Feliz Ano Novo

Assim como nos festejos natalinos, que logo passou, em seguida já estamos no final do ano e as perspectivas sempre animadoras para o novo ano que se aproxima ou se inicia e, ainda embalados pela alegria reinante, tudo é festa… Em geral, a começar pela exclamação de – feliz ano novo (!), todos trocam votos unânimes de alegria, de paz, de felicidades e, sem esquecer saúde e prosperidade, tudo o mais de bom para todos. Tradicionalmente, a vigília na noite de 31 de dezembro – a passagem do ano – se reveste de ansiedade e quase formalidade refletida nas vestes e costumeiras superstições, na esperança de melhores dias no porvir.

O que é digno de registro e louvável, sem dúvida, tudo que signifique confraternização, alegria e induz à esperanças. Tanto que o primeiro dia do ano – o 1º de Janeiro – é considerado feriado mundial, comemorado e reconhecido pela ONU como “Dia da Fraternidade Universal”; o que justifica tudo, desde que presente o espírito fraterno e sincero, como deve ser sempre.

É realmente contagiante, na melhor intenção expressiva, a alegria reinante de então, que provoca uma envolvente sensação de bem estar, que nos deixa momentaneamente felizes, sem dúvida. Ainda que, com os excessos nocivos próprios da heterogeneidade de comportamento que caracterizam, nessas ocasiões, a nossa condição de espíritos imperfeitos no estágio em que tramitamos, por pertencermos ao mesmo plano vibratório de que já falei antes (vide A VERDADE É QUE ESTAMOS NO MESMO PLANO ESPIRITUAL).

Mas, não podemos deixar de enaltecer esses momentâneos gestos de alegria, de compartilhamento sadio e benéfico, com as energias positivas e benfazejas que envolvem todos, podendo até contribuir efetivamente como psicoterapia para muitos que estejam em estado de desânimo, desequilíbrio de alguma forma. E por isso a obrigação nossa em preconizarmos, na prática, esse estado de espírito alegre e festivo, que pode significar, sem dúvida, até uma ajuda oportuna de que temos consciência, bastando o mínimo esforço de nossa atitude mental e gestos (A NOSSA ATITUDE FAZ A DIFERENÇA).

Portanto, saibamos cultivar a amizade fraterna e não cogitemos de qualquer resquício de pessimismo irritadiço pela conturbação que nos rodeie, se preciso com o recolhimento à oração e a força da resistência mental/espiritual ante o assédio dos males; para não nos afastarmos do amor divino, adentrando no campo negativo do fel da amargura, da intransigência, maldade ou desilusão, frutos do nevoeiro do egoísmo, características dos que fogem às nobres e gratificantes tarefas da boa convivência e da caridade para com todos.

Contribuamos assim, na esfera de nossas obrigações, para o bem comum, cultivando a fraternidade, a alegria, deixando-nos envolver nesse clima festivo instado, do imaginário de esperanças que povoa o inconsciente social, ou coletivo, consoante a visão psicanalista e filosófica em voga, para que possamos conclamar, do potencial magnético de nosso íntimo, efusivamente:

FELIZ ANO NOVO!                

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Feliz Natal

Muito se fala e muito se diz, assim, nessa época de festividade natalina em que todos se cumprimentam com estas exclamações em tom quase imperativo, com seu positivo teor de fraternidade, o que é louvável, digno de nota e podendo ser considerada até uma atitude cristã.

Mas, como em todas as oportunidades da nossa vida, devemos refletir sobre tal e se isto realmente reflete o que pensamos e desejamos ao próximo, como um gesto espontâneo e sincero, com toda energia que sempre emana do nosso magnetismo espiritual em que assim nos expressamos, quando do nosso íntimo ou, como se diz popularmente, do nosso ‘coração’.

