Busquemos o Imprescindível Alimento Espiritual

Disse-nos Emmanuel, por meio da psicografia do notável missionário divino Chico Xavier, em sua obra “Pão Nosso”, c. 148: “…. Os abnegados operários do Cristo prosseguem onerados em virtude de tantos famintos que cercam a seara, sem a precisa coragem de buscarem por si o alimento da vida eterna. E esse quadro persistirá na Terra, até que os bons consumidores aprendam a ser também bons ceifeiros.”

E, relendo essa grandiosa lição, logo visualizo o cotidiano de nossa vivência em prática, quando percebo, por exemplo, queixas de pessoas que dispõem de todo apoio material e psicológico, até afetuoso, suficientes para serem felizes e, no entanto, vivem instáveis, com constantes momentos de desequilíbrios psicossomáticos, que as deixam relativamente infelizes, posto que somente nesses momentos. Mas, que se agravam, com a constância vivencial desses momentos.

Então, reflito e percebo a extensão das verdades ditas pelo primoroso Emmanuel… Os consumidores a que ele se referiu, necessitados do alimento da vida eterna, logo espiritual… Que, acostumados às facilidades que a modernidade proporciona, cada vez mais, no aspecto material, dos prazeres mundanos, em suas satisfações fisiológicas e até psíquicas, por suas ocupações mentais com diversões que mais alienam e perturbam, do que entretém educando, como deveria ser, elevando, alimentando a alma, para o seu equilíbrio e evolução, como verdadeiro prazer para os sentidos espirituais – buscando por si o alimento da vida eterna, a que se referiu Emmanuel.

Ou seja, acostumamo-nos a encontrar, sobretudo os que dispõem de recursos para tanto, tudo pronto e disponível, com o mínimo esforço, desde a alimentação, com os serviços de terceiros, até as diversões, como já citei… E, de certa forma, buscam estender tais hábitos materiais, como se fosse possível, às necessidades mentais, espirituais. E, assim, deixa-se de lado os bons hábitos da boa leitura, da seletividade do que se ouve e assiste, que possam entreter educando, instruindo, enlevando a alma, como verdadeiro alimento espiritual.

Por isso, sem que se perceba, sob tais ilusões efêmeras e a abstinência do alimento espiritual, advém os quadros de instabilidades e desequilíbrios notórios em nossa sociedade hodierna, quando, então, no desespero das aflições psíquico-espirituais, a busca, afinal, das soluções salvadoras, não raro, infrutíferas, quando não se desperta para a terapia do corpo e do espírito…

Nesse contexto, pensei e escrevi, outrora, a respeito da busca e ajuda espiritual em alguns casos: “…. Assim, em geral muitos obtêm substancial melhora dos estados doentios, quando há a força de vontade na aplicação das atitudes recomendadas, e se redimem dos processos enfermiços, mudando os hábitos enganosos, passando a compreender a realidade espiritual, com religiosidade, em equilíbrio e harmonia.  O que corresponde à eficácia desejada nesses casos, para melhoria de todos e o progresso geral desejado, para uma vida melhor.

Entretanto, alguns tão logo se sentem melhor, restabelecidos, esquecem as recomendações, os aconselhamentos, como se sentindo curados de um ocasional problema meramente fisiológico, não assimilando os ensinamentos dados, tão pouco compreendendo a realidade espiritual vivenciada, e voltam aos hábitos de sempre… Infelizmente, então, atraindo novos problemas enfermiços, senão os mesmos… E o resultado todos sabemos ou é fácil imaginar: as intermináveis idas e vindas de buscas desesperadas e ajudas infrutíferas, como também, no final, as consequentes reencarnações corretivas, quanto sejam necessárias e possíveis. ….” (Publicado no Blogdoteixeira.com.br – em 16.06.2014).

Destarte, urge de todos nós a conscientização de nossa realidade espiritual, em perfeita e completa interação com a vivência existencial, como seres humanos, mas, espíritos eternos, necessitados de alimento espiritual.

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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[Autorizada a divulgação desde que respeitadas a integridade e autoria do texto]

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A Doutrina Espírita e seu Papel para a Humanidade

Conquanto a adequada atribuição do termo doutrina – como um conjunto de princípios em que se fundamenta o Espiritismo, tal sua natureza em seu idealismo filosófico, científico e religioso, que lhe são intrínsecos ao mesmo tempo; afeiçoo-me mais às denominações de Ciência e Filosofia Espírita. Porquanto, buscando, objetiva e racionalmente, encontramos na denominação adjetiva deste último termo, as seguintes coerentes explicações:

“Amor à sabedoria e ao conhecimento, através da procura permanente da verdade.”

