A Inteligência Instintiva e o Uso da Razão

Certo dia, em minhas apreciações e meditações, à janela do apartamento, observei uma cena significativa da natureza divina e maravilhosa: vendo um pássaro que voava em direção a uma árvore com um pequeno ramo em seu bico, naturalmente para construção de um ninho, ensejando a natural procriação e perpetuação da espécie, de que todos temos conhecimento.

Fiquei a refletir, então, sobre a magnitude da vida vislumbrada nesse quadro, pela simples atitude instintiva de um animal, mas, que assim contribui para o perfeito equilíbrio de todo ecossistema que vivenciamos e interagimos.  A extraordinária importância da inteligência instintiva, nesse gesto como em outros da mesma natureza, demonstrando a sapiência Divina em tudo prover para o equilíbrio planetário e Universal…

Não pude evitar a digressão comparativa conosco, com nosso livre-arbítrio, nosso raciocínio permeado de interesses imediatistas característicos do nosso egoísmo humano, quando desviados da autenticidade natural, instintiva; e fiquei a imaginar como seria, então, com as possíveis dúvidas ocasionadas em tal situação: A começar pelo tipo, forma, tamanho da própria vivenda, as possíveis comparações e intermináveis projeções; os questionamentos sobre a validade daquela atitude e suas consequências; os – por quê?  Para que? Quando/ Como? etc. Que acabariam por impossibilitar a ação, reduzindo certamente a procriação e influenciando sobremaneira o equilíbrio natural.

De certo modo, não é isso que acontece conosco?  As discussões em voga sobre a validade prática da união matrimonial, o controle de natalidade, os questionamentos sobre os efeitos da gravidez na beleza plástica feminina e os consequentes desgastes, do ponto de vista unicamente material, físico, egocêntrico, e tudo mais que resulta na grande redução do número de filhos, comprovadamente…  Contudo, sem menosprezo das razões econômicas e sociais pelas dificuldades encontradas hoje e cada vez mais, para tal intento, que limitam e influi sobremaneira sobre essa realidade.

Ainda assim, conquanto o uso necessário da razão de que somos dotados, para o nosso próprio bem, pessoal e comum, sobretudo com os aspectos realistas que a própria sociedade humana impõe, é fácil perceber o quanto nos distanciamos da natureza em sua essência, muitas vezes sobrepondo a racionalidade com seus individualizados desvios, que induz a erros; às vezes contrários à inteligência instintiva, que nunca se desvia nem causa erros, por sua essencial natureza.

Ainda continuando a digressão inicial, lembro o grande pensador clássico, – o humanista Erasmo de Rotterdam (1469 – 1536) e suas sátiras humoradas sobre o comportamento humano, em seu libelo “Elogio da Loucura”, em que afirma como indagação: “O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direção do casamento? ……  Qual a mulher que cederia às demandas amorosas de um homem, se tivesse pensado a sério nos incômodos da gravidez, nas dores, nos perigos do parto e nos trabalhos penosos da educação? ……”

O que indica que os desvios da racionalidade em contraposição à inteligência instintiva, a que me refiro acima, e os questionamentos a esse respeito, vêm de longe…

Devaldo Teixeira de Araújo. 

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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