Digo isto porque não raro agimos de modo costumeiro nessas ocasiões, obedecendo aos condicionamentos impostos pela mídia comercial, que aproveitando a ocasião nos impele a isso, como um automático gesto associado ao consumismo implícito em agradar com a obrigação de presentear, quase inconscientemente.  E daí a resvalar para os exclusivos impulsos egoísticos materiais do dar e receber, como dos prazeres festivos mundanos, ficamos a um passo ou no limiar do automatismo frio e insensato, da falta do puro sentimento fraterno, contrário ao comportamento verdadeiramente cristão.

Contudo, há sempre o mérito do despertar de sentimentos fraternos coletivos gerados nessa época; como, entre outras motivações, a musicalidade harmoniosa que caracteriza a sacra efeméride; a iluminação feérica que se reveste de sugestiva alegria e convida-nos à saudável confraternização, própria das comemorações natalinas, dependendo, claro, da nossa sintonia mental-espiritual que possamos dispor e expandir.

Ainda assim, não podemos olvidar do verdadeiro simbolismo do Natal: Anunciado pelas legiões angelicais – o nascimento entre nós do Grande Renovador Celeste; o Demarcador do tempo que a própria humanidade reconheceu e ficou registrado na História – o antes e o depois Dele; exaltando-se então – Glória a Deus no Universo! Para a Paz na Terra! E a Boa Vontade para com a Humanidade! Sob as bênçãos do Pai Supremo – inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas; legando uma nova era para o mundo, pelo próprio exemplo de Amor Sublime, do berço de palha ao madeiro infamante: Eis Jesus, modelo e Guia para todos nós…

Nada mais sublime do que meditarmos sobre o Amor em sua essência, verdadeiramente gratificante pelo estado de harmonia e paz que se cria em torno de todos envolvidos em tal atitude mental.  E, como dito anteriormente, o momento é propício.  Eia agora!  Aproveitemos o estimulante e convidativo momento. Comemoremos alegremente, se possível com mesa farta, mas, antes, não nos esqueçamos de nossos irmãos necessitados, carentes de pão e apoio, lembrando que o excelso Mestre Jesus esteve entre nós, demonstrando, pelo exemplo, a verdadeira fraternidade; sobretudo para que nos amemos uns aos
outros, como irmãos.

E assim, então:  FELIZ NATAL!

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

A VERDADE É QUE ESTAMOS NO MESMO PLANO ESPIRITUAL

Ocorreu-me uma reflexão sobre as queixas que ouço, aqui e alhures, em relação aos malefícios de toda natureza encontrados em nossa sociedade de que não faltam apontadores: indicativos estatísticos, mídia sequiosa por escândalos, jornalismo sensacionalista, a própria observação prática do dia-a-dia, etc., e daí, naturalmente, os discursos inflamados como virtual afronta por aparente indignação e revolta ante tantos males… que, acalmado os ânimos, tudo volta ao ‘normal’, como dantes, ao menos aparentemente…

E cada um que se julgue imerecedor de tal situação, como se em tudo agíssemos corretamente ou fôssemos de outro planeta e nada tivéssemos com isso; quando na realidade se aqui estamos e por tudo isso passamos não é por acaso e sim, por pertencermos ao mesmo estágio evolutivo, ainda inclusos no mesmo plano – de expiação e provas, e, sem nenhuma dúvida, tudo o que ocorre de maneira geral é decorrente do que somos, fizemos e ainda fazemos, como um todo, consequentemente sujeitos a tudo isso. E daqui não  ‘sairemos’ sem que nos aperfeiçoemos ainda que relativamente, ou seja, vivenciando o que disse Jesus:  “… em verdade te digo que não sairás dali até pagares o último ceitil.” (Matheus, capítulo V,vers. 25 e 26.)