       “Conjunto dos princípios teóricos e gerais que permeiam e regulamentam as ciências particulares (física, astronomia, química, psicologia etc.), ao contrário do saber fragmentado a que essas mesmas ciências estão reduzidas, com seus campos específicos de pesquisa.”

       “No âmbito metafísico, reflexões e estudos teóricos que buscam a verdade sobre a natureza de Deus e do Universo por meio de procedimentos que se utilizam da lógica e da dedução, ao contrário da religião, que baseia na fé essa busca”. (Dicionário Português Brasileiro – Michaelis.uol)

       E em que pese a natureza pessoal da preferencial denominação, creio que se coaduna bem com os ideais preconizados pelos sábios Espíritos Superiores; quando a revelaram a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação da primeira obra – “O Livro dos Espíritos”, por meio do intercâmbio mediúnico psicográfico coordenado e compilado pelo Douto Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com a imprescindível colaboração conjunta de todos os seres, verdadeiros missionários divinos, envolvidos nesta grandiosa missão: transmitindo ou ditando (Espíritos sábios) e psicografando (médiuns).

       Contudo, mais importante do que as preocupações teóricas e literárias é o proficiente papel do Espiritismo para a Humanidade, por seu caráter revelador e esclarecedor, corroborando os ensinamentos do divino Mestre Jesus, que o havia exemplificado, há dois mil anos, fazendo uso de parábolas, que muitos não puderam compreender. E eis o advento da Doutrina Espírita, cumprindo o que o próprio Mestre asseverou, em consonância com o Evangelho de João, c.14: v.16, 17 e 26. Que tenho a convicção de tratar-se do Consolador (prometido)Espírito de verdade, como a terceira revelação divina (a primeira – Moisés e a segunda – Jesus). Sobretudo visando o perfeito e amplo entendimento de nossa realidade espiritual, para o nosso aprimoramento e conseguinte evolução moral-espiritual de que tanto necessitamos, ante o novo estágio espiritual evolutivo do nosso orbe terrestre, que se avizinha.

       E eis o que nos elucidou Allan Kardec, na Introdução do “Livro dos Espíritos”: “A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica outra, relativa às manifestações inteligentes. A verdadeira Doutrina espírita está nos ensinos que os Espíritos deram, e os conhecimentos que este ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo perseverante, feito no silêncio e no recolhimento. Porque, só dentro desta condição se pode observar um número infinito de fatos e particularidades que passam despercebidos ao observador superficial, e firmar opinião. …. Os princípios nelas exarados não são de criação nossa. O mérito que apresenta cabe todo aos Espíritos que a ditaram. Esperamos que dará outro resultado, o de guiar os homens que desejem esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim. …. Porém, entre o homem e Deus, alfa e ômega de todas as coisas, que imensa lacuna! …. O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens, nos diferentes graus que levam à perfeição.”

       Nesse contexto, repito o que meditei e escrevi em maio de 2016: “O Espiritismo, bem compreendido, em seus primordiais e racionais princípios – científicos e filosóficos, constitui-se a essência de todas as religiões fundamentadas no Evangelho de Jesus.”

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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A Real e Desconhecida Dimensão Espiritual

        Refletindo com as maravilhosas lições do primoroso Emmanuel, sempre com estudo sério e objetivo, podemos compreender bem a nossa realidade existencial, espiritual e humana ao mesmo tempo, rigorosamente interligadas, independente do entendimento e diferentes conceitos filosóficos que muitos procuram dar à vida. Sobretudo os pensadores cientificistas que geralmente só acreditam naquilo que vêm ou que fazem parte de seus estudos e conceitos exclusivistas, ditados pela própria ciência oficial, de que se valem, geralmente desprovidos de humildade e sem considerações em busca da verdade. Igualmente tal o fanatismo religioso ortodoxo, em seus dogmas baseados na fé ‘cega’ e suas interpretações literais restritas, como todos sabemos.

