceber nas suas origens e explicações encontradas, como sejam: “MMA ( Mixed Martial Arts = Artes Marciais Mistas) nasceu das lutas clandestinas promovidas por academias entre estilos marciais diferentes. Das técnicas de combate mais eficientes entre as diversas artes marciais, um novo estilo, batizado de MMA. (O componente stand up da luta livre, que inclui estrangulamentos para submeter o adversário, socos e chutes, comocotoveladas e joelhadas, foi desenvolvido para completar a arte). As lutas em si eram chamadas de Vale-Tudo. Alguns eventos se destacaram, entre eles o UFC (Ultimate Fight Championship).

Por esta mostra explicativa, imagina-se a essência da natureza de tal prática. A forma brutal como seres humanos assim se digladiam, para delírio de uma plateia ávida por violência e desse modo, creio, deva se imaginar no lugar dos lutadores, numa simbiose mental que por certo simboliza um aspecto sintomático de natureza psicopatológica, que não cabe aqui interpretar, por seus requisitos inerentes a área da ciência da psicológica. Mas, que só assim cogitando posso entender tal prazer mórbido ser considerado como divertimento e não consigo, por mais que me esforce (e isso não quero!), imaginar poder assistir tal coisa; muito menos por bel prazer.

Sinceramente, repetindo o pedido de perdão aos adeptos, parece-me realmente um retrocesso aos tempos de barbárie em que os escravos treinados para isso como Gladiadores, na Roma Antiga, se digladiavam até a morte em cruéis espetáculos no famoso Coliseu – símbolo do Império Romano. Lutas que foram oficialmente banidas no reinado de Constantino I, no ano 325, com o advento do Cristianismo; embora tenham continuado por mais de um século após a proibição, como a História nos revela.

Cogito e assim exponho meu pensamento por considerar que a nossa evolução, sob todos os aspectos, presume mudanças de comportamentos naturalmente sempre para melhor, de hábitos sadios, condizentes com o progresso moral, intelectual e, sobretudo, espiritual de todos nós. O que não me parece coerente persistir com qualquer atividade, considerada esportiva, tão violenta. Se assim não acontecesse, para usar um exemplo mais extremo, como força de expressão – ainda estaríamos com os costumes da Idade da Pedra. Assim como, para corroborar meu raciocínio nesse sentido, a sociedade já se conscientizou e aboliu outras formas desumanas de diversão com sacrifícios de animais, por considerar cruéis. E o que dizer em se tratando de seres humanos?…

E o que mais me impressiona deveras, é a grande audiência, infelizmente, que tais eventos alcançam e que ainda se remunera bem para isso. O que leva a indagações correlatas, quais: A que fins úteis se chega com isso? De que modo contribui para melhoria da coletividade? Que exemplos benéficos traz, especialmente para a nossa juventude? O que esperar do futuro de um povo, dessa forma? Isso não destoa com a busca de paz e harmonia que tanto precisamos, com as úteis publicidades tão em voga? E muito mais haveríamos de indagar racionalmente…

Por tudo isso, julgo procedente estes questionamentos e a reflexão de que urge pensarmos seriamente nisso, com as imprescindíveis mudanças de comportamentos, abolindo tudo que possa induzir ou estimular a violência, se almejamos coerentemente um mundo de paz e harmonia, vivenciando o verdadeiro cristianismo.

Devaldo Teixeira de Araújo

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]