Ninguém Vive Apenas para Si

A rigor, ninguém vive apenas para si. Conquanto indivíduos e conservarmos a nossa individualidade espiritual ao longo das reencarnações, somos seres sociais e como tal interagimos, necessariamente, com a comunidade da qual fazemos parte ativamente, de alguma forma, em toda nossa vida. A realidade, bem observada e estudada, nos mostra isso, a começar pela razão fundamental da nossa existência biológica: a gestação de que dependemos, obviamente, da genetriz. E, a partir daí, toda a formação, o acompanhamento com os imprescindíveis cuidados, etc., inclusive com o importante processo da educação que envolve, além dos pais, todos os educadores nas diversas etapas da vida.

Dito isto, por si só, bastaria para justificar a assertiva em epígrafe, mas, não podemos esquecer nossa interação ao longo da nossa existência, da qual não lograríamos êxito, sem dúvida alguma, sem o concurso de todos à nossa volta, com quem necessariamente nos relacionamos e dos quais dependemos, de alguma forma. Desde o berço, quando dependemos dos cuidados permanentes de outrem, e aí está nosso próximo ajudando-nos em nossa interatividade existencial; como, em continuação, sobrevém a infância com as mesmas características que não é preciso repetir, evitando a prolixidade.

E assim, como vemos, transcorre a humanidade, evidenciando claramente a indefectível lei da natureza divina, em permanente cooperação recíproca para o equilíbrio e o progresso do mundo e, por extensão, do Universo; manifestando em todos e em tudo, a expressão suprema da Divindade da qual somos centelhas em expansão e perfeita interação…

A começar pelo Sol – astro principal e central do nosso sistema planetário, a irradiar luz e calor imprescindíveis à vida.  Os vegetais, florindo e frutificando, adornando e alimentando, em benefício geral, regenerando a atmosfera com a fotossíntese.  E assim, também, os animais, cooperando e entretendo, com os quais muito nos vinculamos; a água que hidrata e purifica; o ar e a benfazeja aragem, sem o que não viveríamos; e até mesmo os vermes nas entranhas da terra, revolvendo o solo para germinação das sementes, com o que se inicia e desenvolve a própria árvore…

Eis, portanto, a manifestação divina nas coisas mais simples da natureza, como também nas mais  complexas, tantas que não cabe enumerar, e, muitas vezes despercebidas pela maioria, quando a razão encontra-se embotada pela insensibilização voltada para as observações inferiores; e somente nestas circunstâncias é possível entender as manifestações egoístas e vazias, contrárias ao bem comum, em criaturas incapazes de servir ao próximo, voltadas ao apego de si mesmas.

Destarte, ainda quando no domínio de riquezas materiais, de posses, ou de influentes poderes, ninguém em sã consciência, pode afirmar que não depende de ninguém ou nada tem a ver com os outros, – o próximo, ou semelhante, para usar uma linguagem espiritualista. Tudo o mais contrário ao amor divino refletido na fraterna convivência, certamente, é fruto das ideias insanas que caracterizam o egoísmo em suas vis expressões como a vaidade, o orgulho, a maldade.

Que sempre cogitemos de pensamentos ou ideias em consonância com o amor e a caridade, conscientes de que ninguém vive apenas para si.

Devaldo Teixeira de Araujo.

devaldo@hotlink.com.br

(Autorizada a divulgação desde que respeitada a autoria e integridade do texto)

A GLÓRIA DE VIVER E AMAR

Meditando bem sobre a realidade espiritual, a nossa existência como criaturas divinas, e tudo mais que diz respeito a essa maravilhosa concepção do existir, veremos o quão faz real sentido o título com que inicio esta reflexão espiritualista. Procurando entender nossa realidade, percebemos então que estar vivo, ou reencarnar, significa mais uma oportunidade conseguida para que possamos corrigir nossos erros, no aperfeiçoamento de que tanto precisamos para consecução da evolução espiritual possível, a que estamos submetidos, sempre gradual e progressivamente.