        Assim penso e afirmo, por experiência própria, porquanto até os trinta e cinco anos de idade não cria na existência de Espíritos; assim considerado como sendo nossa essência e tampouco de sua real e plena interação conosco; como cético (tal como me considerava), baseado no que aprendera e lera sobre as religiões tradicionais. Naturalmente, antes de buscar e encontrar, enfim, o entendimento racional de nossa realidade espiritual, por intermédio do inicial e contínuo estudo, com a devida reflexão, das obras da codificação básica do Espiritismo, além de várias outras obras da vasta literatura espírita, que tanto nos esclarecem e iluminam. O que sempre faço, até hoje, e sempre mais…

        Mas, o que torna ainda desconhecida esta realidade, tal como intitulado no presente texto, creio que seja as preocupações imediatistas do ser humano com os problemas pessoais e sociais do cotidiano que lhes cercam e em que ocupa sua mente quase que por completo. Além, claro, do seu estado evolutivo espiritual para a compreensão de tudo isso… Até que disperte sua consciência para tanto, impelido sempre pela dúvida e a busca da consciliação e harmonização mental, para o equilibrio e a paz interior, de que o sucesso material e a satisfação dos sentidos não o realizam plenamente, como aconteceu comigo mesmo.

        Valendo lembrar e salientar, neste contexto, o pensamento e a reflexão do notável escritor e dramaturgo inglês William Sheakespeare, contida em texto de sua peça-tragédia “Hamlet”, escrita no final do Século XVI, em que, refletido em seu protagonista, afirma: “Há mais coisas entre o céu e a terra, (Horácio,) do que sonha a nossa vã filosofia.”

        Destarte, julgo oportuno repetir o que escrevi em texto anterior: “…. O óbvio é que, com a evolução individual e coletiva da humanidade, como efeito natural, todas as religiões e formas de crença em Deus hão de convergir para esta realidade: a vida espiritual não como algo irreal ou sobrenatural, mas, como algo real, atuante, interagindo com o homem e o Universo, sob as leis naturais de causa e efeito, ação e reação, com a pluralidade das existências para a incessante evolução humana, como seres espirituais, como apregoa o Espiritismo, evidenciando o Cristianismo como lei de amor e liberdade.

 Por outro lado, o ateísmo como o materialismo não resiste a uma reflexão mais profunda e consciente diante do perfeito equilíbrio do Universo, sob as leis imutáveis da natureza, enquanto a própria ciência afirma que não há efeito sem causa e, portanto, toda essa perfeição, como efeito inteligente, de tudo que não seja criação do homem, revela uma inteligência suprema, Divina.  Basta a reflexão sem ideias preconcebidas, para desconsiderar o ‘acaso’ preconizado por setores do materialismo científico. ….” (Do texto “Convicção Espírita”, publicado em 05.08.2013 – https://blogdoteixeira.com/).

        Portanto, urge meditarmos sobre a nossa realidade espiritual em sua ampla dimensão, buscando sempre a verdade, por todos os meios possíveis, racionais, sérios e objetivos, analisando as evidências sobejamente manifestas, para o nosso próprio bem.

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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A EMPATIA, EM CONTRAPARTIDA AO EGOÍSMO

Há dias tenho pensado sobre nossas dificuldades em bem compreender e praticar a verdadeira atitude cristã e também cidadã, em nossa interação social, em face do atual estado de turbulência por que passamos de um modo geral, em que alguns se revoltam pela indignação ante as causas e circunstâncias que ocasionaram e motivam tal situação adversa. Enquanto outros, alheios aos reais e graves problemas que se nos defrontam, se iludem no marasmo a que se prestam ou até mesmo são induzidos, e se comprazem como se julgando bastar-se a si mesmo, por puro egocentrismo, muitos inconscientemente, esquecidos de que somos seres sociais e, como tal, interdependentes. E, portanto, necessitamos da convivência social, que, quando em uso consciente de nossas faculdades superiores, compreendemos que não poderemos viver e sermos felizes isoladamente, jamais.

Por isso, tenho convicção de que a nossa verdadeira felicidade, em paz de espírito, não pode se dar, exclusivamente; tal quando, por exemplo, vemos ao nosso redor situações conflitantes, injustiças e abusos, que ocasionam sofrimentos aos nossos semelhantes, mesmo que estes não façam parte de nosso convívio direto e até mesmo estejam noutro patamar social. Por termos a nossa corresponsabilidade social para com tudo e todos, se não estivermos com nossa consciência ou faculdades superiores entorpecidas pelo egoísmo das preocupações apenas imediatistas, na ilusão das vantagens e prazeres exclusivistas, alheios aos problemas que atingem os nossos semelhantes de todas as esferas.