Portanto, é preciso que todos se conscientizem de tudo isso para não cogitar de revolta em se julgando à parte dos processos de resgates e provações. Basta ater-se a um só aspecto no amplo exercício de cidadania, de nossa responsabilidade nesta atual conjuntura, para descobrir logo nossas falhas; como a escolha de nossos mandatários nas áreas administrativas e político-econômicas, alvo de tantos escândalos, o que implica em má escolha, e aí estão eleitos democraticamente por nós, enquanto maioria… E não vale o – não fui “eu”, “eu” não fiz, etc.  Nesse contexto, fazemos parte de uma coletividade e nos situamos no mesmo nível evolutivo geral, embora as diferenças individuais notáveis. E estamos sujeitos às vicissitudes inerentes a isso. E, aqui estando em cumprimento às leis divinas de causa e efeito de que já falei e muito se tem explicado, temos que contribuir para melhoria nossa e da coletividade de que fazemos parte, com atitudes eticamente corretas, o devido bom senso na justa aplicação da compreensão, tolerância, entendimento fraterno, como da própria justiça, naquilo que nos couber.               

Por isso, sempre destaco a necessidade de em toda observação analítica, antes de reagirmos por pensamentos, palavras ou mesmo ação de alguma forma, refletirmos com o entendimento de uma visão mais ampla sobre tal realidade, inclusive e principalmente, o aspecto espiritual.  E enalteço a necessidade da compreensão inequívoca de que, antes de tudo, somos Espíritos Eternos, momentaneamente em estágio reencarnatório neste planeta, para correção de nossas imperfeições no exercício do nosso aprimoramento moral-espiritual. E tenho convicção de que essa compreensão é imprescindível e independe de preceitos religiosos ou filosóficos de qualquer origem, por sua natureza racional e, por isso, seus princípios lógicos aplicáveis a qualquer preceito moral, religioso ou filosófico; bastando para isso, apenas libertarmo-nos dos preconceitos, dogmas ortodoxos, ideias materialistas preconcebidas, mistificações e superstições; de que falei mais, anteriormente (vide Convicção Espírita).

Só assim, creio convictamente, perscrutando o nosso íntimo na busca da verdade que harmonize nossa mente, para uma vida equilibrada, voltada ao bem comum, em perfeita interação com as leis divinas da natureza como um todo, alcançaremos a real e verdadeira felicidade – a paz de espírito; compreendendo, neste contexto, que ora somos humanos e estamos no mesmo plano espiritual.

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Cada qual com seu cada qual

Lembro-me desta expressiva frase dita por uma pessoa amiga, tempos atrás, quando em conversação sobre os problemas da vida de que o seu cônjuge reclamava cogitando insatisfações e anseios, inclusive em comparação com outrem, ao que a amiga conclamou-o à resignação e paciência exclamando:  Calma!  Cada qual com seu cada qual!…  E ponho-me a refletir…

Embora entenda que literalmente não faça muito sentido se ouvida ou lida por alguém não acostumado ao linguajar nativo interiorano; singelo, porém de conteúdo significativamente autêntico; e o que não é meu caso, acostumado que fui com tal linguagem, que admiro e pude felizmente perceber e aprender, na própria vivência, a sua grande significação filosófica.  E, por isso, compreendi perfeitamente a expressão:

É preciso que tenhamos a compreensão da vida como um todo, sobretudo em seu aspecto espiritual de que não podemos prescindir, buscando entender e nos resignando em obediência às leis divinas de causa e efeito, sem que isso signifique marasmo ou conformismo inerte, de que muito já falei em textos anteriores (como Resignação e Obediência), ou seja, nos conscientizando que os percalços com que lidamos e temos de superar, advém de nossos erros cometidos e, consequentemente, o burilamento moral-espiritual implícito nos obstáculos expiatórios de que necessitamos para o nosso próprio aperfeiçoamento.

E, assim, cada um se contente com o que tem, mesmo com as limitações e obstáculos com que conviva. E nunca cogite de insatisfação, muito menos revolta, no enfrentamento de seus problemas, consciente de que é o que lhe cabe na medida exata de seu merecimento sob a ótica realista espiritual; tampouco comparações indevidas, cabendo-lhe, então, o esforço na superação das adversidades para consecução dos objetivos idealizados, igualmente necessários no contexto de sua evolução moral-espiritual.