Poderíamos até considerar como um grande mérito, uma bem-aventurança, como o título sugere, de que devemos aproveitar da melhor forma possível, vivenciando o amor em sua essência, na aplicação dos princípios virtuosos de que temos consciência e muito nos tem sido ensinado em todas as épocas, como até hoje, cabendo a todos nós o esforço contínuo na prática desses ensinamentos imprescindíveis, o que, infelizmente, nem sempre acontece…

Em geral, quando mergulhados na experiência carnal, nos enfrentamentos das adversidades características do estágio evolutivo que vivenciamos, nos perdemos nos labirintos existenciais em que nos envolvemos, em meio às influências de toda sorte, esquecendo muitas vezes da verdadeira finalidade pela qual aqui nos encontramos – amar em vida. E daí os desajustes, o comprometimento de consequências desastrosas, na medida de nossas atitudes contrárias à Lei. E então, a necessidade de mais reencarnações para as devidas e inevitáveis correções, até as mudanças que nos torne não mais suscetíveis a isso. Essa é a grande verdade de que urge termos consciência e força de vontade para o entendimento e a prática vivencial.

E algumas vezes pode até sobrevir a dúvida: por que algo como o comportamento e atitudes corretas, aparentemente tão simples, tornam-se difícil para nós?  A resposta encontra-se no parágrafo anterior, considerando a nossa condição atual, em que a natureza pusilânime e egoística ainda prevalece, fazendo com que busquemos as facilidades e ilusões mundanas ao invés do caminho reto que nos leva ao aperfeiçoamento espiritual, consoante a parábola da porta estreita citada por Jesus, encontrada nos Evangelhos de Mateus, 7: 13 e 14; e igualmente nos textos de Lucas, 13: 23 a 30; como também muito bem explicada, ou mesmo relembrada em seu teor primitivo, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XVIII.

Portanto, é realmente assaz lamentável não termos ainda a plena consciência das oportunidades concedidas pela infinita misericórdia divina e desperdiçadas dessa forma, nas existências sucessivas de que dispomos e não aproveitamos, por nossa própria negligência, comprometidamente, como espíritos imperfeitos que ainda somos.

Por tudo isso, tenhamos a necessária força de vontade, imbuídos do “amar ao próximo como a nós mesmos”, com a certeza de que basta estudar e refletir para então, vivenciando, confirmar que viver e amar representa uma glória, que não devemos mais desperdiçar.

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Quem é o Nosso Próximo

Meditando com Emmanuel e suas esclarecedoras lições, reflito sobre o aspecto infinito contido nos ensinamentos dos Missionários Divinos destinados a nos esclarecer, em todas as épocas, para toda posteridade.

Se observarmos atentamente, com a mente e o espírito em sintonia iluminada, veremos que os ensinamentos dados por eles esclarecem as dúvidas não só de quem os ouviu diretamente, partícipes à época, mas, de todos em geral interessados em saber as verdades eternas, para esclarecimento de toda humanidade, de que fazemos parte…

Desde Abrahão, o patriarca; o líder Moisés e as leis de sua época; da compilação bíblica com o Velho e o Novo Testamento; da Codificação Espírita como 3ª Revelação e o Consolador prometido; até os ensinamentos de hoje e sempre, transmitidos por Espíritos de Luz que as religiões tradicionais sempre denominaram de Espírito Santo, como uno; assim como todos os profetas e missionários, mais ou menos conhecidos, são tidos e venerados como santos; os quais apenas se revestem da sabedoria divina, nos ensinando e iluminando, sobretudo com o exemplo de atitudes; desde que estejamos receptivos, em mente e espírito.

E um dos mais significativos exemplos é o citado pelo Apóstolo Lucas, em que descreve a resposta do Mestre Jesus quando perguntado, em questionamento provocativo, por um perito da lei: “E quem é o meu próximo?” (Lucas, 10:29).  Ao que o Mestre respondeu com a “Parábola do Bom Samaritano”, mostrando qual a verdadeira atitude que devemos tomar para com o nosso semelhante, praticando a verdadeira caridade e misericórdia para com todos, indistintamente.