E percebo que esse estado de descaso se dá por pura alienação, literalmente, fruto do egoísmo que se nos acerca de todas as formas e circunstâncias. Por falta da autêntica empatia, ou seja, dessa capacidade de compreensão dos sentimentos de outrem, de interpretar os desejos e as necessidades do próximo sem que seja preciso a verbalização; da habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa (que é, sabidamente, a melhor forma de se julgar alguém); do envolvimento emocional; enfim, do verdadeiro sentimento de amor ao próximo. E, por isso, o individualismo nocivo em detrimento de outrem, que tanto vemos e sentimos em nossa sociedade, contrariando os exemplares ensinamentos do divino Mestre Jesus, guia e modelo para a Humanidade.

Nesse contexto, esclareceu-nos o primoroso Emmanuel: “O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas ‘armas’, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens. 

        Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! …

Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o elimineis dos vossos corações.” (Transcrito e adaptado do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, c. XI, item 11 – Allan Kardec)

O que me faz lembrar e oportuno repetir o que pensei e escrevi em 2004: “Na raiz de todos os nossos males encontramos a obscuridade do egoísmo; enquanto em todas as realizações dignificantes encontramos a luz do Amor.”

Exercitemos, então, a empatia edificadora em contrapartida ao egoísmo destrutivo!

 

Devaldo Teixeira de Araújo.

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Estejamos Atentos e Receptivos ao Aprendizado Espiritual

        Sempre buscando ler e estudar, objetivamente, para melhor entendimento de nossa realidade, visando o maior conhecimento possível para compartilhar uma existência equilibrada, em paz e harmonia; reflito, mais uma vez, com o primoroso Emmanuel, que sabiamente explicita e nos esclarece, de forma inteligível, os divinos ensinamentos contidos no Evangelho de Jesus, para o nosso aprimoramento moral-espiritual. E me atenho à realidade de que há dois mil anos nem todos estavam receptivos aos seus ensinamentos divinos, nem devidamente preparados e sintonizados para a correta interpretação e aplicação das lições do Mestre. Por isso, disse aos Seus Apóstolos: “ […] E eu rogarei ao Pai, e vos dará outro Paracleto (*o que se traduz como alguém enviado para consolar, confortar, prestar auxílio; que exorta, instrui…), a fim de que esteja convosco para sempre. O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o contemplou nem o conhece; vós o conheceis porque permanece junto de vós e estará entre vós. […], mas o Paracleto, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará e vos lembrará todas as coisas que vos disse.” (João, c.14: v.16, 17 e 26. Transcrito de “O Novo Testamento”- Tradução de Haroldo Dutra Dias).

        E mesmo depois de cumprida a rogativa do Mestre, dezoito séculos após a Sua estada entre nós, por meio dos ensinamentos ditados e bem esclarecidos por seus prepostos Paracletos*, tal como nos asseverou, com o advento da Doutrina dos Espíritos, ou Espiritismo; a maioria de nós ainda não consegue entender bem, nem praticar as diretrizes preconizadas por esta verdadeira filosofia de vida que nos conduz ao equilíbrio, à paz e à harmonia, individual e coletiva. Isto porque ao vivenciar e desenvolver o nosso livre arbítrio, condição essencial para a evolução moral-espiritual a que estamos destinados; nos enredamos nos emaranhados da vivência mundana, em seus ilusórios prazeres, evidenciando o egoísmo e o orgulho arraigados em nós, que geram as preocupações exclusivamente materiais e imediatistas, em meio às facilidades de toda sorte. E assim, vamos adiando, reencarnação pós reencarnações, as necessárias transformações íntimas e, por conseguinte, coletivas, de que tanto necessitamos para a transformação de nós e do mundo. Tal como nos revelou Jesus com a parábola da porta estreita (Mateus, c.7: v.13-14).

        É o que evidencia o nosso atual grau de evolução espiritual em que mourejamos em nosso Planeta, com todos os problemas e adversidades porque temos de lidar, como consequência de nossas imperfeições morais-espirituais, sobejamente observadas em nosso cotidiano social, em todos os níveis e em todo o nosso orbe, conquanto as grandes diferenças entre indivíduos, povos e culturas. Tal como assim refleti em texto anterior (Manifestações da Nossa Realidade Evolutiva):

    “O que demonstra a heterogeneidade característica do nosso atual estado evolutivo em geral, de tão diferentes níveis, que abrange notáveis personalidades de exemplares atitudes voltadas ao bem; como também seres da mais baixa condição moral, ainda renitentes no mal, como figuram nos noticiários policiais tão em voga. E, como nos esclarece os ensinamentos espíritas, tudo isso ocorre por ora vivenciarmos o “estágio espiritual de expiação e provas”, de que fazemos parte e onde o mal ainda predomina de algum modo, não obstante o progresso material já alcançado e as mudanças efetuadas e em contínuo andamento.