Considero importante e oportuno, nesta reflexão, lembrar o que nos legou como maravilhoso ensinamento, o grande missionário espírita – Francisco Cândido Xavier, quando disse: “Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.  Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.  Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.  Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.  Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.  Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes….  São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.  Não reclames nem te faças de vítima.  Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos. Reprograma tua meta. Busca o bem e viverás melhor.  Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Enfim, reflitamos bem, como sempre enfatizo, e compreendamos que cada um deve contentar-se e até agradecer a Deus com o que, justamente, lhe cabe; ou mesmo, simplesmente: ‘cada qual, com seu cada qual’… E sejamos felizes assim!

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

Doação – Esmola

      Relendo as maravilhosas lições do iluminado Emmanuel, por intermédio da psicografia do inesquecível Chico Xavier, reflito sobre o que mencionou em uma de suas maravilhosas e esclarecedoras obras em que comentando uma passagem do Evangelho do Apóstolo Lucas, citou a sábia lição do excelso mestre Jesus, quando disse: “Daí antes esmola do que tiverdes.” (Lucas, 11:41.).  Levando-nos sempre a meditar…

Realmente, é preciso nos dispor a repartir com os nossos irmãos de jornada, do que temos e somos à luz do aspecto espiritual, ou seja: das virtudes que são os verdadeiros tesouros que acumulamos e podemos assegurar como reais aquisições e que podemos facilmente doar, compartilhando com todos, a começar pela síntese, creio, de todas as virtudes – o Amor, que podemos doar infinitamente, porquanto como sabemos – nunca se esgota, pois que se multiplica.

Basta meditarmos um pouco e indagar introspectivamente: o que somos realmente… o que temos de nós próprios para compartilhar com os outros… E, sem que seja preciso a detenção de bens ou riquezas,  não haverá um ser sequer que não disponha de um tempo, por menor que seja, para, com boa vontade e a simples iniciativa prática, ajudar o próximo: um cumprimento de cordialidade, um sorriso, um favor ou ajuda oportuna, um tempo para escutar um desabafo amigo, compartilhando proveitosamente a dor alheia, e tantas outras oportunidades que com certeza sempre se nos apresenta e não damos a devida atenção ou não dispomos a boa vontade em servir, aferrados ao egocentrismo implícito nas ocupações imediatistas em que comumente nos envolvemos.

Lembrando também da importância do exemplo de atitudes voltadas para o bem, como comentei em outro texto (“A Nossa Atitude Faz a Diferença”), pelas vibrações que irradiamos, como o bom humor, por exemplo, que se converte em alegria, estado de ânimo; e tantas outras, como a tolerância, a compreensão, o perdão; que podem reerguer tantas criaturas que sofrem de algum modo, necessitados, à espera de tão simples e imprescindível apoio fraterno, de uma valiosa ajuda.

Conquanto seja comum vermos muitos darem esmola dos valores acumulados que detém, tão somente materiais e quase sempre do supérfluo que pouco ou nada lhes onera; o que não significa que isso seja de todo ineficaz, pois podemos constatar facilmente a grande massa de necessitados de toda ordem, em todo lugar – de estômagos vazios, corpos nus ou quase isso, organismos debilitados; e para muitos destes, sim, a esmola material importa, ajuda; aliviando a fome, cobrindo a nudez, mitigando a dor.  Mas, ainda assim, convém salientar o grande número de pedintes que se viciam nessa aviltante prática, induzidos pela facilidade contrária ao compromisso de um trabalho regular, responsável, alguns até fingindo-se de necessitados; o que torna aqueles que contribuem com esmolas, quase sempre, um incentivador desse flagelo humano, social. E nesse contexto é oportuno lembrar a criativa e cidadã preocupação do cancioneiro popular Luiz Gonzaga, versejando em uma de suas maravilhosas canções – “Vozes da Seca”- “… Mas doutor uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão …”

Por tudo isso, independente da prática da esmola ou da ajuda material que se faça necessária, reflitamos sempre com bom senso, sob a ótica espiritual e verdadeiramente cristã, com a correspondente atitude fraterna, para as doações de nós mesmos de que todos somos capazes, simplesmente…

Devaldo Teixeira de Araújo.

devaldo@hotlink.com.br

[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]