Cada qual com seu cada qual

Lembro-me desta expressiva frase dita por uma pessoa amiga, tempos atrás, quando em conversação sobre os problemas da vida de que o seu cônjuge reclamava cogitando insatisfações e anseios, inclusive em comparação com outrem, ao que a amiga conclamou-o à resignação e paciência exclamando:  Calma!  Cada qual com seu cada qual!…  E ponho-me a refletir…

Embora entenda que literalmente não faça muito sentido se ouvida ou lida por alguém não acostumado ao linguajar nativo interiorano; singelo, porém de conteúdo significativamente autêntico; e o que não é meu caso, acostumado que fui com tal linguagem, que admiro e pude felizmente perceber e aprender, na própria vivência, a sua grande significação filosófica.  E, por isso, compreendi perfeitamente a expressão:

É preciso que tenhamos a compreensão da vida como um todo, sobretudo em seu aspecto espiritual de que não podemos prescindir, buscando entender e nos resignando em obediência às leis divinas de causa e efeito, sem que isso signifique marasmo ou conformismo inerte, de que muito já falei em textos anteriores (como Resignação e Obediência), ou seja, nos conscientizando que os percalços com que lidamos e temos de superar, advém de nossos erros cometidos e, consequentemente, o burilamento moral-espiritual implícito nos obstáculos expiatórios de que necessitamos para o nosso próprio aperfeiçoamento.

E, assim, cada um se contente com o que tem, mesmo com as limitações e obstáculos com que conviva. E nunca cogite de insatisfação, muito menos revolta, no enfrentamento de seus problemas, consciente de que é o que lhe cabe na medida exata de seu merecimento sob a ótica realista espiritual; tampouco comparações indevidas, cabendo-lhe, então, o esforço na superação das adversidades para consecução dos objetivos idealizados, igualmente necessários no contexto de sua evolução moral-espiritual.

Considero importante e oportuno, nesta reflexão, lembrar o que nos legou como maravilhoso ensinamento, o grande missionário espírita – Francisco Cândido Xavier, quando disse: “Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.  Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.  Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.  Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.  Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.  Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes….  São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.  Não reclames nem te faças de vítima.  Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos. Reprograma tua meta. Busca o bem e viverás melhor.  Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Enfim, reflitamos bem, como sempre enfatizo, e compreendamos que cada um deve contentar-se e até agradecer a Deus com o que, justamente, lhe cabe; ou mesmo, simplesmente: ‘cada qual, com seu cada qual’… E sejamos felizes assim!

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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