    E por isso, devemos nos conscientizar da nossa primordial tarefa de aprimoramento moral-espiritual, tanto no aspecto individual como na decorrente importância para com o aspecto geral, coletivo; buscando exercitar a prática das virtudes tão bem exemplificadas pelo Excelso Mestre Jesus, a fim de que, realizando a nossa parte, ainda que ínfima, contribuamos para melhoria do mundo, assim como para nossa própria evolução, razão fundamental de aqui estarmos em mais uma oportuna reencarnação, que não devemos desperdiçar.”

        Portanto, precisamos estar atentos e receptivos aos conhecimentos espirituais, em toda sua abrangência, conscientes de que somos, essencialmente, Espíritos eternos.

Devaldo Teixeira de Araújo.

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Nossa Visão Perceptiva e o Universo Real

     Lembro bem de uma experiência reflexiva que tive, creio que bastante interessante, por volta do ano dois mil, quando trabalhava num bonito e bem projetado prédio situado em meio a um ambiente bucólico encravado numa clareira de um pequeno trecho da esplendorosa mata atlântica, no Curado, Recife-PE. E no qual tinha um espelho d’água onde existiam peixes do tipo carpa. Todo o local ao redor apresenta uma das paisagens mais belas da natureza divina, com sua frondosa vegetação, que podemos contemplar e maravilharmo-nos com tão fascinante cenário capaz de enlevar, deveras, almas sensíveis.

     E então, sempre que podia, nos momentos de intervalo do almoço, ficava a observar, além de todo o admirável contexto natural em volta, aquelas belas espécies de peixe em suas lindas e vívidas cores. Inclusive levava alguma alimentação apropriada para, naqueles instantes, vê-los com seus graciosos movimentos e características atividades em busca do alimento que lhes dava, no seu habitat natural… algo maravilhoso, digno de uma meditação profunda e embevecida…

     Nessa contemplação, transcendi a percepção da realidade visual e fiquei a imaginar a possibilidade da interação social entre aqueles seres, tal como nós, considerando assim suas possíveis preocupações transcendentes e dúvidas sobre o mundo exterior… que imagem e ideia eles poderiam ter do mundo externo grandioso e infinito, tão diferente de seu ambiente… Alguns, por certo, com capacidade extra-sensorial, ousariam descrever a realidade da dimensão exterior e outros, até, tentariam convencer os demais, com convicção disso. Mas, certamente, muitos não conseguiriam entender tal perspectiva extrínseca, além de seu próprio ambiente material sob as águas, em sua própria estrutura de seu imitado espaço. E, embora a realidade de suas vidas que muitos daqueles seres céticos e descrentes teriam como única e real; não excluiria a verdade sobre o Universo, por ser absoluta realidade.

     Refleti, então, que da mesma forma acontece conosco, de certo modo, em relação à compreensão do Universo como um todo, sobretudo no aspecto espiritual, de que não conseguimos visualizar com a limitada visão humana, que geram as nossas dúvidas e descrenças. Embora com o progresso natural e inexorável, o avanço da ciência em todos os campos, inclusive espiritual, nos faça entender muito dos fenômenos de que nossos ancestrais desconheciam e por isso atribuíam à intervenção de deuses e seus mistérios e milagres. Contudo, há que se reconhecer que o grau de evolução da humanidade em geral, por sua imperfeição, impede uma maior e ampla compreensão do todo universal quanto ao ponto de vista espiritual, que a Revelação Espírita, a seu tempo, gradualmente vem nos demonstrando e esclarecendo.

     Nesse contexto, julgo oportuno repetir o que pensei e escrevi, em Janeiro de 2002: “Procure a dimensão de si mesmo, e descobrirá a dimensão do Universo.”

     O que me faz lembrar a lenda egípcia do peixinho vermelho, contida no prefácio – “Ante as portas livres”, de Emmanuel, do livro “Libertação” de André Luiz/Chico Xavier¹. (Que, vale salientar, só li tempos depois dessa experiência reflexiva.)

Vide no link – http://www.espiritoimortal.com.br/espirito_imortal/libertacao.pdf

 

 Devaldo Teixeira de Araújo.