Ou seja, se nos propomos a seguir o Mestre Jesus, como verdadeiramente cristãos, consoante a parábola citada, precisamos estar atentos e dispostos a ajudar com esforço e coragem, sem alarde, sem interesses nem espera de recompensas, apenas o desejo de servir ao próximo, indistintamente; independente de momento e circunstâncias, sempre que a ocasião para tal se nos apresente…

E, quando a ocasião nos proporcionar o testemunho, aí estará o nosso próximo representado na figura dos necessitados de toda hora: no próprio ambiente doméstico, aplicando a compreensão, o apoio, a devida e justa correção quando preciso; bem como, da mesma forma, nos círculos sociais em que interagimos, de trabalho ou outras ocupações. E o testemunho mais difícil, certamente, proporcionado pelos adversários de ocasião, desafiantes, provocadores, seja no mesmo teto em que convivemos, no trabalho, no trânsito cada vez mais intenso e desgastante; nas ruas em que transitamos temerosamente; como nas adversidades em geral.  E aí, precisamos realmente estar preparados, com a necessária serenidade, o bom senso e a disposição para aplicação coerente do aprendizado no bem.

Destarte, não mais dúvidas, temeridades, nem hesitações, mas, a força de vontade para aplicação da caridade pura na prática do bem, com a certeza de que todos somos irmãos, e, como nosso próximo, o elo de ligação com Deus.

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

É Preciso Saber Viver Bem Consigo Mesmo

A ideia em epígrafe deriva, provavelmente, das reflexões sobre o axioma grego traduzido comumente entre nós como “conhece-te a ti mesmo” e atribuído ao sábio filósofo grego Sócrates (479 – 399 a.C.), como filosofia na busca do autoconhecimento e da verdade. Mas, sabe-se historicamente que constava como uma inscrição existente no “Oráculo de Delfos”, local dedicado ao deus Apolo, onde se desenvolviam o conhecimento e, por intermédio das pitonisas, a prática das profecias.

De qualquer modo, foi com a filosofia socrática que se buscou o conhecimento do mundo, da verdade e, pelo autoconhecimento, o equilíbrio para consecução da felicidade e, por certo, foi a fonte de divulgação dessa máxima, sabiamente vivenciada, para o mundo ocidental.

E nada mais coerente do que a ideia da necessidade do conhecer-se e, desse modo, o imprescindível equilíbrio mental-espiritual para consecução da almejada felicidade.

Todavia, o que ora ressalto como reflexão é a necessidade de buscarmos o entendimento do que realmente somos, sob a ótica da realidade espiritual, com a maturidade indispensável – que não se dá tão somente com o passar do tempo, que somente traduz experiência, mas, com o abnegado esforço, bom senso e racionalidade; para a harmonia interior e, a partir daí, o viver em paz e harmonia com todos.

Considerando que o autoconhecimento propicia os desdobramentos reflexivos que levam sempre à descoberta de nossas próprias falhas e culpas, oriundas até mesmo do nosso passado recente ou remoto, próprias do Espírito eterno e imperfeito que ainda somos, para a consequente e essencial busca das correções indispensáveis de nossas atitudes e ações em geral, sobretudo na interação social com o próximo, de que não podemos fugir. Como também, a não menos importante atitude mental da aceitação de si mesmo, como tal, também psicologicamente considerável para o equilíbrio de que muito já falei; enquanto a não aceitação representa uma motivação, entre outras, para o próprio desequilíbrio, trazendo transtornos difíceis de lidar e corrigir. Embora essa aceitação, bem compreendida, não possa, nunca, significar o nocivo conformismo inerte e comodista, incompatível com a boa convivência.

Portanto, creio que somente em harmonia consigo, resultante da busca do conhecer-se, é possível estar equilibrado e a partir daí viver bem com todos, em paz e harmonia. Da mesma forma que o contrário, em estado de desequilíbrio próprio jamais alcançaremos a paz interior, muito menos conviver bem, em harmonia. E não é preciso muito esforço mental para entender isso; a realidade da vida social nos mostra muito bem; bastando estarmos atentos e diligentes ao que ocorre sociologicamente, nesse aspecto, na interação com todos ao nosso redor.

Oportuno lembrar a maravilhosa lição de Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, que sintetiza divinamente essa ideia, quando disse: “Seja a nossa tarefa primordial o despertamento dos valores íntimos e pessoais.  Orientar o pensamento, esclarecê-lo e sublimá-lo é garantir a redenção do mundo, descortinando novos e ricos horizontes para nós mesmos.” (“Fonte Viva”, C. 144)

Que saibamos viver bem conosco mesmo, convivendo melhor; para o nosso próprio bem, de todos e, consequentemente, um mundo melhor, em paz e harmonia!

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]