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O Reconhecimento aos Grandes Sábios

Quisera que todos pudessem reconhecer, lendo e compreendendo as grandes obras, ou, ao menos, informarem-se sobre a vida, os feitos e os ensinamentos dos grandes gênios humanos, verdadeiros sábios, que, com altruísmo, sacrifícios e muita força de vontade, nos legaram lições de vida para o nosso próprio bem, da coletividade e da Humanidade em geral. Em especial aqueles que doaram todas as suas vidas, ou o essencial delas, em prol de seus ideais, com sacrifício de si mesmo e para o bem de todos nós. E, muitos, incompreendidos e injustiçados, foram relegados ao ostracismo, em suas épocas e vidas, e alguns, mesmo até os dias atuais, por interesses escusos e a inversão de valores que grassa em nossa cultura geral de dominação e influências.

Por isso, devem ser considerados como, realmente, missionários divinos… Sim. Porquanto, creio com convicção, que não somente os grandes vultos religiosos devem ser assim considerados. Todos os seres que, de algum modo, estudam, trabalham, dedicam-se a uma causa que visa o bem de todos, com altruísmo, certamente obedecem a um impulso divino, sob forma de inspiração, motivação, assim também devem ser tidos, como uma missão, ainda que não tenham consciência plena disso e até nem religiosos sejam. A exemplo de um cientista que descobre um método de cura de um mal, em todos os campos; os feitos heroicos e históricos que consolidam o progresso ou a emancipação de uma região; ou outros que aperfeiçoam uma forma de facilitar a vida para o bem geral, com as invenções tecnológicas, em suas reais utilidades, independente dos aspectos socioeconômicos. Como também no campo das artes, em toda sua abrangência e formas… Todos, assim, contribuem para o bem coletivo, o progresso e o avanço da sociedade, inclusive considerando-se como algo importante e necessário para a evolução da Humanidade. E, por certo, no fundo, executam uma missão altruísta e divina.

Da Filosofia às Ciências exatas, grandes pensadores, filósofos e cientistas se destacaram nesse mister, alguns sendo considerados, tal como nos é ensinado, grandes vultos da História. Seria impossível enumerá-los todos e seus feitos, no curto espaço de um simples texto. Cito apenas, por exemplo, Platão (427 a 347 a.C.), discípulo de Sócrates e o primeiro filósofo a fundar uma Academia, como instituição de ensino superior. Teve Aristóteles como seu principal aluno e seguidor. Sabe-se também que Santo Agostinho fundamentou sua teoria filosófica cristã inspirado nas ideias de Platão. Em seu livro “A República”, sob forma de alegorias ou metáforas, criou e divulgou o que se denominou de “Teoria das Ideias”- que trata da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida após a morte do corpo físico; em suma: das percepções inteligíveis (ideias) e dos sentidos (matéria). E também, inspirado na vida e morte de Sócrates, difundiu o “Mito da Caverna”- onde os ‘escravos acorrentados’ só percebem imagens do fundo da caverna, quando ali refletidas pela luz solar… Resumidamente, é a representação do mundo em que os seres humanos vivem, acorrentados às paixões e à ignorância da realidade. Por viverem limitados ao que se lhes impõem, em seu meio (caverna), pelas imagens criadas por informações, conceitos e cultura que recebem. E, por isso, têm uma visão distorcida da realidade; vivenciando um mundo de sombras, sem perceber a verdade …

Algo mais verdadeiro e atual que tais conceitos filosóficos? Sobretudo considerando os desmandos e as inversões de valores que grassam no mundo, e em particular em nossa realidade social, cultural e política…  Eis a genialidade de um Espírito eterno, indo muito além, refletindo e esclarecendo para toda posteridade; e, assim, considerando os dias de hoje, pensou dois mil e quinhentos anos à frente de seu tempo.

Sem citar, por exemplo, no campo das artes – as grandiosas e eternas composições musicais; a Literatura e seus magníficos autores, em todas as áreas do conhecimento: pedagogos, filósofos, poetas; com também – escultores, pintores; enfim, Espíritos iluminados e inspirados, que nos legaram tanto bem, sob a forma de arte, ensinamentos, exemplares virtudes, e tanto mais que não caberia citar.

Portanto, reconhecer e enaltecer tão maravilhosos e geniais seres, como missionários divinos, é o que podemos entender e devemos fazer, além de sermos eternamente gratos e com eles muito aprender.

 

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